22 junho 2007

Summer's here, and the time is right for...

Já com um dia de atraso, a C70 deseja a todos um Verão em grande.

20 junho 2007

Jump, they say


Depois das bombásticas declarações do Boer papudo tudo passou a fazer sentido, e percebemos finalmente as razões pelas quais 2/3 da nossa população não pode imitar David lee Roth, ou seja, porque é que
QUEM NÃO SALTA É LAMPIÃO, OLÉ.

São elas:
1) o reumático;
2) as artroses;
3) a osteoporose;
4) os joanetes;
5) já não se lembram como se faz.

19 junho 2007

El Matador

A C-70, sempre bem colocada junto das mais secretas fontes, descobriu o que os jornais desportivos ainda não sabem: o ponta de lança que o S.L. Passarinhos desencantou para acabar de vez com a concorrência.
Vejam com os vossos próprios olhos as habilidades do novo Matador, e tremam!

Quote of the day - Pulp / Help the lamps

Finalmente compreendem-se as verdadeiras, e de resto extremamente nobres, intenções do grande mecenas sul-africano. Ei-las expostas numa melodia de sempre, que bem pode substituir aquela palhaçada das papoilas saltitantes como hino da nova delegação do Lar do Comércio para a 2ª circular.
Não deixem de reparar no cameo do Rui Costa à passagem dos 2.40'. O rapaz tem jeito.

18 junho 2007

Hate you as I like 04

Um palhaço que depois de se cansar de desfraldar bandeiras brancas em palco reúne com Bush e Barroso, e passa por salvador do mundo; outro que tem a real lata de se auto-intitular "The Edge" (falava eu das peneiras dos Stone Roses!!!); e duas não-entidades que ninguém reconheceria na fila do supermercado.
Eis uma das bandas que mais me tira do sério. A sério, eu nem tenho maus fígados, mas estes gajos... blaaaaaa#$&&%&%#$$#%$#&%aaaaaaargh!!!!!
Pronto. Espero que isto não seja causa de divórcio.

PS - O regresso desta rubrica tem a ver com este fantástico artigo, referido por este caríssimo escriba num post aparentemente inspirado por um comentário meu num outro post dele. Uma espécie de bilhar as três trivelas.
PS2 - Apesar de todo este fel, faz agora 14 anos que eu fui de propósito a Paris para ver um número de circo, perdão um concerto destes palhaços. Por mero acaso, a banda que fazia a 1ª parte chamava-se Velvet Underground.

17 junho 2007

Back to basics

Depois de um fim de semana em que o prato forte foi o excelente Sound of Silver dos LCD Soundsystem, dou por mim no domingo à noite a trautear canções dos quatro homens-máquina de Dusseldorf. E a pensar em como foram de facto fundamentais para que se fizesse tanta da música de que eu gosto, desde 1977 até 2007.

PS: reparem no tributo aos dois semi-deuses do rock, entre os 3.19' e os 3.26'. É bonito e fica bem saudar quem merece ser saudado.

14 junho 2007

Quote of the day - Spiritualized / Come together

Little Johnny's sad and fucked,
First he jumped and then he looked
The tracks of time, these tracks of mine
Little Johnny's occupied
Come on, come together



Um post num blogue amigo trouxe-me à memória esta canção de um dos melhores discos de 1997 (de resto, um ano fracote). O tal disco com uma edição especial em que vinha embalado numa caixa de medicamento.
Claro que as temáticas não têm nada a ver uma com a outra, para além da piada fácil. Mas o que hei-de eu fazer, se sou boçal por natureza?

13 junho 2007

Blown to hell, crash!

Faz hoje cinco anos. Era dia de Sto. António, e por isso as ruas de Lx estavam felizmente desertas. A Inês ficou, porque o Filipe estava quase quase quase quase para aparecer ao mundo. O meu Jazz estava na rodagem. Abalámos daqui já tarde, porque seu Jorge tinha uma reunião. O Dr. Salazar levou a OST do 24-hour party people para animar a viagem. Comemos as belas sandes de leitão no parque de estacionamento ao lado do Paradise Garage. E depois ouviu-se...


Belo concerto, olé se foi, apesar de as manas catatuas para variar se terem desentendido em palco. Vai-se a ver ainda foi por isso que ficámos sem Gigantic.
O bilhete ainda está ali na parede a olhar para mim. E já agora, ainda marchava uma sandes de leitão e uma super bock.

12 junho 2007

O diabo no corpo

I don't have to sell my soul,
He's already in me!



Quanto mais vezes ouço este disco, mais me convenço que lá pelos idos de 88-89 o Chifrudo andou por Manchester. E fez um trato com 4 rapazes.
Que banda, que canção, que álbum!... Quem lhes pode levar a mal as peneiras?
(Se tiverem dúvidas, quanto ao talento e quanto às peneiras, fáxavor conferir primeiro aqui e depois aqui.)

06 junho 2007

A girl called Ronnie

So won't you say you love me,
I'll make you so proud of me,
we'll make 'em turn their heads every place we go!




Era uma vez uma rapariga chamada Veronica Bennett, que dançava e cantava com a irmã Estelle e a prima Nedra em bares e salas de NY. Veronica encurta o nome para Ronnie. A sua voz colossal e a sua beleza exótica fazem-na a líder natural do trio, que passa a chamar-se Ronettes.
Em 1963 o caminho das Ronettes cruza-se com o de Phil Spector. A voz majestosa encontra o Wagner louco e megalómano da pop, e desta explosão nasce aquele que é bem capaz de ser o maior single pop jamais produzido. Ninguém fica indiferente, todos se voltam para os ver passar.
Mais de 20 anos depois, esta canção estaria presente no primeiro momento perfeito de uma das bandas mais importantes dos anos 80, que começa com o mesmo boooom, boom-boom, bang. Uma obra prima gera outra. Além disso abre um dos meus filmes favoritos, o Mean Streets de Scorsese. É tão perfeita que não conheço quem se tenha atrevido a gravar uma cover.
Infelizmente para os Spectors, o resto da história não é exactamente um conto de fadas. Casaram, ele enlouqueceu e enclausurou-se/a em casa, divorciaram-se, e neste momento Phil Spector enfrenta a perspectiva de prisão perpétua pelo homicídio de uma actriz. Já a nossa Ronnie lançou no ano passado um disco que faz lembrar os seus gloriosos anos 60, e que passou injustamente despercebido. Chama-se The last of the rock stars e até tem uma nova versão de Ode to LA, a canção em que colaborou com os Raveonettes (que assumem sem disfarces a herança do casal Spector, desde o nome à saturação sonora). Ouçam-no e não se arrependem. Eu ando a ouvi-lo em regime non-stop.
Woah, oh, oh, oh, oh....

05 junho 2007

Quote of the day - Mazzy Star / Fade into you

I want to hold the hand inside you,
I want to take a breath thats true
I look to you and I see nothing,
I look to you to see the truth
Fade into you,
Strange you never knew



Sucumbindo à recordação despertada por um dos melhores blogues da praça, deu-me vontade de ouvir (e ver) esta pérola da safra de 93 antes de recolher ao leito.
Salvé, Raínha Esperança!

03 junho 2007

Quote of the day - The Auteurs / Show girl

I took a showgirl for my bride,
thought my life would be righteous
Took her bowling, got her high,
got myself a showgirl bride



Os Auteurs foram uma das melhores bandas da primeira vaga britpop. Infeliz e injustamente nunca subiram à primeira divisão, e ficaram sempre na sombra dos Suede. É verdade que Luke Haines não tinha a voz nem o carisma de Brett Anderson, mas não lhe ficava a dever em termos de composição.
Muitos anos depois, este Show girl, primeira música do primeiro álbum, parece ter servido de lema de vida ao presidente do meu clube. Será mera coincidência o facto de o disco ser editado pela Caroline Records - como se pode conferir no clip - ou estaremos de facto perante uma cabala de proporçoes mais gigantescas do que alguma vez supusemos?
Só o Altíssimo, Charles Manson ou Paulo Paraty poderão responder.

31 maio 2007

Quote of the day - Kinks / Wonder boy

Wonder boy, and the world is joy, every single day,
Its the real McCoy, wonder boy.




Boa sorte, wonder boy, foi pena não teres tido tempo para mostrar mais habilidades por cá.
Qualquer dia há-de vir outro.

29 maio 2007

Eternal life

Foi-se há 10 anos, nas águas de um afluente do Mississipi. Merda.

27 maio 2007

O' happy days (3)

78 min. Ribeiro Cristóvão e Miguel Prates, que comentavam o jogo na RTP1, diziam que a água mole em pedra dura, tanto bate e às vezes não fura. Eu próprio começava a deixar de acreditar. E então houve magia, e vimos um golo tão fantástico que só podia ser um sonho:


80 min. Eu ainda gritava o golo anterior. Depois das comemorações, Madjer tem que ser assistido fora do campo. Quando se prepara para reentrar, Ribeiro Cristóvão diz que se calhar estará incapacitado para os minutos que faltam. Mal entra, o argelino faz só isto ao lateral direito do Bayern:



Passei a noite na rua e ao raiar do dia fui às Antas receber a equipa. Não é por acaso que o dia 27 de Maio de 1987 está desde o início presente no banner da C-70. Provavelmente nunca o futebol me dará outra alegria como esta. Obrigado, FCP.

