06 abril 2007

Quote of the day - Nick Cave and the bad seeds / Foi na cruz

Foi na cruz, foi na cruz que um dia
meus pecados castigados em Jesus,
foi na cruz que um dia, foi na cruz




Este é provavelmente um dos álbuns mais mal-amados do cavalheiro Nicholas Edward Cave. A passagem da violência gore do antigo testamento (referência recorrente em todos os álbuns desde a formação dos Bad Seeds, ou não fossem os blues a sua influência primordial) para a mensagem comparativamente insossa do novo não era exactamente o que as hordas de góticos, punks e afins estavam à espera. Para mais, com este álbum NC conseguiu fazer o crossover para outros públicos, e atingir números de vendas interessantes - afinal saíram daqui The weeping song e The ship song, provavelmente duas das suas canções mais conhecidas (e que francamente já não há pachorra para ouvir em concerto de cada vez que ele cá vem, como acontece com a grandiosa The mercy seat; o que é demais é moléstia, diz sabiamente o povo). E sair do nicho estritamente alternativo tem os seus custos em termos de credibilidade crítica.
Esta canção com o refrão cantado em português (na altura o rapaz morava em S. Paulo, e era casado com uma brazuca) contribuiu, com toda a certeza, para o crescimento do enorme culto que NC passou a ter em Portugal mais ou menos a partir desta altura, com Coliseus esgotadíssimos de cada vez que se digna visitar-nos. Não conheço bem a história, mas o refrão é roubado a uma melodia religiosa tradicional brasileira. Quem a conhecer e vir o filme Pixote não pode deixar de reparar numa cena em que a canção é cantada numa espécie de vigília. E que Cave conhecia bem o filme, disso não há dúvidas: o seu álbum anterior, o sobre-excelente Tender Prey, é dedicado ao actor principal (que entretanto já tinha sido morto pela polícia).
Seja como fôr, é uma bela canção para a sexta-feira de Páscoa. E a C-70, por ateia que se orgulhe de ser, gosta de trazer a canção certa para o dia certo.
(... e a brincar a brincar, qualquer dia é Pentecostes!)

30 março 2007

Peel slowly and see... 40 years now!

2007 é um ano de efemérides. Já vos falei dos 60 anos do grande Camaleão, mas há mais gente e, sobretudo, muitos discos que fazem aniversários redondos neste ano da graça de NSJC.
Algures em Março de 1967 (a maior parte das fontes fala do dia 12, algumas do dia 15) foi editado nos EUA um disco que 40 anos depois seria considerado por muita e muito boa gente como o melhor, mais importante e mais influente disco da história do Rock. O disco com uma das capas mais carismáticas jamais editadas, ainda que já sem a banana rosa por baixo do autocolante (parece que a edição de vinil japonesa ainda continua a ser assim; alguém vai ao Japão?). O tal disco do qual se diria (a frase é atribuída a Brian Eno) que "poucos foram os que o compraram, mas todos formaram uma banda". Lamento contrariar o autor, mas conheço pelo menos uma excepção. E até já comprei uns 4 ou 5 exemplares.
Abre com uma caixa de música e uma melodia simples como as de qualquer caixa de música. Uma nota de John Cale abre as portas à voz sussurrada de Lou Reed, que nos fala, como ele explica num disco ao vivo, de uma daquelas manhãs depois de uma noite em que tudo correu mal. Mas não faz mal, porque há sempre alguém que nos vai chamar.
Segue-se um número de perfeito e (aparentemente) convencional good old-fashioned rock'n roll. Piano, guitarra e bateria. Lou Reed conta-nos, com basta e incontestada experiência de causa, como é que se compra droga na baixa de NY. É preciso esperar pelo homem, que vem sempre atrasado. Mas faz-nos sentir muito bem, pelo menos até ao dia seguinte.
Entra Nico, o ícone, e fala-nos de si. Diz para termos cuidado, porque toda a gente sabe o que ele faz para agradar. Vindo de quem assim canta, nem por um segundo duvidamos. You're written in her book, indeed.
E se alguém tinha pedido um violino estridente, uma batida hipnótica e um poema sobre S/M, aqui vêm eles. A partir do livro de Sacher-Masoch, Reed fala-nos de submissão, botas de couro, cintos, chicotes, abandono. Taste the whip, in love not given lightly, taste the whip now bleed for me. Não é exactamente um modelo de subtileza.
Voltamos ao rock e às drogas, agora de forma menos ligeira. Alguém tenta fugir da morte e não vai conseguir. A Teenage Mary que vendeu a alma, a Margarita Pasion que estava a ressacar, a Seasick Sarah e o seu nariz dourado, o Beardless Harry que achava que não lhe aconteceria a ele. Todos fugiram, fugiram, fugiram, em vão.
Mais uma incursão na mundanidade, a lembrar que esta era a banda de Andy Warhol e da Factory, a banda de gente que fazia parte da beautiful people do underground novaiorquino. E que se ri de quem não é cool como eles. De quem não usa cabedais e óculos de sol blasé. De quem se preocupa com a roupa que vai vestir na próxima festa, mais do que com se divertir na festa, engatar uma miúda, ou um miúdo, ou uma miúda e um miúdo, arranjar drogas. De quem vai chorar para trás da porta. De qualquer anti-Cinderella.
O lado B abre com a canção mais forte do disco, e uma das mais marcantes (provavelmente A mais marcante) da carreira da banda. Que fala de drogas (surprise!), de todas as drogas, apesar de o título ser bastante preciso. Das drogas que nos fazem querer ter nascido há mil anos e sermos marinheiros, antes o escorbuto do que o cavalo, que nos faz sentir os filhos de Deus mas vai ser a nossa morte. When the heroin is in my blood, and that blood is in my head, then thank God that I'm as good as dead, then thank your God that I'm not aware, and thank God that I just don't care, and I guess I just don't know. Mai' nada.
Segue-se, estranhamente, canção mais light do disco. Pelo menos musicalmente, esta história da rapariga que está de joelhos e não chora nem pede licença, é a única peça verdadeiramente descontraída do alinhamento. Quem é ela? Uma prostituta ou uma mulher em quem o marido bate? Seja quem for, sabemos que vai voar como um passarinho, e isso já é qualquer coisa.
Da heroína ao amor é um pequeno salto. Afinal, é tudo uma questão de dependências. E sermos o espelho de alguém, reflectirmos o que ele/ela é, sermos o vento, a chuva e o por-do-sol, a luz da entrada que lhe mostra que chegou a casa, é uma dependência. Não como outra qualquer, mas uma dependência.
O disco termina com as duas faixas mais marcadamente experimentais, que prenunciam o caos que chegaria no ano seguinte com White light/White heat. Na primeira, o anjo da morte convida-nos a escolher entre tudo o que não vale a pena, para nos fazer ver que nada vale a pena e que a melhor escolha é partir. Choose to go. Na segunda, dedicada ao seu professor preferido (o poeta Delmore Schwartz), Reed faz uma (então) rara incursão na poesia mais social ou política (forma em que atingiria a quase perfeição mais de 20 anos depois, no colossal New York). O curto texto fala, muito vagamente, do desencanto com uma América conservadora e obcecada com o sucesso. Mas em que, de repente, nos podem levar o nosso belo carro azul e as paredes verdes, you'd better say so long, hey hey, bye bye bye... Uma América (já) sem as referências humanistas dos pais, aqui transformados em filhos pela soberba de quem descobriu que dinheiro e arsenal são poder.