O' happy days (2)

Passaram ontem 3 anos sobre a segunda maior alegria da minha vida de adepto da bola e do melhor clube do mundo. A coisa deu-se na Alemanha, mais exactamente num sítio chamado Gelsenkirchen. Desta vez não estava lá. Estava em casa de um amigo, acompanhado de amigos. Antes de fazer dois anos, o meu filho já era bicampeão nacional e tinha ganho duas taças europeias. Tunga!


26 maio 2007

Lila Downs@Guimarães

Como toda a gente sabe, a C-70 é sobretudo um espaço de pop-rock. Mas onde o multiculturalismo e a biodiversidade são acolhidos de braços abertos, e em que volta e meia se arranja espaço para a world-music. É claro a folk e todos os seus derivados não deixam de ser world-music, mas isso é uma conversa que nos dava para o dia todo e ainda quero ir ao ginásio antes do almoço. Adiante, portanto.
Serve tudo isto para exortar o nosso vasto auditório a comparecer em massa no Centro Cultural de Vila Flor, em Guimarães. É que hpje é noite de Lila Downs, e um concerto dela não se pode perder. Se for tão bom como o do ano passado na Casa da Música, acreditem que vale mesmo a pena a viagem e o bilhete. Para quem não conhece (e não me ocorrendo melhor termo de comparação), mete a Lhasa de Sela a um canto. Eeeeeeeeeeeeasilly....
Hasta lueguito.

23 maio 2007

Quote of the day - Cure / A forest

Suddenly I stop, but I know it's too late
I'm lost in a forest all alone
The girl was never there, it's always the same
I'm running towards nothing,
Again and again and again...
....

... and again, and again.




Não sei porquê, deu-me para isto, deve ser de ouvir muito o disco dos Legends. Muitos anos depois continua a ser uma canção e pêras.
Vejam a carinha do Beto Silva antes de deixar crescer a trunfa, e digam lá se o moço não tinha ar de electricista, ou servente de trolha, ou coisa que o valha.
E se quiserem ainda melhor, vejam aqui o clip de outra canção quase tão boa.

What goes on

Do caraças!, é o que se pode dizer dos singles novos dos Interpol (The Heinrich Manouver) e dos Editors (The smokers outside the hospital door) - este último em destaque aqui em baixo para deleite de V. Exas. Épicos e grandiosos. Estarão com certeza na lista C-70 das melhores canções do ano.
Ainda quanto a novidades, Icky Thump, o avanço para o novo dos White Stripes é uma grande desilusão. Parece escrito de improviso e gravado ao primeiro take, entre umas cervejas e dois discos dos AC/DC. Até pode ser que me habitue, mas para já parece-me banal e desinspirado. Outra desilusão é Bird Flu, o novo da nossa querida M.I.A. Muito longe dos gloriosos Galang ou Sunshowers.
Ainda não decidi se gosto ou não do single novo dos Chemical Brothers. Do it again soa demasiado a uma cópia de Sexyback (o do Justin), mas menos divertida. De qualquer forma, a versão radio edit é melhor do que a que têm aí linkada, que por demasiado longa perde o assunto a meio.
Recomenda-se vivamente a todos a audição, compra, gravação ou sacanço de Version, novo álbum de Mark Ronson. Como o nome indica, é um disco composto sobretudo por versões de canções que já conhecemos, aqui em versões lounge/big beat/ swing muito bem esgalhadas. Vai desde o antigo (Jam) ao recente (Kasabian, Zutons, Kaiser Chiefs, Maximo Park), passando pelos Radiohead e até pela Britney. Um dos pontos altos (a par das interpretações de Lily Allen e Amy Winehouse) é este Stop me, original dos Smiths aqui misturado com o clássico You keep me hanging on (já cantado por toda a gente das Supremes a Kim Wilde e passando por Lou Reed)
Só para terminar, referência a duas belas covers que andam por aí: os Killers (banda de que eu continuo a gostar muito, por muito que lhes chamem azeiteiros) gravaram Shadowplay, dos eternos Joy Division, para a BSO do biopic de Ian Curtis, recentemente apresentado em Cannes; e os Franz Ferdinand fizeram o mesmo a All my friends, novo single dos LCD soundsystem, mas aqui para sair como lado-B. Desta última não há cópia disponível, mas vai o original que é para ninguém se queixar.

E fiquem todos muito bem.

22 maio 2007

O' happy days (1)

Como estamos em semana de festa cigana, a C70 vai aproveitar para recordar alguns momentos de festa em finais de Maio de anos anteriores. E já foram alguns.
O que se recorda hoje deveria ter sido postado ontem, não me tivesse dado o sono. No dia 21 de Maio de 2003 estava um calor infernal em Sevilha. Todos se lembram de como foi: decidido a poucos minutos do fim do prolongamento por aquele a quem chamávamos o Ninja, por estes dias assobiado para os lados do galinheiro. Foi com toda a certeza o jogo mais sofrido a que assisti ao vivo. E bem sofri também para lá estar, um dia inteiro na fila, sem chapéu nem protector, e um escaldão que me deixou marcados na cara os óculos de sol, para gáudio de alguns.
Deixo aqui o momento picaresco da noite, a abrir a 2ª parte. E vejam como até aqui se mostrou a classe à parte do futebolista com mais troféus de todos os tempos.

21 maio 2007

Quote of the day - Grandaddy / Now it's on

Bust the lock off the front door
Once you're outside you won't want to hide anymore
Like the light on the front porch
Once it's on you're never wanna turn it off anymore
And now it's on,
NOW IT'S ON!



Este ano custou, mas finalmente está arrumado. O Filipe já é tetracampeão.

Alguns adeptos (não todos, naturalmente) de certo e determinado clube de bairro têm aqui uma pequena dedicatória, cortesia da C-70.
E não precisam de agradecer.

20 maio 2007

Vou ali ser campeão e já volto.

Fiquem bem.

14 maio 2007

This is the way, step inside


Qual é o mínimo denominador comum entre Velvet Underground, Bowie, Iggy Pop, A Certain Ratio, Sex Pistols, Cure, Buzzcocks, Teardrop Explodes, Echo & the Bunnymen, New Order, Swans, Interpol, Girls Against Boys, Editors, Legends, Jose Gonzales, Nouvelle Vague, Moby, Nine Inch Nails, Colder, Killers, X-Wife e
uma galinha?
No próximo dia 18 passam 27 anos sobre a morte de Ian Curtis. A C70 vai recordar um dos maiores poetas do rock, um dos maiores vultos da cena pós-punk e um dos maiores ícones pop. O vocalista de uma das bandas inglesas mais influentes de sempre, o co-autor de um dos maiores discos jamais feitos.
Na sexta-feira os Joy Division vão dominar o Radio Bar. Eles e todos aqueles que os influenciaram ou por eles se deixaram influenciar, que se apropriaram das suas canções ou que partilharam os mesmos palcos.
Só a galinha é que não vai estar lá. Ou vai?

12 maio 2007

"Estou sujo, roído dos piolhos...

...os porcos quando olham para mim vomitam!"


Ontem fui ver, ao esplendoroso Theatro Circo, a estreia de Maldoror pelos Mão Morta. E o que é Maldoror, pergunta o desatento leitor? Ora bem, também eu (que lá estive) gostaria de saber responder de forma cabal. Mas posso dizer, sem mentir, que é uma espécie de adaptação sem forma definida da obra (que eu nunca li) do Conde de Lautréamont, pseudónimo de Isidore Ducasse. Pelo que li e me apercebi, a abordagem dos MM centra-se na ideia nuclear do livro, não tentanto acompanhar qualquer tipo de narrativa. E qual é a ideia nuclear? O mal, a repulsa, a indignidade, a recusa de quaisquer resquícios de autoridade, valores, ordem ou moral. Perversões sexuais, pedofilia, piolhos, matadouros, excrementos, sangue. Tudo isto, e muito mais, vai sendo recitado pelo nosso caro Adolfo, enquanto os 5 restantes elementos da banda o vão acompanhando musicalmente num registo rock próximo do habitual, cada vez mais permeado pela electrónica (como é patente nos últimos dois álbuns da banda e nos projectos paralelos de ACL, em especial os Mécanosphere). O centro do palco é ocupado por uma estrutura sobre a qual está pousada a bateria, e cuja base é o suporte de projecções de vídeo, muitas vezes captadas em directo pelo próprio Adolfo ou pelo arco do contrabaixo de Joana Longobardi. Os figurinos tranformam os 6 músicos em seres de esgoto, com escamas, pelos e pinças.

Dirá o leitor atento: rock, encenação de textos literários, sangue, sexo, anarquia, sujidade... qual é a novidade? Já não fizeram uma coisa parecida com Müller no Hotel Hessicher Hof? Já não ouvimos tudo isso desde há vinte e tal anos, em canções como Véus caídos, Aum, Charles Manson, Anarquista Duval, Bófia, Chabala, Amesterdão, Cão da Morte, Anjos Marotos, etc. etc. etc? Claro que sim. O que só nos garante que com Maldoror os MM estão no seu ambiente natural. Mas isto é também, porventura, a maior reserva que o espectáculo pode merecer: não estarão a dar uma grande volta para continuar falar do mesmo, apenas com uma superior caução literária?


Naturalmente, nada como ir ver (o que cá no Porto, pelos vistos, so vai ser possível em 2008...) . Entretanto, podem espreitar aqui se quiserem ter um cheirinho do espectáculo. Ou ler aqui uma entrevista com o poeta/performer/músico/jurista a quem alguém uma vez, num debate e falando a sério, chamou Dr. Luxúria. Fica-lhe bem.

10 maio 2007

Especial Guilherme

A Grande Família C70 não pára, e hoje nasce a C07. Dentro de algumas horas, se tudo correr bem, vai nascer o Guilherme. O Guilherme é filho do João e da Isabel. O João é meu sobrinho. O Guilherme será o meu quarto sobrinho-neto.
Como diz a Polly Jean, c'mon, Billy. Salta cá para fora porque há muito para fazer nesta vida. Bem vindo!!


06 maio 2007

Mothers of the world, unite!

A Classe de 70 não deixa passar em claro o primeiro domingo de Maio, agradece às mães de todo o mundo e exorta-as a continuarem a ser quem são!

Que sejam como a mãe da Stacy,


não como a do Kyle.

05 maio 2007

Put your Wray Gunn to my head






+







=


Ray = Raio.
Gun = Arma.
Raygun = arma de raios; artefacto utilizado amiúde por alienígenas em filmes e séries de ficção científica posteriormente considerados/as "de culto".
Wray = Segundo nome do guitarrista Link Wray, percursor de múltiplas formas de utilização da guitarra eléctrica no rock (distorção, fuzz) a partir de meados dos anos 50. Morreu em finais de 2005.
Gunn = Segundo nome do personagem principal da série Peter Gunn, cujo tema-título (escrito por Henri Mancini) todos nós conhecemos e trauteamos de quando em vez, e que tem sido alvo de N versões. Talvez a mais conhecida seja a dos Art of Noise, com a colaboração do veterano Duane Eddy (e que além de tudo tem um belo clip). Também era um jogo para o ZX Spectrum, mas nunca cheguei a perceber como se jogava.
Wraygunn = Segunda melhor banda portuguesa da actualidade, que mistura surf-rock, soul, R'n'B, gospel e o que mais se lembrar num caldeirão irresistível. São liderados pelo grande Paulo Furtado, a.k.a. Legendary Tiger Man, a.k.a. "o chefe".
Tocam esta noite no Plano B, à Rua Cândido dos Reis, na Invicta, e trazem na mala o seu novo álbum, Shangri-la.
Programa imperdível, para depois do FCP-Nacional no Dragão e da francesinha no Degrau.

03 maio 2007

Quote of the day - Whipping Boy / When we were young

When we were young we had no fear
of love nor sex nor warnings
Everyone was hanging out, everyone was sorted
When we were young nobody knew
Who you were or what you'd do
Nobody had a past that catches up on you
Amanhã tenho um jantar de curso, o primeiro a que vou. Este ano faz quinze anos - QUINZE ANOS, CARAÇAS!!!!! - que acabei o curso e me vim embora de Coimbra. Nunca mais vi grande parte dos meus colegas de curso. Como estarão depois de 15 anos? Barrigudos e carecas, ou elegantes e charmosos aqui como moi?
Como diz o povo, os anos passam e a caravana ladra. Comemoremos a velhice com este grande single de um dos melhores discos da grande colheita de 1995.

30 abril 2007

Pai babado é....

... aquele que vai no carro e ouve o filho de (quase) 5 anos a trautear casualmente, lá detrás na sua cadeirinha,
HI, HO... LET'S GO!!!

29 abril 2007

A riot of my own... 30 years now


Em Abril de 1977 deu-se o grande salto em frente no punk britânico – que é como quem diz, europeu. É verdade que Never mind the bollocks, here’s the Sex Pistols, editado alguns meses depois, seria o manifesto final e definitivo da classe de 77, contribuindo para a causa com Anarchy in the UK, o hino desta geração (que por acaso até já tinha saído em single em finais de 76). Mas isso não altera o facto de os Clash terem sido a melhor e mais inovadora banda punk inglesa. Se não lhe quiserem chamar facto, chamem-lhe "opinião subjectiva fortemente fundamentada”. Pouco interessa.
The Clash, o álbum, foi gravado numa pressinha, ao longo de 3 ou 4 fins de semana. Como acontece com quase todos os discos que atingem um estatuto mítico, circulam inúmeras histórias sobre a sua gravação, como a que diz que quando a banda apareceu no estúdio com as roupas meticulosamente rasgadas e pintadas (sim, eles eram cool e ligavam muito às aparências) foram tomados por trolhas e enviados para uma sala que estava em obras. Ou a que conta que ao ver a Fender de Joe Strummer colada em várias partes com fita adesiva, um executivo se apressou a mandar vir uma guitarra novinha em folha, que o mesmo Strummer destruiu de imediato.
Mick Jones terá dito, a propósito das gravações, qualquer coisa como "I was so into speed I don't even recall making that album". Verdade ou exagero, o facto é que o sentido de urgência deste disco, de se ter algo a dizer muito alto e muito depressa, só podiam encontrar um paralelo razoável numa banda nova-iorquina, também com um conceito particular do cool, que também dizia rapidamente (por vezes demasiado rapidamente) o que tinha a dizer: os Ramones, claro. Mas ao contrário destes (e do punk nova-iorquino em geral, uma onda mais trendy e intelectualóide que se movia por galerias de arte e privava com poetas beat), os Clash (e o punk britânico em geral, vindo da rua, das filas do dole, dos bairros sociais e do fim dos restos de um império que percebia que tinha deixado de o ser) incluíram desde o início temas políticos (entendendo-se aqui expressão no sentido mais amplo) na sua agenda. O confronto (“clash”, em inglês) com a autoridade é o fio condutor destas canções, seja ela a polícia, os políticos incapazes de motivar as novas gerações, o papão americano ou os executivos das editoras. O importante era erguer o dedo médio a quem se atravessasse no caminho da revolução. Não é fácil fazer uma apreciação individual às 14 ou 15 canções deste disco. Por um lado, a sua qualidade não é um modelo de consistência, havendo alguns temas a roçar o banal no meio de verdadeiros e genuínos clássicos como (para citar temas não citados a outro propósito) White Riot, Janie Jones (de que os Babyshambles fizeram uma bela versão), Carreer opportunities ou What´s my name. Por outro lado, a edição americana retirou 4 temas da edição inglesa (mantendo, com uma admirável fleuma, a incendiária I’m so bored with the USA) e acrescentou 5 faixas entretanto editadas em EP's. Curiosamente, não estava prevista uma edição do disco nos USA, prevendo-se que a importação de cópias seria suficiente para satisfazer as encomendas; só quando as importações atingiram os 100.000 exemplares é que os executivos da CBS mudaram de ideias. É esta, aliás, a edição que eu tenho, e que normalmente se encontra por cá. E embora seja uma adulteração da edição original (sendo que, de qualquer forma, o punk sempre viveu mais de singles do que de álbuns) a qualidade das canções está longe de ficar a perder. Basta dizer que dessas cinco “novas” canções, três são a fantástica versão para I fought the law, outrora celebrizada pelo malogrado Bobby Fuller (canção que assentava que nem uma luva à imagem de cowboys justiceiros que os Clash queriam assumir, quais Jesse James em cruzada contra o imperialismo capitalista), a brutal Complete Control (manifesto contra as pretensões ditatoriais da editora, que supostamente concedia à banda total liberdade artística, mas que depois decidia quais os temas a editar, a incluir e a excluir) e (White man in) Hammersmith Palais, um dos temas mais carismáticos do reggae branco de que os Clash foram precursores. Aliás, já na versão inglesa do disco vinha incluída uma versão magnífica de Police and thieves, de Junior Murvin. Não nos esqueçamos que Londres – e em particular a zona de Notting Hill e Portobello, onde os membros da banda residiam – tem uma numerosa população caribenha, razão pela qual o punk e a new wave ingleses (contrariamente ao norte-americano) sempre andaram de mãos dadas com o reggae e o ska. Que o digam os Specials, os Madness, Joe Jackson, Elvis Costello, os Pretenders, os Bad Manners, os Police & etc, etc, etc....
E já chega de treta. Querem saber mais sobre este disco, ouçam-no. É fácil, é barato e dá um gozo do caraças. Ou então dêem uma espreitadela nos clips das canções que estão linkadas. É que já não se faz disto como antigamente.

19 abril 2007

All I know is that... there were rumours

Circula por aí um boato que eu quero acreditar que é mesmo verdade: parece que os Human League, provavelmente a banda de que eu gosto ininterruptamente há mais tempo, vêm ao Porto em Junho. Mas como não há bela sem senão, também consta que trazem na bagagem os lamentáveis Level 42.

Vamos aguardar. Entretanto fiquem com um cheirinho do que poderão ver e ouvir, e abram o vosso coração a estes senhores.