Apesar da indicação da capa, é hoje mais do que sabido que Andy Warhol pouco ou nada teve a ver com a produção do disco. O trabalho foi fundamentalmente da própria banda, não sendo muito certo o verdadeiro papel que coube a Tom Wilson, creditado apenas com a produção de Sunday Morning. E muito do fascínio e do poder de atracção que este disco exerce sobre quem se cruzar com ele vem exactamente da sub-produção, que nos deixa perceber a qualidade das canções e a forma apaixonada de quem as toca e canta - ainda que nem sempre de forma tecnicamente irrepreensível. Por isso é que convenceu gerações a fio, em 40 anos, que também podem escrever, tocar e cantar canções de rock.
O maior disco de todos os tempos? É possível, ou mesmo provável. Sem este, o disco da minha vida não seria o mesmo, nem por sombras. Mas desse hei-de falar em Junho, quando fizer 35 anos.
Dois docinhos para terminar. Espero que gostem.




28 março 2007

Assobiar às suecas faz comichão nas cuecas (provérbio lapão)

Encerra-se aqui esta pequena homenagem da C70 às músicas com assobio. Muitas ficaram de fora: lembrou a sempre atenta Verde o inesquecível tema do Verão Azul, e o inefável Q o Big Sur dos Thrills. Poder-se-ia acrescentar à lista, para fugir a cenas mais azeiteiras, o Sissyneck do Sr. Hansen, o Lovely Head dos Goldfrapp, o incomparável Otis na doca da baía ou as Confessions dos Violent Femmes. E o tema do The good, the bad and the ugly, claro.
Para terminar em beleza, uma das graaaaaaaaaaandes canções de 2007. E quem não assobia é lampião, olé.


23 março 2007

O assobio e o apito já vêm do antigo Egipto (provérbio sumério)

Quem assobia não bate na tia (provérbio transmontano)

Desde há uns dias que ando a tentar lembrar-me de canções que tenham belos momentos assobiados. E ao contrário do que possa parecer, não são assim tantas como isso. A C-70 vai empenhar-se em trazer para a ribalta esta importante, muito embora descurada, faceta da pop. E nada melhor do que começar com um clássico, daqueles mesmo clássicos.
Tudo a assobiar com a Eliza.

20 março 2007

Quote of the day - Dinosaur Jr. / Feel the pain

I feel the pain of everyone
and then I feel nothing


Estou com uma &%#$ duma dor de dentes que nem vejo. Sem exagero, dói mais que os golos do Tello e o do Petit juntos.

16 março 2007

dois - anos - dois

Chiça... Esta chafarica já abriu há dois anos!

14 março 2007

A hora do slow

No fim de semana, e a propósito de uma escolha musical feita pela função shuffle do leitor MP3, eu e a menina Inês tivemos uma breve troca de impressões sobre os melhores slows dos anos 80. Ora isto levanta uma interessante questão, daquelas a que os juristas gostam de chamar prejudiciais: o que deve ser considerado slow para este efeito? É que não é tão fácil como parece… Detenhamo-nos por breves momentos e tentemos precisar o conceito.
Um slow, antes de tudo o mais, tem de ser uma canção de amor lamechas. Não basta ter um tempo lento, propiciando o arrastamento de pés; a temática deve também ser propícia ao arrastamento de mãos e ao esfreganço geral. Não passa pela cabeça de ninguém chamar slow a coisas como o Fade to grey ou o Tokyo song.
Depois, um slow tem que ser uma coisa simples, que entre bem no ouvido e que tenha uma mensagem clara, tipo “me tarzan, you jane”. Slows com muita poesia distraem do essencial; e com uma música complicada perturbam o piloto automático. Um slow tem que ser 100% pop, sem grandes pretensões artísticas. Sejamos claros: é um tipo de canção com uma função específica, e essa função não é fazer-nos pensar no sentido da vida.
Mais do que isso: tem que ser, no mínimo, ligeiramente azeiteiro. Coisas como o I know it's over, o Killing Moon ou o Are you ready to be heartbroken não servem, são demasiado boas. Mas há, evidentemente, casos de fronteira – por exemplo, o Souvenir deve ou não ser admitido a concurso? Inclino-me para o não, embora com dúvidas.
Finalmente, só é um slow a sério uma canção que toda a gente conheça. Nada de faixas escondidas ou de lados-B desconhecidos. Tem que ser como a pasta medicinal Couto e andar na boca de toda a gente. Tem que ser um single, e de sucesso. Daqueles que agora pode passar nos programas da noite da RFM ou no Rádio Clube Português.

Posto isto, aqui vai o top-10 que de momento me ocorre. E desde já aviso que vai ter muitas falhas, porque não estive a pensar nisto muito tempo.
E não se esqueçam: eu avisei que são cenas muito azeiteiras.

10 – Spandau Ballet / True
09 – Imagination / Body talk
08 – Berlin / Take my breath away
07 – Madonna /Crazy for you
06 – Bryan Ferry / Slave to love
05 – Cars / Drive
04 – Duran Duran / Save a prayer
03 – George Michael / Careless whispers
02 – Prince / Purple rain

E em número 1…


Um regalo para os ouvidos. E porque não dizê-lo, em algumas passagens também para a vista.

PS - E o prémio para o pior slow? A concorrência seria brutal, mas deixo cinco candidatos, todos eles infames ocupantes durante semanas a fio do nº 1 do Top Disco:

Jim Diamond / I should have known better
Century / Lover why
Scorpions / Still lovin’ you
Foreigner / I want to know what love is
Chris de Burgh / The lady in red

08 março 2007

Sim, Sr. Ministro

Gilberto Gil e Os Mutantes, com a Rita Lee lá pelo meio. Há 40 anos.
Com aquela pêra até parece um guarda-redes que deu um frango jeitoso num jogo da Liga dos Campeões desta semana. E feriu Zé, feriu Zé.

06 março 2007

Quote of the day - Nico / Chelsea girls

Here's Room 115, filled with S & M queens
Magic marker row, you wonder just high they go.
Here they come now
See them run now
Here they come now
Chelsea Girls

'Bora papá-las!

27 fevereiro 2007

25 fevereiro 2007

Quote of the day - Smiths / How soon is now?

There's a club, if you'd like to go,
you could meet somebody who really loves you
so you go, and you stand on your own,
and you leave on your own,
and you go home, and you cry and you want to die.
When you say it's gonna happen "now",
well, when exactly do you mean?
See I've already waited too long,
and all my hope is gone...

Provavelmente a Uncut deste mês tem razão, e esta é mesmo a melhor canção de entre as imensas canções perfeitas que os Smiths nos deixaram. E também, com certeza, a mais carregada de esperança.