18 abril 2007

16 abril 2007

Play-doh rock'n roll

Adivinha: qual é a coisa, qual é ela, que é melhor do que uma banda de garage-rock
Resposta: uma banda de garage-rock só com gajas,
giras,
francesas,
com tipo 20 anos.

E depois dizem que Deus não existe.


Les Plasticines - Loser (clip)

12 abril 2007

Quote of the day - Los Planetas / Pesadilla en el parque de atracciones

Quiero que sepas que me he acostumbrado
a tus putas escenas de "ahora me largo"
Largate ya de verdad que seria una suerte
si no vuelvo a verte en los proximos años
Y quiero que sepas que espero que acabes colgando de un pino
cuando veas lo imbecil que has sido
cuando veas que lo has hecho fatal
Y que quiero que sepas que ha sido un infierno estando contigo
Que el infierno no es tanto castigo
Te pareces bastante a Satan




Nesta noita primaveril apetece recordar a melhor banda da Catalunha, e provavelmente de Espanha. E uma das suas melhores canções, que até podia ser dedicada a algumas pessoas que eu cá sei. Mas não é. Aqui na C70 não temos maus fígados.
Hoje esta canção faz-me pensar em melões. Seis milhões de melões no parque de atracções.

06 abril 2007

Quote of the day - Nick Cave and the bad seeds / Foi na cruz

Foi na cruz, foi na cruz que um dia
meus pecados castigados em Jesus,
foi na cruz que um dia, foi na cruz




Este é provavelmente um dos álbuns mais mal-amados do cavalheiro Nicholas Edward Cave. A passagem da violência gore do antigo testamento (referência recorrente em todos os álbuns desde a formação dos Bad Seeds, ou não fossem os blues a sua influência primordial) para a mensagem comparativamente insossa do novo não era exactamente o que as hordas de góticos, punks e afins estavam à espera. Para mais, com este álbum NC conseguiu fazer o crossover para outros públicos, e atingir números de vendas interessantes - afinal saíram daqui The weeping song e The ship song, provavelmente duas das suas canções mais conhecidas (e que francamente já não há pachorra para ouvir em concerto de cada vez que ele cá vem, como acontece com a grandiosa The mercy seat; o que é demais é moléstia, diz sabiamente o povo). E sair do nicho estritamente alternativo tem os seus custos em termos de credibilidade crítica.
Esta canção com o refrão cantado em português (na altura o rapaz morava em S. Paulo, e era casado com uma brazuca) contribuiu, com toda a certeza, para o crescimento do enorme culto que NC passou a ter em Portugal mais ou menos a partir desta altura, com Coliseus esgotadíssimos de cada vez que se digna visitar-nos. Não conheço bem a história, mas o refrão é roubado a uma melodia religiosa tradicional brasileira. Quem a conhecer e vir o filme Pixote não pode deixar de reparar numa cena em que a canção é cantada numa espécie de vigília. E que Cave conhecia bem o filme, disso não há dúvidas: o seu álbum anterior, o sobre-excelente Tender Prey, é dedicado ao actor principal (que entretanto já tinha sido morto pela polícia).
Seja como fôr, é uma bela canção para a sexta-feira de Páscoa. E a C-70, por ateia que se orgulhe de ser, gosta de trazer a canção certa para o dia certo.
(... e a brincar a brincar, qualquer dia é Pentecostes!)

30 março 2007

Peel slowly and see... 40 years now!

2007 é um ano de efemérides. Já vos falei dos 60 anos do grande Camaleão, mas há mais gente e, sobretudo, muitos discos que fazem aniversários redondos neste ano da graça de NSJC.
Algures em Março de 1967 (a maior parte das fontes fala do dia 12, algumas do dia 15) foi editado nos EUA um disco que 40 anos depois seria considerado por muita e muito boa gente como o melhor, mais importante e mais influente disco da história do Rock. O disco com uma das capas mais carismáticas jamais editadas, ainda que já sem a banana rosa por baixo do autocolante (parece que a edição de vinil japonesa ainda continua a ser assim; alguém vai ao Japão?). O tal disco do qual se diria (a frase é atribuída a Brian Eno) que "poucos foram os que o compraram, mas todos formaram uma banda". Lamento contrariar o autor, mas conheço pelo menos uma excepção. E até já comprei uns 4 ou 5 exemplares.
Abre com uma caixa de música e uma melodia simples como as de qualquer caixa de música. Uma nota de John Cale abre as portas à voz sussurrada de Lou Reed, que nos fala, como ele explica num disco ao vivo, de uma daquelas manhãs depois de uma noite em que tudo correu mal. Mas não faz mal, porque há sempre alguém que nos vai chamar.
Segue-se um número de perfeito e (aparentemente) convencional good old-fashioned rock'n roll. Piano, guitarra e bateria. Lou Reed conta-nos, com basta e incontestada experiência de causa, como é que se compra droga na baixa de NY. É preciso esperar pelo homem, que vem sempre atrasado. Mas faz-nos sentir muito bem, pelo menos até ao dia seguinte.
Entra Nico, o ícone, e fala-nos de si. Diz para termos cuidado, porque toda a gente sabe o que ele faz para agradar. Vindo de quem assim canta, nem por um segundo duvidamos. You're written in her book, indeed.
E se alguém tinha pedido um violino estridente, uma batida hipnótica e um poema sobre S/M, aqui vêm eles. A partir do livro de Sacher-Masoch, Reed fala-nos de submissão, botas de couro, cintos, chicotes, abandono. Taste the whip, in love not given lightly, taste the whip now bleed for me. Não é exactamente um modelo de subtileza.
Voltamos ao rock e às drogas, agora de forma menos ligeira. Alguém tenta fugir da morte e não vai conseguir. A Teenage Mary que vendeu a alma, a Margarita Pasion que estava a ressacar, a Seasick Sarah e o seu nariz dourado, o Beardless Harry que achava que não lhe aconteceria a ele. Todos fugiram, fugiram, fugiram, em vão.
Mais uma incursão na mundanidade, a lembrar que esta era a banda de Andy Warhol e da Factory, a banda de gente que fazia parte da beautiful people do underground novaiorquino. E que se ri de quem não é cool como eles. De quem não usa cabedais e óculos de sol blasé. De quem se preocupa com a roupa que vai vestir na próxima festa, mais do que com se divertir na festa, engatar uma miúda, ou um miúdo, ou uma miúda e um miúdo, arranjar drogas. De quem vai chorar para trás da porta. De qualquer anti-Cinderella.
O lado B abre com a canção mais forte do disco, e uma das mais marcantes (provavelmente A mais marcante) da carreira da banda. Que fala de drogas (surprise!), de todas as drogas, apesar de o título ser bastante preciso. Das drogas que nos fazem querer ter nascido há mil anos e sermos marinheiros, antes o escorbuto do que o cavalo, que nos faz sentir os filhos de Deus mas vai ser a nossa morte. When the heroin is in my blood, and that blood is in my head, then thank God that I'm as good as dead, then thank your God that I'm not aware, and thank God that I just don't care, and I guess I just don't know. Mai' nada.
Segue-se, estranhamente, canção mais light do disco. Pelo menos musicalmente, esta história da rapariga que está de joelhos e não chora nem pede licença, é a única peça verdadeiramente descontraída do alinhamento. Quem é ela? Uma prostituta ou uma mulher em quem o marido bate? Seja quem for, sabemos que vai voar como um passarinho, e isso já é qualquer coisa.
Da heroína ao amor é um pequeno salto. Afinal, é tudo uma questão de dependências. E sermos o espelho de alguém, reflectirmos o que ele/ela é, sermos o vento, a chuva e o por-do-sol, a luz da entrada que lhe mostra que chegou a casa, é uma dependência. Não como outra qualquer, mas uma dependência.
O disco termina com as duas faixas mais marcadamente experimentais, que prenunciam o caos que chegaria no ano seguinte com White light/White heat. Na primeira, o anjo da morte convida-nos a escolher entre tudo o que não vale a pena, para nos fazer ver que nada vale a pena e que a melhor escolha é partir. Choose to go. Na segunda, dedicada ao seu professor preferido (o poeta Delmore Schwartz), Reed faz uma (então) rara incursão na poesia mais social ou política (forma em que atingiria a quase perfeição mais de 20 anos depois, no colossal New York). O curto texto fala, muito vagamente, do desencanto com uma América conservadora e obcecada com o sucesso. Mas em que, de repente, nos podem levar o nosso belo carro azul e as paredes verdes, you'd better say so long, hey hey, bye bye bye... Uma América (já) sem as referências humanistas dos pais, aqui transformados em filhos pela soberba de quem descobriu que dinheiro e arsenal são poder.

Apesar da indicação da capa, é hoje mais do que sabido que Andy Warhol pouco ou nada teve a ver com a produção do disco. O trabalho foi fundamentalmente da própria banda, não sendo muito certo o verdadeiro papel que coube a Tom Wilson, creditado apenas com a produção de Sunday Morning. E muito do fascínio e do poder de atracção que este disco exerce sobre quem se cruzar com ele vem exactamente da sub-produção, que nos deixa perceber a qualidade das canções e a forma apaixonada de quem as toca e canta - ainda que nem sempre de forma tecnicamente irrepreensível. Por isso é que convenceu gerações a fio, em 40 anos, que também podem escrever, tocar e cantar canções de rock.
O maior disco de todos os tempos? É possível, ou mesmo provável. Sem este, o disco da minha vida não seria o mesmo, nem por sombras. Mas desse hei-de falar em Junho, quando fizer 35 anos.
Dois docinhos para terminar. Espero que gostem.