21 fevereiro 2007

Quote of the day - Dead can Dance / The Carnival is over

Outside the circus gathering
Moved silently along the rainswept boulevard.
The procession moved on, the shouting is over,
the fabulous freaks are leaving town,
they are driven by a strange desire
Unseen by the human eye.
Someone's calling,
the carnival is over

Há um ano mencionei aqui a versão feita pelo Nick Cave de um tema dos Seekers com um título igual a este. Este ano é a vez dos DCD. Para além de ser belíssima, esta canção cita lirica e musicalmente, e à fartazana, um dos álbuns da minha vida.
A C70 deseja a todos uma boa Quaresma. Que de hoje a 90 dias cá estejamos a celebrar o Pentecostes.


17 fevereiro 2007

Classe de 70 e um

Eia, um ano!

(o aniversário da C70 também pode ser celebrado vendo este clip.)

09 fevereiro 2007

Caixa de Clips 010 - Talking Heads / Crosseyed and painless (1980)

Na minha adolescência, como em quase todas, a banda sonora teve um papel fundamental. Adolescente que se preze fica durante horas fechado no quarto a ouvir repetidamente os seus discos até os saber de cor, palavra por palavra e acorde por acorde.
Quando tinha 16-17 anos, uma das minhas bandas favoritas eram os Talking Heads. No mesmo patamar só estavam os Joy Division e os Echo (por estranho que agora isso me pareça, os Velvet e os Clash chegaram um bocadinho mais tarde). Tinha e tenho todos os discos deles, e ainda hoje não sei dizer qual é o meu favorito: o nervoso More songs about buildings and food, o inquietante Fear of music ou este Remain in light, que abriu à juventude branca o mundo de possibilidades oferecido pelos ritmos negros (um bocadinho como os Stone Roses voltariam a fazer quase 10 anos depois, nos avassaladores minutos finais do seu disco de estreia). Poucos jovens caucasianos se interessavam, à altura, por funk como aquele que os Heads nos ofereciam aqui, muito simplesmente porque continuava a ser uma música de ghetto que não chegava à TV e muito menos aos tops. O fenómeno breakdance ainda estava para rebentar, e alguns anos passariam antes que o Rap (na altura não se falava em hip-hop) desse o salto para o mainstream - falo evidentemente do momento em que Rick Rubin (que 10 anos mais tarde seria o grande obreiro da ressurreição de Johnny Cash) se lembrou de pôr Run-DMC a fazer um dueto com os Aerosmith nesse hino à iniciação sexual chamado Walk this way. Mas tergiverso. A ideia é falar dos Heads, e não de chapéus de côco, Adidas sem cordões e jovens a transbordar de testosterona "goin' down on a muffin'".
Remain in Light encerra a trilogia de álbuns dos Heads produzidos por Brian Eno, que já tinha sido um colaborador imediato de Bowie na sua própria trilogia de Berlin (Low, Heroes e Lodger). Sem que isso o faça necessariamente um disco melhor do que os anteriores, nota-se um amadurecimento enorme do som da banda. Ainda que no Lado B (quem tiver menos de 30 anos é favor consultar uma enciclopédia para saber o que é isso) haja menos ritmos dançáveis, e até a tentativa, confessada por David Byrne, de copiar o som dos Joy Division sem nunca os ter ouvido, mas apenas pelo que lia sobre eles na imprensa (The overload, a faixa que encerra o disco), percebe-se pela primeira vez que os Heads tinham encontrado um som e que o queriam explorar até ao limite. É claro, desde os primeiros segundos de Born under punches, que estamos perante uma banda fascinada pelo ritmo, pelos diálogos frenéticos entre a guitarra-ritmo e a percussão, por coros que nos fazem lembrar canções tribais, pelo uso delirante das palavras, que muitas vezes têm um valor claramente mais fonético do que semântico - apesar da reputação de Byrne como um dos letristas mais brilhantes da cena new-wave.
Duas das faixas mais imediatas do disco proporcionaram dois clips invulgarmente originais para os padrões da altura: o brilhante, marcante e inesquecível Once in a lifetime (que podem ver em link), e este Crosseyed and painless, que resolvi destacar por ser menos conhecido e por nos recordar de onde vinha a música que estes quatro nerds intelectualóides brancos tocavam. Ambos têm a mãozinha de Toni Basil (de quem já falei aqui), como coreógrafa e co-realizadora. E são um regalo para a vista e para os ouvidos.
Enjoy!

Quote of the day - Cornershop (feat. Paula Frazer) / Good to be on the road back home

Leave Chattanooga, walk in to New York City,
Aeroplane down to Nippon ground, meet some friends in Tokio town,
Across to West Maluva, showboat to West Malay,
Leave my foes to their woes, sometimes “that’s how it goes”
It’s good to be on the road back home again.
A coisa não foi assim tao exótica, mas soube muito bem ir arejar uns dias. Para além de respirar outros ares e ver outras coisas, deu para comprar alguma literatura e caçar uns belos 7'' em lojas de segunda mão. Só foi pena não ter apanhado as feiras de sábado, mas pronto...
Só era escusado chegar cá um ano mais velho.

03 fevereiro 2007

Até para a semana

e portem-se bem na minha ausência.

31 janeiro 2007

Howe Gelb @ Theatro Circo

Braga rula. Hoje há outra vez Circo, novamente às 21.30 e com bilhetes a preços populares.
Há coisa de ano e meio vi os Giant Sand na Casa da Música. Foi o melhor concerto que vi nesse ano, e dos melhores dos últimos tempos. Até comprei a T-shirt.
Além de ser praticamente tudo nos Giant Sand, Howe Gelb é talvez o músico mais importante no aparecimento da onda americana, ou alt-country, ou como prefiram chamar-lhe. Como não podia deixar de ser, lá vou eu.

30 janeiro 2007

Quote of the day - Beck / Devil's haircut

Somethings wrong 'cause my mind is fading
Ghetto-blasting disintegrating
Rock 'n' roll, know what I'm saying
And everywhere I look there's a devil waiting
Got a devil's haircut in my mind



Fui cortar o cabelo e lembrei-me do Sr. Hansen e de um dos melhores discos de 1997.
E aproveito para fazer uma pequena sondagem C-70: qual o melhor disco do Beck? Eu voto neste Odelay, ainda que muito hesitantemente.

Quem assim canta a TV espanta

A primeira aparição na TV de uma das melhores bandas dos últimos 20 anos. Pronto, de uma das minhas bandas preferidas dos últimos 20 anos. Não se pode dizer que tenha corrido muito bem.
O Grande Macaco mostrou desde cedo porque é que, muitos anos depois, as suas performances vocais ao vivo seriam objecto de lendas. Diz quem viu (eu não vi) que em Vilar de Mouros/96 o homem cantou que se fartou.

27 janeiro 2007

É só para lembrar...

...que hoje há festa.
Eu e o advogado do diabo vamos estar no Radio a animar a malta com uma fina selecção de clássicos dançáveis, das melhores castas de entre 1954 e 2007. Soul, punk, rock e pop, girl-groups e boys-bands, alfinetes de ama e gravatas ska, de Brixton à Rua do Carmo passando por Echo Beach, meninos negros que se transformam em senhoras brancas e rapazes brancos que cantam como se fossem senhoras negras.
Só não se diverte quem não quer.

25 janeiro 2007

Micah P. Hinson@Theatro Circo

É hoje, às 9.30.
O tipo com cara de miúdo e voz de crooner leva o country-noir a Braga.
Eu bou ber.