28 março 2007

Assobiar às suecas faz comichão nas cuecas (provérbio lapão)

Encerra-se aqui esta pequena homenagem da C70 às músicas com assobio. Muitas ficaram de fora: lembrou a sempre atenta Verde o inesquecível tema do Verão Azul, e o inefável Q o Big Sur dos Thrills. Poder-se-ia acrescentar à lista, para fugir a cenas mais azeiteiras, o Sissyneck do Sr. Hansen, o Lovely Head dos Goldfrapp, o incomparável Otis na doca da baía ou as Confessions dos Violent Femmes. E o tema do The good, the bad and the ugly, claro.
Para terminar em beleza, uma das graaaaaaaaaaandes canções de 2007. E quem não assobia é lampião, olé.


23 março 2007

O assobio e o apito já vêm do antigo Egipto (provérbio sumério)

Quem assobia não bate na tia (provérbio transmontano)

Desde há uns dias que ando a tentar lembrar-me de canções que tenham belos momentos assobiados. E ao contrário do que possa parecer, não são assim tantas como isso. A C-70 vai empenhar-se em trazer para a ribalta esta importante, muito embora descurada, faceta da pop. E nada melhor do que começar com um clássico, daqueles mesmo clássicos.
Tudo a assobiar com a Eliza.

20 março 2007

Quote of the day - Dinosaur Jr. / Feel the pain

I feel the pain of everyone
and then I feel nothing


Estou com uma &%#$ duma dor de dentes que nem vejo. Sem exagero, dói mais que os golos do Tello e o do Petit juntos.

16 março 2007

dois - anos - dois

Chiça... Esta chafarica já abriu há dois anos!

14 março 2007

A hora do slow

No fim de semana, e a propósito de uma escolha musical feita pela função shuffle do leitor MP3, eu e a menina Inês tivemos uma breve troca de impressões sobre os melhores slows dos anos 80. Ora isto levanta uma interessante questão, daquelas a que os juristas gostam de chamar prejudiciais: o que deve ser considerado slow para este efeito? É que não é tão fácil como parece… Detenhamo-nos por breves momentos e tentemos precisar o conceito.
Um slow, antes de tudo o mais, tem de ser uma canção de amor lamechas. Não basta ter um tempo lento, propiciando o arrastamento de pés; a temática deve também ser propícia ao arrastamento de mãos e ao esfreganço geral. Não passa pela cabeça de ninguém chamar slow a coisas como o Fade to grey ou o Tokyo song.
Depois, um slow tem que ser uma coisa simples, que entre bem no ouvido e que tenha uma mensagem clara, tipo “me tarzan, you jane”. Slows com muita poesia distraem do essencial; e com uma música complicada perturbam o piloto automático. Um slow tem que ser 100% pop, sem grandes pretensões artísticas. Sejamos claros: é um tipo de canção com uma função específica, e essa função não é fazer-nos pensar no sentido da vida.
Mais do que isso: tem que ser, no mínimo, ligeiramente azeiteiro. Coisas como o I know it's over, o Killing Moon ou o Are you ready to be heartbroken não servem, são demasiado boas. Mas há, evidentemente, casos de fronteira – por exemplo, o Souvenir deve ou não ser admitido a concurso? Inclino-me para o não, embora com dúvidas.
Finalmente, só é um slow a sério uma canção que toda a gente conheça. Nada de faixas escondidas ou de lados-B desconhecidos. Tem que ser como a pasta medicinal Couto e andar na boca de toda a gente. Tem que ser um single, e de sucesso. Daqueles que agora pode passar nos programas da noite da RFM ou no Rádio Clube Português.

Posto isto, aqui vai o top-10 que de momento me ocorre. E desde já aviso que vai ter muitas falhas, porque não estive a pensar nisto muito tempo.
E não se esqueçam: eu avisei que são cenas muito azeiteiras.

10 – Spandau Ballet / True
09 – Imagination / Body talk
08 – Berlin / Take my breath away
07 – Madonna /Crazy for you
06 – Bryan Ferry / Slave to love
05 – Cars / Drive
04 – Duran Duran / Save a prayer
03 – George Michael / Careless whispers
02 – Prince / Purple rain

E em número 1…


Um regalo para os ouvidos. E porque não dizê-lo, em algumas passagens também para a vista.

PS - E o prémio para o pior slow? A concorrência seria brutal, mas deixo cinco candidatos, todos eles infames ocupantes durante semanas a fio do nº 1 do Top Disco:

Jim Diamond / I should have known better
Century / Lover why
Scorpions / Still lovin’ you
Foreigner / I want to know what love is
Chris de Burgh / The lady in red

08 março 2007

Sim, Sr. Ministro

Gilberto Gil e Os Mutantes, com a Rita Lee lá pelo meio. Há 40 anos.
Com aquela pêra até parece um guarda-redes que deu um frango jeitoso num jogo da Liga dos Campeões desta semana. E feriu Zé, feriu Zé.

06 março 2007

Quote of the day - Nico / Chelsea girls

Here's Room 115, filled with S & M queens
Magic marker row, you wonder just high they go.
Here they come now
See them run now
Here they come now
Chelsea Girls

'Bora papá-las!

27 fevereiro 2007

25 fevereiro 2007

Quote of the day - Smiths / How soon is now?

There's a club, if you'd like to go,
you could meet somebody who really loves you
so you go, and you stand on your own,
and you leave on your own,
and you go home, and you cry and you want to die.
When you say it's gonna happen "now",
well, when exactly do you mean?
See I've already waited too long,
and all my hope is gone...

Provavelmente a Uncut deste mês tem razão, e esta é mesmo a melhor canção de entre as imensas canções perfeitas que os Smiths nos deixaram. E também, com certeza, a mais carregada de esperança.

21 fevereiro 2007

Quote of the day - Dead can Dance / The Carnival is over

Outside the circus gathering
Moved silently along the rainswept boulevard.
The procession moved on, the shouting is over,
the fabulous freaks are leaving town,
they are driven by a strange desire
Unseen by the human eye.
Someone's calling,
the carnival is over

Há um ano mencionei aqui a versão feita pelo Nick Cave de um tema dos Seekers com um título igual a este. Este ano é a vez dos DCD. Para além de ser belíssima, esta canção cita lirica e musicalmente, e à fartazana, um dos álbuns da minha vida.
A C70 deseja a todos uma boa Quaresma. Que de hoje a 90 dias cá estejamos a celebrar o Pentecostes.


17 fevereiro 2007

Classe de 70 e um

Eia, um ano!

(o aniversário da C70 também pode ser celebrado vendo este clip.)

09 fevereiro 2007

Caixa de Clips 010 - Talking Heads / Crosseyed and painless (1980)

Na minha adolescência, como em quase todas, a banda sonora teve um papel fundamental. Adolescente que se preze fica durante horas fechado no quarto a ouvir repetidamente os seus discos até os saber de cor, palavra por palavra e acorde por acorde.
Quando tinha 16-17 anos, uma das minhas bandas favoritas eram os Talking Heads. No mesmo patamar só estavam os Joy Division e os Echo (por estranho que agora isso me pareça, os Velvet e os Clash chegaram um bocadinho mais tarde). Tinha e tenho todos os discos deles, e ainda hoje não sei dizer qual é o meu favorito: o nervoso More songs about buildings and food, o inquietante Fear of music ou este Remain in light, que abriu à juventude branca o mundo de possibilidades oferecido pelos ritmos negros (um bocadinho como os Stone Roses voltariam a fazer quase 10 anos depois, nos avassaladores minutos finais do seu disco de estreia). Poucos jovens caucasianos se interessavam, à altura, por funk como aquele que os Heads nos ofereciam aqui, muito simplesmente porque continuava a ser uma música de ghetto que não chegava à TV e muito menos aos tops. O fenómeno breakdance ainda estava para rebentar, e alguns anos passariam antes que o Rap (na altura não se falava em hip-hop) desse o salto para o mainstream - falo evidentemente do momento em que Rick Rubin (que 10 anos mais tarde seria o grande obreiro da ressurreição de Johnny Cash) se lembrou de pôr Run-DMC a fazer um dueto com os Aerosmith nesse hino à iniciação sexual chamado Walk this way. Mas tergiverso. A ideia é falar dos Heads, e não de chapéus de côco, Adidas sem cordões e jovens a transbordar de testosterona "goin' down on a muffin'".
Remain in Light encerra a trilogia de álbuns dos Heads produzidos por Brian Eno, que já tinha sido um colaborador imediato de Bowie na sua própria trilogia de Berlin (Low, Heroes e Lodger). Sem que isso o faça necessariamente um disco melhor do que os anteriores, nota-se um amadurecimento enorme do som da banda. Ainda que no Lado B (quem tiver menos de 30 anos é favor consultar uma enciclopédia para saber o que é isso) haja menos ritmos dançáveis, e até a tentativa, confessada por David Byrne, de copiar o som dos Joy Division sem nunca os ter ouvido, mas apenas pelo que lia sobre eles na imprensa (The overload, a faixa que encerra o disco), percebe-se pela primeira vez que os Heads tinham encontrado um som e que o queriam explorar até ao limite. É claro, desde os primeiros segundos de Born under punches, que estamos perante uma banda fascinada pelo ritmo, pelos diálogos frenéticos entre a guitarra-ritmo e a percussão, por coros que nos fazem lembrar canções tribais, pelo uso delirante das palavras, que muitas vezes têm um valor claramente mais fonético do que semântico - apesar da reputação de Byrne como um dos letristas mais brilhantes da cena new-wave.
Duas das faixas mais imediatas do disco proporcionaram dois clips invulgarmente originais para os padrões da altura: o brilhante, marcante e inesquecível Once in a lifetime (que podem ver em link), e este Crosseyed and painless, que resolvi destacar por ser menos conhecido e por nos recordar de onde vinha a música que estes quatro nerds intelectualóides brancos tocavam. Ambos têm a mãozinha de Toni Basil (de quem já falei aqui), como coreógrafa e co-realizadora. E são um regalo para a vista e para os ouvidos.
Enjoy!