21 janeiro 2007

Discos Perdidos 06 / Jonathan Richman - I, Jonathan (1992, Rounder)

Jonathan Richman é o que todos gostaríamos de ser: simpático, de bem com a vida, divertido, descontraído, inteligente, bom compositor, descomplexado, cool. Ou pelo menos um tipo de quem gostaríamos de ser amigos, que gostaríamos de convidar para jantar, com quem gostaríamos de ir beber um copo ou ver um concerto e conversar sobre coisas que interessem pouco ao destino do mundo. É um tipo porreiro. Ou pelo menos é o que parece. Basta olhar para a foto da capa.
Depois de ter sido a alma dos Modern Lovers, uma das melhores e mais influentes bandas da primeira vaga do proto-punk nova-iorquino, JR iniciou uma carreira a solo que tem tanto de diversificada como de errática. Do garage-pop para o country, dos ritmos mais latinos à balada amorosa, o homem fez de tudo. Normalmente bem, mas (como toda a gente) algumas vezes melhor do que outras. Até deu uma perninha no cinema: pouxem lá pela cabeça e vejam se não se lembram do bardo do "Doidos por Mary", que ia apresentando a história? É ele mesmo.
I, Jonathan foi lançado em 1992, o momento do crossover entre o alternativo e o comercial com a bomba Smells like teen spirit e a explosão do grunge, a que se seguiria pouco depois a do britpop. Correntes associadas a bandas que passavam por alternativas, mas que vendiam que nem pão-de-ló, e que normalmente escreviam sobre temas caros aos adolescentes: neuroses, desemprego, depressões, males de amor, complexos de adolescentes, I'm so ugly, She's so high, I'm your Zero e patatipatata. Nessa altura, Jonathan Richman fez o que tinha a fazer: continuou o seu caminho sem se importar com o último grito da moda. Apareceu com um disco num registo completamente lo-fi, mas sem quaisquer pretesões arty, que parece gravado na cave de algum amigo, com canções simples sobre coisas simples. O disco abre com uma linha de baixo que traz imediatamente à memória o Summer Nights cantado muitos anos antes por Olivia e Travolta, e nessa canção faz-se imediatamente o manifesto de intenções: “Hi everybody! I'm from the 60's, the time of Louie Louie and Little Latin Lupe Lu. And I know we can't have those times back again, but we can have parties like there were then. We need more parties in the USA!” Afinal, não é isso que interessa?
O disco desfia continuamente pequenas pérolas, entre homenagens à maior de todas as bandas (“How in the world were they makin’ tht sound?... Velvet Underground!”), apelos à paz no mundo e no lar (“You can't talk to the dude and that's no longer in style, you can't talk to the dude, no this no es normal.") e memórias da juventude (“Oh, the ancient world was in my reach from my Rooming house on Venice Beach”). Mas há dois momentos claramente superiores. O primeiro, que podem ver aqui em baixo numa versão ao vivo, é a genial I was dancing in a lesbian bar, uma das canções mais uplifting dos anos 90. O segundo é talvez a melhor canção que este senhor jé escreveu (e a concorrência é forte), e chama-se That summer feeling. Nem sequer vou tentar descrevê-la, porque é demasiado perfeita. Ouçam-na, se quiserem. Esta manhã estava a ouvir este álbum e apareceu lá por casa um amigo que tem a sorte de ter o maxi-single dessa maravilha. E disse que esse vinil, o último que teve depois de centenas de vinis comprados, emprestados e gamados no Corte Inglês (de Vigo) entre os 10 e os 25 anos veio fazer a síntese final de todos os outros. Belas palavras... but I guess that’s why they call him an artist!
Mas chega de tretas sobre este Peter Pan do Rock'n roll. Descubram-no e entrem na sua Neverland.
PS - A ideia de fazer este post veio de dois posts em blogs amigos. O primeiro foi este, no recente (e muito promissor) April Skies. O segundo foi este, em que (apesar de a discussão que se seguiu ter descambado para outras coisas) o Sr. Capitão falava de bandas de que toda a gente gosta. Depois de ouvirem este disco, vão perceber que é impossível não gostar dele.

16 janeiro 2007

classe_de_70@radio_bar

Desta vez é ao sábado. E não vou estar sozinho.

12 janeiro 2007

Quote of the day - Triffids / Bury me deep in love (1987)

You may lose me on the east face
You may lose me on the west
I may be covered over in the night
Bury me deep in your love, yes!
Bury me deep in love, bury me deep in love
Take me in, hide me under your skin, bury me deep in love



.. porque a pop perfeita existe, mesmo vinda lá do outro lado do mundo.

10 janeiro 2007

Fun, fun, fun

Os Ok Go não são nada de especial. São uma banda de punk-pop de Chicago com meia dúzia de canções engraçadas, mas que me quer bem parecer que não mudarão a história da música popular. Nem nada que se pareça. Mas podem-se gabar de dois dos clips mais divertidos dos últimos anos. Não é tudo, mas podia ser pior.
Aqui em baixo podem ver o fantástico Here it goes again. E em achando graça, aproveitem a borla e vejam aqui o A million ways.

Se quiserem mais risota, vão à página da banda e vejam o Ping pong instructional video. Vale a pena.