Quote of the day - Cornershop (feat. Paula Frazer) / Good to be on the road back home

Leave Chattanooga, walk in to New York City,
Aeroplane down to Nippon ground, meet some friends in Tokio town,
Across to West Maluva, showboat to West Malay,
Leave my foes to their woes, sometimes “that’s how it goes”
It’s good to be on the road back home again.
A coisa não foi assim tao exótica, mas soube muito bem ir arejar uns dias. Para além de respirar outros ares e ver outras coisas, deu para comprar alguma literatura e caçar uns belos 7'' em lojas de segunda mão. Só foi pena não ter apanhado as feiras de sábado, mas pronto...
Só era escusado chegar cá um ano mais velho.

03 fevereiro 2007

Até para a semana

e portem-se bem na minha ausência.

31 janeiro 2007

Howe Gelb @ Theatro Circo

Braga rula. Hoje há outra vez Circo, novamente às 21.30 e com bilhetes a preços populares.
Há coisa de ano e meio vi os Giant Sand na Casa da Música. Foi o melhor concerto que vi nesse ano, e dos melhores dos últimos tempos. Até comprei a T-shirt.
Além de ser praticamente tudo nos Giant Sand, Howe Gelb é talvez o músico mais importante no aparecimento da onda americana, ou alt-country, ou como prefiram chamar-lhe. Como não podia deixar de ser, lá vou eu.

30 janeiro 2007

Quote of the day - Beck / Devil's haircut

Somethings wrong 'cause my mind is fading
Ghetto-blasting disintegrating
Rock 'n' roll, know what I'm saying
And everywhere I look there's a devil waiting
Got a devil's haircut in my mind



Fui cortar o cabelo e lembrei-me do Sr. Hansen e de um dos melhores discos de 1997.
E aproveito para fazer uma pequena sondagem C-70: qual o melhor disco do Beck? Eu voto neste Odelay, ainda que muito hesitantemente.

Quem assim canta a TV espanta

A primeira aparição na TV de uma das melhores bandas dos últimos 20 anos. Pronto, de uma das minhas bandas preferidas dos últimos 20 anos. Não se pode dizer que tenha corrido muito bem.
O Grande Macaco mostrou desde cedo porque é que, muitos anos depois, as suas performances vocais ao vivo seriam objecto de lendas. Diz quem viu (eu não vi) que em Vilar de Mouros/96 o homem cantou que se fartou.

27 janeiro 2007

É só para lembrar...

...que hoje há festa.
Eu e o advogado do diabo vamos estar no Radio a animar a malta com uma fina selecção de clássicos dançáveis, das melhores castas de entre 1954 e 2007. Soul, punk, rock e pop, girl-groups e boys-bands, alfinetes de ama e gravatas ska, de Brixton à Rua do Carmo passando por Echo Beach, meninos negros que se transformam em senhoras brancas e rapazes brancos que cantam como se fossem senhoras negras.
Só não se diverte quem não quer.

25 janeiro 2007

Micah P. Hinson@Theatro Circo

É hoje, às 9.30.
O tipo com cara de miúdo e voz de crooner leva o country-noir a Braga.
Eu bou ber.

21 janeiro 2007

Discos Perdidos 06 / Jonathan Richman - I, Jonathan (1992, Rounder)

Jonathan Richman é o que todos gostaríamos de ser: simpático, de bem com a vida, divertido, descontraído, inteligente, bom compositor, descomplexado, cool. Ou pelo menos um tipo de quem gostaríamos de ser amigos, que gostaríamos de convidar para jantar, com quem gostaríamos de ir beber um copo ou ver um concerto e conversar sobre coisas que interessem pouco ao destino do mundo. É um tipo porreiro. Ou pelo menos é o que parece. Basta olhar para a foto da capa.
Depois de ter sido a alma dos Modern Lovers, uma das melhores e mais influentes bandas da primeira vaga do proto-punk nova-iorquino, JR iniciou uma carreira a solo que tem tanto de diversificada como de errática. Do garage-pop para o country, dos ritmos mais latinos à balada amorosa, o homem fez de tudo. Normalmente bem, mas (como toda a gente) algumas vezes melhor do que outras. Até deu uma perninha no cinema: pouxem lá pela cabeça e vejam se não se lembram do bardo do "Doidos por Mary", que ia apresentando a história? É ele mesmo.
I, Jonathan foi lançado em 1992, o momento do crossover entre o alternativo e o comercial com a bomba Smells like teen spirit e a explosão do grunge, a que se seguiria pouco depois a do britpop. Correntes associadas a bandas que passavam por alternativas, mas que vendiam que nem pão-de-ló, e que normalmente escreviam sobre temas caros aos adolescentes: neuroses, desemprego, depressões, males de amor, complexos de adolescentes, I'm so ugly, She's so high, I'm your Zero e patatipatata. Nessa altura, Jonathan Richman fez o que tinha a fazer: continuou o seu caminho sem se importar com o último grito da moda. Apareceu com um disco num registo completamente lo-fi, mas sem quaisquer pretesões arty, que parece gravado na cave de algum amigo, com canções simples sobre coisas simples. O disco abre com uma linha de baixo que traz imediatamente à memória o Summer Nights cantado muitos anos antes por Olivia e Travolta, e nessa canção faz-se imediatamente o manifesto de intenções: “Hi everybody! I'm from the 60's, the time of Louie Louie and Little Latin Lupe Lu. And I know we can't have those times back again, but we can have parties like there were then. We need more parties in the USA!” Afinal, não é isso que interessa?
O disco desfia continuamente pequenas pérolas, entre homenagens à maior de todas as bandas (“How in the world were they makin’ tht sound?... Velvet Underground!”), apelos à paz no mundo e no lar (“You can't talk to the dude and that's no longer in style, you can't talk to the dude, no this no es normal.") e memórias da juventude (“Oh, the ancient world was in my reach from my Rooming house on Venice Beach”). Mas há dois momentos claramente superiores. O primeiro, que podem ver aqui em baixo numa versão ao vivo, é a genial I was dancing in a lesbian bar, uma das canções mais uplifting dos anos 90. O segundo é talvez a melhor canção que este senhor jé escreveu (e a concorrência é forte), e chama-se That summer feeling. Nem sequer vou tentar descrevê-la, porque é demasiado perfeita. Ouçam-na, se quiserem. Esta manhã estava a ouvir este álbum e apareceu lá por casa um amigo que tem a sorte de ter o maxi-single dessa maravilha. E disse que esse vinil, o último que teve depois de centenas de vinis comprados, emprestados e gamados no Corte Inglês (de Vigo) entre os 10 e os 25 anos veio fazer a síntese final de todos os outros. Belas palavras... but I guess that’s why they call him an artist!
Mas chega de tretas sobre este Peter Pan do Rock'n roll. Descubram-no e entrem na sua Neverland.
PS - A ideia de fazer este post veio de dois posts em blogs amigos. O primeiro foi este, no recente (e muito promissor) April Skies. O segundo foi este, em que (apesar de a discussão que se seguiu ter descambado para outras coisas) o Sr. Capitão falava de bandas de que toda a gente gosta. Depois de ouvirem este disco, vão perceber que é impossível não gostar dele.

16 janeiro 2007

classe_de_70@radio_bar

Desta vez é ao sábado. E não vou estar sozinho.

12 janeiro 2007

Quote of the day - Triffids / Bury me deep in love (1987)

You may lose me on the east face
You may lose me on the west
I may be covered over in the night
Bury me deep in your love, yes!
Bury me deep in love, bury me deep in love
Take me in, hide me under your skin, bury me deep in love



.. porque a pop perfeita existe, mesmo vinda lá do outro lado do mundo.

10 janeiro 2007

Fun, fun, fun

Os Ok Go não são nada de especial. São uma banda de punk-pop de Chicago com meia dúzia de canções engraçadas, mas que me quer bem parecer que não mudarão a história da música popular. Nem nada que se pareça. Mas podem-se gabar de dois dos clips mais divertidos dos últimos anos. Não é tudo, mas podia ser pior.
Aqui em baixo podem ver o fantástico Here it goes again. E em achando graça, aproveitem a borla e vejam aqui o A million ways.

Se quiserem mais risota, vão à página da banda e vejam o Ping pong instructional video. Vale a pena.

08 janeiro 2007

Just a mortal with potential of a Superman

É lixado. Por muito que tente, e depois de vinte e tal anos às voltas com os dicos do homem, não consigo dizer que haja uma música preferida do meu cantor/compositor/artista preferido. Dos Velvet sou capaz de dizer que é o What goes on, como dos Joy Division é o New dawn fades. Dos Clash o Guns of Brixton, e dos Pixies o Gigantic, dos Sonic Youth o Mote, dos Pavement o We dance ou dos Stone Roses o Made of Stone. Do Bowie não consigo. Há muitas.
Em tempos foi o Rock'n roll suicide, noutros o Starman, noutros o Heroes, noutros o Life on Mars. E há mais candidatas: Space Oddity? Cygnet Committee? Quicksand? Queenbitch? Five Years? Lady Stardust? Time? Rebel Rebel? Young americans? Scary monsters? Sons of the silent age? Beauty and the beast? Look back in anger? Always crashing in the same car?
Por uma questão de saturação, já não consigo sentir o mesmo que há 20 anos quando ouço coisas como o Heroes. Por muito boas que sejam, um gajo cansa-se. Daí que não esteja nenhum greatest hit na minha lista de 6 favoritas - escolher seis foi o melhor que consegui. Por razões mais ou menos subjectivas, as que mais me fazem cantar, dançar, rir ou chorar são, por ordem cronológica (e com link para os clips, quando disponíveis):
Bewlay Brothers (Hunky Dory, 1971). Ninguém percebe exactamente de que é que ele fala, mas pouco interessa. De memórias de infância, do seu irmão Terry, da cumplicidade entre crianças e amigos, de fisgas e de piratas. Sempre que a ouço tenho saudades da casa da minha avó em Entre-os-Rios, onde passei muitos fins de semana e férias até aos meus 10 anos. De andar pelo monte e de esfolar os joelhos. I might just slip away.
Moonage Daydream (Ziggy Stardust, 1972). Talvez uma escolha bizarra para um top 6, mas é uma das poucas canções que ouço desde os 14 anos exactamente com o mesmo gozo. A quintessência do glam-rock, muitas vezes citada mas nunca igualada. Don't fake it, babe, lay the real thing on me!
Sweet Thing + Candidate + Sweet Thing (reprise) (Diamond Dogs, 1974). Tecnicamente 3 canções mas de facto uma só. Uma história de amor assombrado e impossível, de dependência extrema (guess why...), com o homem a cantar como nunca mais cantou. Por muitas drogas que andasse a tomar, parece gravado por um extraterrestre. Arrepia. Demais, demais, demais!
(Trivia: foi daqui a primeira "quote of the day" da C-70.)
Station to station (Station to station, 1976). Se não me engano, a canção mais longa da longa carreira do senhor, e mais uma com um significado obscuro. Começa com uma locomotiva a arrancar, reminiscência dos tempos em que por uma paranóia induzida por um sonho o homem se recusava a andar de avião. Tem lá dentro 3 canções diferentes, à la Bohemian Rhapsody, e um dos versos mais geniais do rock'n roll: it's not the side effects of the cocaine, I'm thinking that it must be love. Woooooooaaaah!
Be my wife (Low, 1977). Já disse aqui o que penso desta canção. Mais para quê?
Teenage wildlife (Scary Monsters, 1980). Quando criei este blogue estive para lhe chamar "(I'm not a piece of) teenage wildlife", mas depois achei demasiado comprido. Seja como for, esta é em absoluto uma das minhas canções preferidas , um épico em cinemascope sobre a fama e a fortuna, que deve muito à guitarra milagrosa de Robert Fripp.
Encerram-se oficialmente as comemorações do 8 de Janeiro com o vídeo de um dos momentos mais peculiares da história do rock: a 3 de Julho de 1973, no final do último concerto da digressão e sem avisar o resto da banda, anuncia em directo que Ziggy Stardust morreu: "that's the last show that we'll ever do". A seguir tocou Rock'n roll suicide. Como se diz no final do The Maltese Falcon (frase que os Human League viriam a copiar algumas décadas depois), "that's the stuff that dreams are made of".
E mais não digo. Parabéns, que sejam muitos e bons. Ele merece.

A criação do mundo

Diz que foi assim que tudo começou.

Muito obrigado, por tudo.

The Kings were born

8 de Janeiro de 1935: nasce em Tupelo, Mississippi, Elvis Aron Presley. Se não tivesse morrido em 1977, completaria hoje 72 anos. É o Rei.
8 de Janeiro de 1947: nasce em Brixton, sul de Londres, David Robert Jones, que a partir de 1966 passaria a ser conhecido como David Bowie. Faz hoje 60 anos. Também é o Rei.
A C-70 inicia a sua singela homenagem aos Reis recordando duas grandes canções de duas das suas bandas preferidas que homenageiam os locais que os viram nascer.

Nick Cave, "Tupelo" (Live 1994)

The Clash, "Guns of Brixton" (live)

06 janeiro 2007

Pela amostra...

...parece que 2007 vai ser um ano como deve ser.

Já anda por aí há algum tempo o futuro Bloc Party, chamado A weekend in the city. Ainda não o ouvi com a atenção que merece o sucessor desse colosso chamado Silent Alarm, mas tenho gostado bastante do que tenho ouvido - ao contrário da maioria das críticas, quase unânimes no bota-abaixo. Parece-me que vai ganhando com cada nova audição e à medida que vamos conhecendo as canções, tal como acontecia com o seu antecessor, longe de ser um disco imediato (embora hoje me pergunte como é que não me entrou logo). Se é um sucessor digno ou não, logo se verá.

Mais recentemente, apareceu no ar o futuro LCD Soundsystem, que pelos vistos se chamará Sound of Silver. E bem se podia chamar Sound of Platinium, porque está potentíssimo. Não quero ser precipitado, mas parece-me melhor do que o anterior, e desde já um forte candidato ao caneco de 2007. Não por acaso, uma influente figura do rock tuga dizia no Fórum Sons que este era o melhor disco de... 2006. Entre piadas a quem pensa que eles são ingleses e declarações de amor a NY, o rapaz James lá vai arrancando umas pestanas, e a gente vai batendo o pé.

Neste preciso momento estou a ouvir o disco de estreia dos Grinderman, de que já tinha falado há uns meses. Estas coisas precisam sempre de algum tempo para amadurecer, mas há uns anos que a primeira audição de um disco deste homem não me soava tão bem. E isso é muito reconfortante. Não há propriamente uma mudança de estilo em relação ao que fazia com os Bad Seeds, nem um regresso radical à atitude blues hardcore do início de carreira, mas parece ter bem mais "guts" do que as últimas coisas feitas pelo cavalheiro Nicholas Edward Cave. And that's the way we like him.

Mas há mais. Está para breve o álbum dos The good, the bad and the queen (pergunto-me quem será quem), o novo devaneio de Damon Albarn, agora com o baixista mais cool da história do rock (sim, o que aparece a partir o instrumento - salvo seja - na capa do London Calling) e Tony Allen, o baterista de Fela Kuti que se diz ter sido o inventor do afrobeat. É um dos discos mais antecipados dos últimos anos, o que normalmente não joga muito a favor da recepção que acaba por ter (aposto que vai ter 5 estrelas na Uncut, vai ser apregoada como o disco salvador do Sec. XXI, e depois ninguém se vai lembrar dele nas listas de fim de ano). Por mim, espero que seja melhor do que prometem os dois singles de estreia, que ainda não me convenceram. Cheira-me a muito hype e pouca uva. Também estão para chegar (literalmente a chegar, if you know what I mean) os novos dos Air e da simpática Carla Bruni. Em teoria, pelo menos, parecem ser boas notícias. Let's wait and see.

Bom dia de Reis para todos.

03 janeiro 2007

Put your raygun to my head

Um moço a quem, assim como assim e apesar de tudo, acho que posso chamar meu amigo, deu-me neste Natal uma prenda verdadeiramente fora de série.
Red Rocket 7 é um comic que conta a história de um grupo de clones de um extraterrestre fugido do planeta Celeston, que vêm parar à Terra fugindo dos malvados e imortais Enfenites. Um desses clones, o n.º 7, descobre por cá uma grande sensibilidade acústica e musical, e acompanha toda a história do rock. Começa por apanhar uma boleia do Little Richard, torna-se músico de sessão do Elvis, fica amigo dos Beatles ainda nos tempos de Hamburgo, é a verdadeira causa da morte do Brian Jones na piscina, e no ponto em que estou (a meio do 4º fascículo, sendo sete no total) acaba de se tornar grande amigo do Mick Ronson, guitarrista dos Spiders from Mars.
Ziggy Stardust meets Flash Gordon meets The great Rock'n roll Encyclopedia meets Onde está o Wally. Do Elvis aos Pixies, do Iggy aos Minor Threat, dos Led Zeppelin à Courtney Love, estão lá todos. Check it out, aqui em baixo. O nosso herói é o que toca guitarra, mas ao contrário do outro (o quarto à sua esquerda), he plays it right hand.
É FA-BU-LO-SO!