08 janeiro 2007

Just a mortal with potential of a Superman

É lixado. Por muito que tente, e depois de vinte e tal anos às voltas com os dicos do homem, não consigo dizer que haja uma música preferida do meu cantor/compositor/artista preferido. Dos Velvet sou capaz de dizer que é o What goes on, como dos Joy Division é o New dawn fades. Dos Clash o Guns of Brixton, e dos Pixies o Gigantic, dos Sonic Youth o Mote, dos Pavement o We dance ou dos Stone Roses o Made of Stone. Do Bowie não consigo. Há muitas.
Em tempos foi o Rock'n roll suicide, noutros o Starman, noutros o Heroes, noutros o Life on Mars. E há mais candidatas: Space Oddity? Cygnet Committee? Quicksand? Queenbitch? Five Years? Lady Stardust? Time? Rebel Rebel? Young americans? Scary monsters? Sons of the silent age? Beauty and the beast? Look back in anger? Always crashing in the same car?
Por uma questão de saturação, já não consigo sentir o mesmo que há 20 anos quando ouço coisas como o Heroes. Por muito boas que sejam, um gajo cansa-se. Daí que não esteja nenhum greatest hit na minha lista de 6 favoritas - escolher seis foi o melhor que consegui. Por razões mais ou menos subjectivas, as que mais me fazem cantar, dançar, rir ou chorar são, por ordem cronológica (e com link para os clips, quando disponíveis):
Bewlay Brothers (Hunky Dory, 1971). Ninguém percebe exactamente de que é que ele fala, mas pouco interessa. De memórias de infância, do seu irmão Terry, da cumplicidade entre crianças e amigos, de fisgas e de piratas. Sempre que a ouço tenho saudades da casa da minha avó em Entre-os-Rios, onde passei muitos fins de semana e férias até aos meus 10 anos. De andar pelo monte e de esfolar os joelhos. I might just slip away.
Moonage Daydream (Ziggy Stardust, 1972). Talvez uma escolha bizarra para um top 6, mas é uma das poucas canções que ouço desde os 14 anos exactamente com o mesmo gozo. A quintessência do glam-rock, muitas vezes citada mas nunca igualada. Don't fake it, babe, lay the real thing on me!
Sweet Thing + Candidate + Sweet Thing (reprise) (Diamond Dogs, 1974). Tecnicamente 3 canções mas de facto uma só. Uma história de amor assombrado e impossível, de dependência extrema (guess why...), com o homem a cantar como nunca mais cantou. Por muitas drogas que andasse a tomar, parece gravado por um extraterrestre. Arrepia. Demais, demais, demais!
(Trivia: foi daqui a primeira "quote of the day" da C-70.)
Station to station (Station to station, 1976). Se não me engano, a canção mais longa da longa carreira do senhor, e mais uma com um significado obscuro. Começa com uma locomotiva a arrancar, reminiscência dos tempos em que por uma paranóia induzida por um sonho o homem se recusava a andar de avião. Tem lá dentro 3 canções diferentes, à la Bohemian Rhapsody, e um dos versos mais geniais do rock'n roll: it's not the side effects of the cocaine, I'm thinking that it must be love. Woooooooaaaah!
Be my wife (Low, 1977). Já disse aqui o que penso desta canção. Mais para quê?
Teenage wildlife (Scary Monsters, 1980). Quando criei este blogue estive para lhe chamar "(I'm not a piece of) teenage wildlife", mas depois achei demasiado comprido. Seja como for, esta é em absoluto uma das minhas canções preferidas , um épico em cinemascope sobre a fama e a fortuna, que deve muito à guitarra milagrosa de Robert Fripp.
Encerram-se oficialmente as comemorações do 8 de Janeiro com o vídeo de um dos momentos mais peculiares da história do rock: a 3 de Julho de 1973, no final do último concerto da digressão e sem avisar o resto da banda, anuncia em directo que Ziggy Stardust morreu: "that's the last show that we'll ever do". A seguir tocou Rock'n roll suicide. Como se diz no final do The Maltese Falcon (frase que os Human League viriam a copiar algumas décadas depois), "that's the stuff that dreams are made of".
E mais não digo. Parabéns, que sejam muitos e bons. Ele merece.

A criação do mundo

Diz que foi assim que tudo começou.

Muito obrigado, por tudo.

The Kings were born

8 de Janeiro de 1935: nasce em Tupelo, Mississippi, Elvis Aron Presley. Se não tivesse morrido em 1977, completaria hoje 72 anos. É o Rei.
8 de Janeiro de 1947: nasce em Brixton, sul de Londres, David Robert Jones, que a partir de 1966 passaria a ser conhecido como David Bowie. Faz hoje 60 anos. Também é o Rei.
A C-70 inicia a sua singela homenagem aos Reis recordando duas grandes canções de duas das suas bandas preferidas que homenageiam os locais que os viram nascer.

Nick Cave, "Tupelo" (Live 1994)

The Clash, "Guns of Brixton" (live)

06 janeiro 2007

Pela amostra...

...parece que 2007 vai ser um ano como deve ser.

Já anda por aí há algum tempo o futuro Bloc Party, chamado A weekend in the city. Ainda não o ouvi com a atenção que merece o sucessor desse colosso chamado Silent Alarm, mas tenho gostado bastante do que tenho ouvido - ao contrário da maioria das críticas, quase unânimes no bota-abaixo. Parece-me que vai ganhando com cada nova audição e à medida que vamos conhecendo as canções, tal como acontecia com o seu antecessor, longe de ser um disco imediato (embora hoje me pergunte como é que não me entrou logo). Se é um sucessor digno ou não, logo se verá.

Mais recentemente, apareceu no ar o futuro LCD Soundsystem, que pelos vistos se chamará Sound of Silver. E bem se podia chamar Sound of Platinium, porque está potentíssimo. Não quero ser precipitado, mas parece-me melhor do que o anterior, e desde já um forte candidato ao caneco de 2007. Não por acaso, uma influente figura do rock tuga dizia no Fórum Sons que este era o melhor disco de... 2006. Entre piadas a quem pensa que eles são ingleses e declarações de amor a NY, o rapaz James lá vai arrancando umas pestanas, e a gente vai batendo o pé.

Neste preciso momento estou a ouvir o disco de estreia dos Grinderman, de que já tinha falado há uns meses. Estas coisas precisam sempre de algum tempo para amadurecer, mas há uns anos que a primeira audição de um disco deste homem não me soava tão bem. E isso é muito reconfortante. Não há propriamente uma mudança de estilo em relação ao que fazia com os Bad Seeds, nem um regresso radical à atitude blues hardcore do início de carreira, mas parece ter bem mais "guts" do que as últimas coisas feitas pelo cavalheiro Nicholas Edward Cave. And that's the way we like him.

Mas há mais. Está para breve o álbum dos The good, the bad and the queen (pergunto-me quem será quem), o novo devaneio de Damon Albarn, agora com o baixista mais cool da história do rock (sim, o que aparece a partir o instrumento - salvo seja - na capa do London Calling) e Tony Allen, o baterista de Fela Kuti que se diz ter sido o inventor do afrobeat. É um dos discos mais antecipados dos últimos anos, o que normalmente não joga muito a favor da recepção que acaba por ter (aposto que vai ter 5 estrelas na Uncut, vai ser apregoada como o disco salvador do Sec. XXI, e depois ninguém se vai lembrar dele nas listas de fim de ano). Por mim, espero que seja melhor do que prometem os dois singles de estreia, que ainda não me convenceram. Cheira-me a muito hype e pouca uva. Também estão para chegar (literalmente a chegar, if you know what I mean) os novos dos Air e da simpática Carla Bruni. Em teoria, pelo menos, parecem ser boas notícias. Let's wait and see.

Bom dia de Reis para todos.

03 janeiro 2007

Put your raygun to my head

Um moço a quem, assim como assim e apesar de tudo, acho que posso chamar meu amigo, deu-me neste Natal uma prenda verdadeiramente fora de série.
Red Rocket 7 é um comic que conta a história de um grupo de clones de um extraterrestre fugido do planeta Celeston, que vêm parar à Terra fugindo dos malvados e imortais Enfenites. Um desses clones, o n.º 7, descobre por cá uma grande sensibilidade acústica e musical, e acompanha toda a história do rock. Começa por apanhar uma boleia do Little Richard, torna-se músico de sessão do Elvis, fica amigo dos Beatles ainda nos tempos de Hamburgo, é a verdadeira causa da morte do Brian Jones na piscina, e no ponto em que estou (a meio do 4º fascículo, sendo sete no total) acaba de se tornar grande amigo do Mick Ronson, guitarrista dos Spiders from Mars.
Ziggy Stardust meets Flash Gordon meets The great Rock'n roll Encyclopedia meets Onde está o Wally. Do Elvis aos Pixies, do Iggy aos Minor Threat, dos Led Zeppelin à Courtney Love, estão lá todos. Check it out, aqui em baixo. O nosso herói é o que toca guitarra, mas ao contrário do outro (o quarto à sua esquerda), he plays it right hand.
É FA-BU-LO-SO!