Obrigado, pequenino. Sete estrelas!

02 janeiro 2007

Prémios da Grande Gala C-70

Feita a escolha do disco do ano e passadas que estão as festas, é altura de a C70 dar a conhecer os outros eleitos de 2006. Todos estarão presentes na Grande Gala C-70, que terá lugar no campo do Padroense Futebol Clube (ou, em alternativa, no parque de estacionamento do LIDL do Seixo), em data a anunciar.
Chega de suspense, vamos conhecer os laureados:

Álbuns nacionais

1 - X-Wife / Side effects
2 - Linda Martini / Olhos de Mongol
3 - Legendary Tiger Man / Masquerade
4 - Dead Combo / Quando a alma não é pequena
5 - Balla / A grande mentira

25 malhas de 2006, sem ordem exacta

Primal Scream / Country girl
Camera Obscura / Lloyd, I'm ready to be heartbroken
Scissor Sisters / I don't feel like dancing
Pipettes / Pull shapes
X-Wife / Ping-pong
CSS / Let's make lofe and listen to death from above
Gnarls Barkley / Crazy
Basement Jaxx / Take me back to your house
Rapture / The devil
Killers / Read my mind
Femme Fatale / Berlin
Balla / Outro futuro
Elefant / Lolita
Sonic Youth / Incinerate
Lemonheads / Rule of three
Eagles of Death metal / Cherry Cola
Lily Allen / Smile
Wolfmother / Woman
Yeah yeah Yeahs / Cheated Hearts
Spinto Band / Oh Mandy
Peter, Bjorn & John / Young folks
Raconteurs / Steady, as she goes
Kasabian / Shoot the runner
Cat people / Mexican Life
She Wants Revenge / Tear you apart

Prémios especiais da Grande Gala C-70

Prémio "nos juniores era muito bom" - Adam Green
Prémio "esperaba un poquito más de ti" - Strokes
Prémio "quero lá saber que seja azeiteiro ou que o Mike Patton não goste" - Wolfmother
Prémio "para quem faz versões de Lionel Ritchie, tens a mania que és esperto" - Mike Patton
Prémio "levados ao colo" - TV on the Radio
Prémio "e ainda por cima canta!" - Lily Allen
Prémio "o que é que eu não percebi?" - Celebration & Final Fantasy, ex-aequo
Prémio "não batam mais no ceguinho" - She Wants Revenge & Killers, ex-aequo
Prémio "tanta bala perdida" - My Chemical Romance & Luís Filipe Vieira, ex-aequo
Prémio "OK, a gente explica outra vez como se faz" - Lemonheads & F.C.Porto, ex-aequo

31 dezembro 2006

Um 2007 DO C****** para todos!!!!!

A C70 deseja a todos os amigos, colegas, visitantes, clientes e fornecedores que 2007 lhes seja incomparavelmente mais agradável do que foi 2006. Fiquem bem, todos!

28 dezembro 2006

And the winner for best 2006 album is...

O meu álbum do ano, num ano em que nenhum álbum se destacou extraordinariamente do resto da maralha, é...

Seguem mais 25 álbuns de que gostei bastante, ou mesmo muito. A maioria deles é mais ou menos consensual embora alguns, para meu grande espanto, estejam ausentes das listas que tenho visto. Não estao propriamente por ordem nem a salvo de um qualquer esquecimento embaraçoso, e ficam sujeitos a futuras reapreciações. Naturalmente que se voltar a fazer a lista amanhã não sairão exactamente os mesmos, mas aí é que está a piada destas merdas, certo?

Esta lista tem só álbuns internacionais. Um dia destes será postada a dos nacionais, necessariamente mais curta.

E claro está, houve com toda a certeza muita coisa boa que ainda não me passou pelas (aliás grandes) orelhas, incluindo coisas que têm sido gabadas por gente de bom senso e bom gosto. Em 2007 haverá tempo.

Fico à espera das vossas listas. Homem que é Homem (com agá grande, de forma a incluir as mulheres) faz a sua lista de fim de ano.

PS - os mais atentos perguntam-se: ó colega, então e o Tom Waits? Eu respondo: uma colectânea não pode entrar nesta corrida, nos termos das regras da IFBAYL (International Federation of Best Album of the Year Lists).

19 dezembro 2006

C70@ Radio, 5ª feira - 21/12

CAN I GET AN HALLELLUJAH?
CAN I GET AN AMEN?

18 dezembro 2006

Ho Ho Ho!, Santa Joe has arrived!

Tal como prometido, este vosso amigo preparou uma prenda para oferecer ao vasto auditório da C-70. Trata-se da compilação indie de Natal para acabar com todas as compilações indie de Natal. Uma mistura fina de nomes clássicos e menos clássicos, de belas e melodiosas Christmas Carols com coisas menos ortodoxas, laboriosamente sacada de compilações várias e de EP's que algumas bandas editam por estas alturas (a imagem ali abaixo é a capa de um deles). Os 23 presentes incluem White Stripes, Grandaddy, Sonic Youth, Yo la Tengo, Long Blondes, Flaming Lips, Dandy Warhols, ansoyon ansoyon.
Sucede (ou como também se diz, "chuchede") que o vosso Joe não domina muito bem as técnicas de partilha de ficheiros grandes através de cenas tipo YouSendIt. Vai daí, a solução que encontrou foi meter a pasta em partilha no eMule. É um ficheiro com 92MB chamado "Baby Jesus, born to rock!", frase gamada à canção dos Eels que também lá está. Os interessados que se sirvam.
E é tudo por ora. Have yourselves a merry little Xmas.

15 dezembro 2006

Seasons' greetings 02

- I could have been someone
- Well, so could anyone... You took my dreams from me when I first found you.
- I kept them with me, babe, I kept them with my own. Can't make it all alone, I built my dreams around you!

Nunca ouço este bocadinho desta canção sem quase verter uma lágrima. Sem grande contestação nem sequer grande concorrência, é melhor canção de Natal escrita nos últimos 30 anos.
Shane MacGowan, o maior poeta desdentado do punk-folk.


12 dezembro 2006

O vento é ruim e os casamentos foleiros, mas a música é do caraças

Não desfazendo da boa produção nacional, a C-70 alerta o seu auditório para um facto: dois dos melhores discos de 2006, cantados em inglês e tudo, vêm da terra dos caramelos e do torrão. Para quem não está cansado de post-punk, recomendamos...








Cat People - Reel #1












Femme Fatale - Femme Fatale

10 dezembro 2006

Seasons' greetings 01

A C70 não fica indiferente ao espírito da época. E enquanto não oferece aos seus amigos a compilação especial Natal que está na forja, vai partilhando alguns belos momentos de que se lembra.
O de hoje é provavelmente um dos mais bizarros. Em 1977, enquanto atravessava uma das piores fases da sua vida e navegava entre as mais variadas drogas duras, o noisso groovy guru arranjou tempo para se juntar a Bing Crosby (oh oh oh!!) e participar neste seu programa de Natal. Pretty thing, innit?
Oferece-se uma rabanada a quem conseguir ver tudo sem rir.


08 dezembro 2006

Who put the 'S' in Soul?

Provavelmente o mais soulful de todos os cantores soul. Vejam esta performance e tentem encontrar um adjectivo menos forte do que "brutal" ou "esmagador". O que teria sido a carreira deste homem se não tivesse morrido com 26 anos?

Otis was the man!

06 dezembro 2006

Westlife rulam

Nunca uma boys band me foi tão simpática como os Westlife (de quem não sei identificar uma única música) passaram a ser desde há 5 minutos. Ora vejam lá a notícia retirada do site da Mojo:

"In terms of record sales, the last seven days have marked one of the most competitive periods of the year with the likes of The Beatles Love, Oasis’s ‘Best Of…’ Stop The Clocks and U2’s 18 Singles battling it out for the top slot in the UK albums chart. All three, however, have failed to stop pop act Westlife from triumphing, the Irish boy band out-selling all three legendary rock acts and securing the Number One slot. Westlife’s collection of covers, The Love Album, sold 219,000 copies, with Oasis reported to have shifted 215,000 units. The Beatles’s controversial remix Love outing sold 173,000 copies while U2’s low key singles collection sold approximately 102,000 copies."

Pois é, parece que para voltarem a ser n.º 1 os manos Gallagher vão ter que arrranjar escândalos novos, o Bono vai ter que arranjar outras causas sociais que faz de conta que ajuda e que lhe proporcionam momentos íntimos com o Bush e mesmo com o próprio Cherne, e o McCartney lá vai ter que levar um tiro. Ó Paul, se precisares de uma contribuiçãozinha para comprar a bala, sabes que podes contar com este teu amigo.

04 dezembro 2006

Just like in the movies

Quem disse que os actores não sabem cantar?