Obrigado, pequenino. Sete estrelas!

02 janeiro 2007

Prémios da Grande Gala C-70

Feita a escolha do disco do ano e passadas que estão as festas, é altura de a C70 dar a conhecer os outros eleitos de 2006. Todos estarão presentes na Grande Gala C-70, que terá lugar no campo do Padroense Futebol Clube (ou, em alternativa, no parque de estacionamento do LIDL do Seixo), em data a anunciar.
Chega de suspense, vamos conhecer os laureados:

Álbuns nacionais

1 - X-Wife / Side effects
2 - Linda Martini / Olhos de Mongol
3 - Legendary Tiger Man / Masquerade
4 - Dead Combo / Quando a alma não é pequena
5 - Balla / A grande mentira

25 malhas de 2006, sem ordem exacta

Primal Scream / Country girl
Camera Obscura / Lloyd, I'm ready to be heartbroken
Scissor Sisters / I don't feel like dancing
Pipettes / Pull shapes
X-Wife / Ping-pong
CSS / Let's make lofe and listen to death from above
Gnarls Barkley / Crazy
Basement Jaxx / Take me back to your house
Rapture / The devil
Killers / Read my mind
Femme Fatale / Berlin
Balla / Outro futuro
Elefant / Lolita
Sonic Youth / Incinerate
Lemonheads / Rule of three
Eagles of Death metal / Cherry Cola
Lily Allen / Smile
Wolfmother / Woman
Yeah yeah Yeahs / Cheated Hearts
Spinto Band / Oh Mandy
Peter, Bjorn & John / Young folks
Raconteurs / Steady, as she goes
Kasabian / Shoot the runner
Cat people / Mexican Life
She Wants Revenge / Tear you apart

Prémios especiais da Grande Gala C-70

Prémio "nos juniores era muito bom" - Adam Green
Prémio "esperaba un poquito más de ti" - Strokes
Prémio "quero lá saber que seja azeiteiro ou que o Mike Patton não goste" - Wolfmother
Prémio "para quem faz versões de Lionel Ritchie, tens a mania que és esperto" - Mike Patton
Prémio "levados ao colo" - TV on the Radio
Prémio "e ainda por cima canta!" - Lily Allen
Prémio "o que é que eu não percebi?" - Celebration & Final Fantasy, ex-aequo
Prémio "não batam mais no ceguinho" - She Wants Revenge & Killers, ex-aequo
Prémio "tanta bala perdida" - My Chemical Romance & Luís Filipe Vieira, ex-aequo
Prémio "OK, a gente explica outra vez como se faz" - Lemonheads & F.C.Porto, ex-aequo

31 dezembro 2006

Um 2007 DO C****** para todos!!!!!

A C70 deseja a todos os amigos, colegas, visitantes, clientes e fornecedores que 2007 lhes seja incomparavelmente mais agradável do que foi 2006. Fiquem bem, todos!

28 dezembro 2006

And the winner for best 2006 album is...

O meu álbum do ano, num ano em que nenhum álbum se destacou extraordinariamente do resto da maralha, é...

Seguem mais 25 álbuns de que gostei bastante, ou mesmo muito. A maioria deles é mais ou menos consensual embora alguns, para meu grande espanto, estejam ausentes das listas que tenho visto. Não estao propriamente por ordem nem a salvo de um qualquer esquecimento embaraçoso, e ficam sujeitos a futuras reapreciações. Naturalmente que se voltar a fazer a lista amanhã não sairão exactamente os mesmos, mas aí é que está a piada destas merdas, certo?

Esta lista tem só álbuns internacionais. Um dia destes será postada a dos nacionais, necessariamente mais curta.

E claro está, houve com toda a certeza muita coisa boa que ainda não me passou pelas (aliás grandes) orelhas, incluindo coisas que têm sido gabadas por gente de bom senso e bom gosto. Em 2007 haverá tempo.

Fico à espera das vossas listas. Homem que é Homem (com agá grande, de forma a incluir as mulheres) faz a sua lista de fim de ano.

PS - os mais atentos perguntam-se: ó colega, então e o Tom Waits? Eu respondo: uma colectânea não pode entrar nesta corrida, nos termos das regras da IFBAYL (International Federation of Best Album of the Year Lists).

19 dezembro 2006

C70@ Radio, 5ª feira - 21/12

CAN I GET AN HALLELLUJAH?
CAN I GET AN AMEN?

18 dezembro 2006

Ho Ho Ho!, Santa Joe has arrived!

Tal como prometido, este vosso amigo preparou uma prenda para oferecer ao vasto auditório da C-70. Trata-se da compilação indie de Natal para acabar com todas as compilações indie de Natal. Uma mistura fina de nomes clássicos e menos clássicos, de belas e melodiosas Christmas Carols com coisas menos ortodoxas, laboriosamente sacada de compilações várias e de EP's que algumas bandas editam por estas alturas (a imagem ali abaixo é a capa de um deles). Os 23 presentes incluem White Stripes, Grandaddy, Sonic Youth, Yo la Tengo, Long Blondes, Flaming Lips, Dandy Warhols, ansoyon ansoyon.
Sucede (ou como também se diz, "chuchede") que o vosso Joe não domina muito bem as técnicas de partilha de ficheiros grandes através de cenas tipo YouSendIt. Vai daí, a solução que encontrou foi meter a pasta em partilha no eMule. É um ficheiro com 92MB chamado "Baby Jesus, born to rock!", frase gamada à canção dos Eels que também lá está. Os interessados que se sirvam.
E é tudo por ora. Have yourselves a merry little Xmas.

15 dezembro 2006

Seasons' greetings 02

- I could have been someone
- Well, so could anyone... You took my dreams from me when I first found you.
- I kept them with me, babe, I kept them with my own. Can't make it all alone, I built my dreams around you!

Nunca ouço este bocadinho desta canção sem quase verter uma lágrima. Sem grande contestação nem sequer grande concorrência, é melhor canção de Natal escrita nos últimos 30 anos.
Shane MacGowan, o maior poeta desdentado do punk-folk.


12 dezembro 2006

O vento é ruim e os casamentos foleiros, mas a música é do caraças

Não desfazendo da boa produção nacional, a C-70 alerta o seu auditório para um facto: dois dos melhores discos de 2006, cantados em inglês e tudo, vêm da terra dos caramelos e do torrão. Para quem não está cansado de post-punk, recomendamos...








Cat People - Reel #1












Femme Fatale - Femme Fatale

10 dezembro 2006

Seasons' greetings 01

A C70 não fica indiferente ao espírito da época. E enquanto não oferece aos seus amigos a compilação especial Natal que está na forja, vai partilhando alguns belos momentos de que se lembra.
O de hoje é provavelmente um dos mais bizarros. Em 1977, enquanto atravessava uma das piores fases da sua vida e navegava entre as mais variadas drogas duras, o noisso groovy guru arranjou tempo para se juntar a Bing Crosby (oh oh oh!!) e participar neste seu programa de Natal. Pretty thing, innit?
Oferece-se uma rabanada a quem conseguir ver tudo sem rir.


08 dezembro 2006

Who put the 'S' in Soul?

Provavelmente o mais soulful de todos os cantores soul. Vejam esta performance e tentem encontrar um adjectivo menos forte do que "brutal" ou "esmagador". O que teria sido a carreira deste homem se não tivesse morrido com 26 anos?

Otis was the man!

06 dezembro 2006

Westlife rulam

Nunca uma boys band me foi tão simpática como os Westlife (de quem não sei identificar uma única música) passaram a ser desde há 5 minutos. Ora vejam lá a notícia retirada do site da Mojo:

"In terms of record sales, the last seven days have marked one of the most competitive periods of the year with the likes of The Beatles Love, Oasis’s ‘Best Of…’ Stop The Clocks and U2’s 18 Singles battling it out for the top slot in the UK albums chart. All three, however, have failed to stop pop act Westlife from triumphing, the Irish boy band out-selling all three legendary rock acts and securing the Number One slot. Westlife’s collection of covers, The Love Album, sold 219,000 copies, with Oasis reported to have shifted 215,000 units. The Beatles’s controversial remix Love outing sold 173,000 copies while U2’s low key singles collection sold approximately 102,000 copies."

Pois é, parece que para voltarem a ser n.º 1 os manos Gallagher vão ter que arrranjar escândalos novos, o Bono vai ter que arranjar outras causas sociais que faz de conta que ajuda e que lhe proporcionam momentos íntimos com o Bush e mesmo com o próprio Cherne, e o McCartney lá vai ter que levar um tiro. Ó Paul, se precisares de uma contribuiçãozinha para comprar a bala, sabes que podes contar com este teu amigo.

04 dezembro 2006

Just like in the movies

Quem disse que os actores não sabem cantar?

26 novembro 2006

Not the end?

Não sei se é o fim de tudo ou não. Acredito que tudo o que deixamos é a obra que fizemos em vida e a memória que fica a quem sobrevive. As únicas certezas que tenho de cada vez que me confronto com a morte é de que a nossa passagem por cá é demasiado rápida e misteriosa para ser desperdiçada com merdas, e de que é um imperativo moral vivê-la como melhor nos apetecer; e a de que temos que aproveitar enquanto os outros cá estão, porque depois é demasiado tarde para lhes contar as novidades, dar um abraço ou dizer adeus.
Pena que normalmente nos lembremos disso tarde demais.


25 novembro 2006

Quote of the day - Joy Division / The Eternal

Played by the gate at the foot of the garden,
my view stretches out from the fence to the wall
No words could explain, no actions determine
just watching the trees and the leaves as they fall.

Agora é como na história do telefone: eu estou cá, e tu estás lá.

Adeus, tio.

17 novembro 2006

C70 @ Radio

Jovem,

tens saudades da Mel&Kim e das Spice Girls, dos Duran Duran e dos Human League, do Iggy e do Ziggy? Apetecia-te ouvir a versão que os Babyshambles fizeram para o Janie Jones dos Clash? Gostas da M.I.A e da Lilly Allen mas tens vergonha de contar aos teus amigos rockeiros? Não passas bem sem Primal Scream, New Order, Suede e Pulp? Achas piada aos Turbonegro e aos Wolfmother, mas tens medo que os espertalhões com bom gosto te chamem azeiteiro? Não te preocupes, conheço a hora e o local certos para ti:

Quote of the day - Pavement / Give it a day

So the word spread
Just like small pox in the Sudan
The gentry cried: "Give it a day!"



Parece que o Filipe está com varicela.
O que significa, entre muitas outras coisas, que o pai do Filipe se arrisca a ficar com varicela.

(esta imagem, de resto bem foleira, é a única que arranjei em toda a net da capa de um CD que por acaso até tenho ali na estante, e vem da fonoteca da CM de Lisboa. curioso...)

13 novembro 2006

Regresso ao tacho do Mestre Joe

Super retro-mix de costeletas com molho de pimentos
Ingredientes:
2 costeletas
1,5 pimento grande
1 cebola
3 dentes de alho
Óleo
1,5 dl de água
Pimentão doce, pimentão picante e sal a gosto
Pão ou tostas
Um bom naco de Brie
Whisky
Gelo a gosto
Dois Cd's compilados por Mestre Joe
A pedido de várias famílias, eis que o Mestre Joe volta a abrir o seu livro e a brindar as melhores donas de casa com mais uma apetitosa receita.
Como todos sabemos, a primeira coisa a fazer quando se começa a cozinhar é escolher um som. Hoje resolvemos começar com Mirror Man, uma canção algo esquecida dos Human League com um cheirinho a Motown. Nada melhor para acompanhar do que uma tostinha barrada com Brie - procedimento que deve repetir-se com generosidade ao longo da confecção do jantar. De seguida, e enquanto o leitor de CD se encarrega de passar para os Style Council e Walls come tumblin' down (uma das duas ou três boas músicas de jeito que o Sr. Weller nos deixou), deve colocar-se cuidadosamente gelo num copo e regá-lo com Whisky. E estamos prontos para colocar o óleo no Wok e fritar as costeletas enquanto acompanhamos o Yeke Yeke de Mori Kante com danças tribais. Segue-se C30! C60! C90! Go! dos nossos bem conhecidos Bow Wow Wow (canção que por um triz não é o hino da C70), ideal para picar a cebola e os dentes de alho. E quando o leitor começar a debitar os "Chaka Khan" semi-gagos que abrem a alegre I feel for You, é sinal que as costeletas podem ser postas de lado e tapadas com papel de alumínio. É nessa altura que, acompanhados do French Kissin' da bela Debbie Harry, deitamos no Wok a cebola e os dentes de alho previamente picados, dedicando-nos então a cortar em fatias o pimento e meio. E pergunto eu: qual a melhor cançao queconhecem para acompanhar esse momento de grande concentraçao? Adivinharam - o Japanese boy de Aneka, a escocesa esquecida. A missão deverá estar cumprida antes de poderem dizer "Yazz", porque nessa altura já estarão a levantar os braços enquanto trauteiam The only way is up. Cortados os pimentos, é altura de verter mais ou menos 2/3 dos ditos no Wok de serviço, acrescentando a água e os temperos. Para mexer, a canção que se afigura mais adequada é (obviamente!) Wishing, da banda com os piores penteados dos anos 80 (título deveras disputado com os Alphaville e os A-ha) - nada menos que os inesquecíveis (nomeadamente pelos seus pais e filhos) A flock of seagulls.
E aqui há um pequeno momento mágico. Sinto sempre um pequeno baque quando o grande Billy Ocean entra em cena contando-nos a história da sua Caribbean Queen. Kanye, filho, querias ter esta pinta, mas ainda tens que comer muita sopinha de cavalo cansado.
Refeito da emoção, o cozinheiro nãop tem alternativa senão reencher o seu copo com mais chá de malte. E tem que ter cuidado para que o azeite que escorre das colunas não estrague a comida. É que quem canta agora é o inefável David Lee Roth, vocalista dos Van Halen, que grita Jump! Obedientes que somos, saltamos. Por esta altura, já a água ferve, e com ela os pimentos, a cabola e o resto. É deixá-la ferver, porque há coisas mais importantes a fazer; por exemplo, gritar papa-ooma-mow-mow enquanto toca o Surfin Bird, cortesia dos Trashmen. É logo a seguir entra o chefe, o rei, o maior. Entra e ordena, imperial: Let's dance! Quem somos nós para o contrariar? Bailemos, pois. E com garbo.
Ora já começam a ser horas de ir para a mesa, de modos que convém deixarmo-nos de tangas e acabar o jantar. O problema é que precisamente aqui aparece o trio diabólico. Os Beastie Boys, malcriadões, aparecem sem serem convidados e desatam a gritar No sleep till Brooklin, e o cozinheiro grita com eles enquanto, ajudado pela varinha mágica, transforma furiosamente em puré tudo o que estava no Wok. A situação nao melhora nada quando se começa a ouvir Rock Lobster, uma das canções mais disparatadas e contagiantes de sempre. Assim não há condições para trabalhar, porra! Vá lá que já está quase tudo feito, e a coisa entra num registo mais laidback com Ronnie Cook e a versão original do Goo Goo Muck. Por esta altura já se acrescentou ao puré meio pacote de natas, e se pôs lá dentro o resto dos pimentos e as costeletas. Vai tudo ao lume. E fica tão bonito e com tão bom aspecto que só apetece olharmos, embevecidos, para o resultado final. A coisa é de tal forma que até os Manic Street Preachers resolvem cantar um belo Can't take my eyes off you. Bute para a mesa, que está tudo com fome.
Acompanha com arroz branco, cerveja e Whiskey - sendo Whiskey, neste contexto, o 1º álbum do Jay-Jay Johanson, e não aquela bebida em que estavam a pensar.


Para a sobremesa os Chicos Bestiales. Enorme malha, grande clip.


Bon appétit!

12 novembro 2006

Quote of the day - Suede / So young

Because we're young, because we're gone,
We'll take the tides electric mind, oh yeah?





A 1ª canção do 1º álbum de uma das melhores bandas britânicas dos 90's . Pode ser exagero de fã, mas 13 anos depois continuo a achar que o britpop nunca conseguiu melhorar aquele que foi talvez o seu primeiro momento.
...even if we're not SO young anymore.

09 novembro 2006

A pergunta que anda no ar

"Quem é aquele gajo feio como o caraças e já um bocado entradote que vai pôr música no Rádio no dia a seguir à jovem e bem-parecida C-70??? "



Não, não é este. Mas que dá uns ares, lá isso dá.

07 novembro 2006

Grinderquê????

E esta, hein?...

Ó faxavor de conferir aqui o que o nosso querido Nick the Stripper tem andado a fazer. Pela amostra dá a ideia que regressamos a terrenos próximos do First born is dead, o que está longe de ser uma má notícia. Esperemos para ver.

05 novembro 2006

10-canções-10 com nomes de actores

A propósito do belo sunday morning record que nos acompanhou esta manhã ao pequeno almoço, começámos cá por casa a tentar lembrar-nos de canções com nomes de actores e actrizes no título, mesmo abreviados ou codificados (só não valia cantores-actores). Depois de muito puxar pela cabeça chegou-se a uma lista de 10:

10. Postal Service, Clark Gable
09. Cinerama, Lollobrigida
08. Bananarama, Robert de Niro's waiting
07. Kim Carnes, Bette Davis' Eyes
06. Gorillaz, Clint Eastwood
05. Suzanne Vega, Marlene on the wall
04. Sonic Youth, Madonna, Sean and me (aka The cruxifiction of Sean Penn, aka Expressway to Yr skull) *
03. John Cale, The soul of Carmen Miranda
02. Roxy Music, 2HB
01. Bauhaus, Bela Lugosi's dead
Menções honrosas (outras belas canções em que se referem actores):
05: Clash, The right profile ("Everybody says he sure look funny, that's Montgomery Clift, honey!")
04: dEUS, Opening Night ("I feel like Geena might, upon her opening night")
03: Whipping Boy, Personality ("I want to marry a personality, someone who looks just like Koo Stark")
02. Lou Reed, Halloween Parade ("There's a Crawford, Davis and a tacky Cary Grant")
01. Iggy Pop / David Bowie, China girl ("I feel in tragic like I'm Marlon Brando, when I look at my China girl")

Quem se lembra de mais algumas?

* já agora, pergunta-se aos mais dedicados estudiosos da Seita Sónica (que eu sei que há alguns entre os amigos da C-70): como caraças se chama afinal esta música, que na capa do disco tem um nome, no livro outro e aparece sempre referida nas discografias e álbuns ao vivo com outro?

02 novembro 2006

Discos Perdidos 05 / Swell - Too many days without thinking (1997, Beggars Banquet)

Quando saiu, Too many days... foi vilipendiado pelos admiradores mais puristas desta banda de S. Francisco como uma pequena traição ao espírito dos álbuns anteriores, ...Well? e 41. O som demasiado polido, a produção demasiado próxima da do banal indie rock e o facto de terem sido despedidos pela American, a editora do guru Rick Rubin (na altura em pleno milagre da resurreição de Johnny Cash) levaram a que muitos incondicionais torcessem o nariz a este disco, que soava como uma espécie de Nirvana em versão lo-fi meets Red House Paiters. Nada mais injusto: Too many days... é não só o melhor disco que os Sweel nos deixaram, é a lápide definitiva do grunge.
Não quer isto dizer, bem entendido, que os Swell tenham um cabelo que seja a ver com bandas como os Soungarden, os Alice in Chains, e ainda muito menos com dejectos como os STP ou os Pearl Jam. Nada disso. Os Swell vieram precisamente tornar claro que esse tempo tinha terminado e que era preciso voltar a olhar para o rock não enquanto repositório das amarguras juvenis gritadas por rapazes altos e bonitos, embora drogaditos e decadentes (Kurt, Eddie, Chris, Scott...), mas como uma forma de expressão musical e artística em que os sentimentos estão à flor da pele sem terem necessariamente que ser gritados por vozes desesperadas e sublinhados por um excesso de decibéis de guitarras e bateria. O rock podia voltar a ser rock, menos histriónico do que na meia dúzia de anos anteriores e centrando-se mais na escrita de boas canções do que no hiper-rentável circo Lollapalooza em que a música supostamente alternativa se tinha grotescamente transformado.
Too many days... é um disco em que não há uma canção fraca, havendo naturalmente 3 ou 4 que sobressaem: At Lennie's, (I know) the trip, What I always wanted ou a belíssima Sunshine everyday (uma espécie de irmã boa e gentil da Stormy weather dos Pixies) são coisas que ninguém que se preze desdenharia ter escrito, e que os Swell provavelmente nunca igualaram nos álbuns posteriores. Mas, muito mais do que ter boas canções, este é um disco em que as coisas parecem fazer sentido do princípio ao fim, em que uma espécie de fio invisível nos leva de uma ponta à outra sem que nada pareça ou apareça fora do sítio. E é isso que distingue um bom disco de um disco memorável.
Vi os Swell por duas vezes. A primeira foi na digressão deste álbum, algures em 97 e numa das salas onde vi mais e melhores concertos - o Garage, em Londres (qualquer dia hei-de escrever um post sobre este sítio, infelizmente fechado para obras há tempo suficiente para eu suspeitar que teha fechado de vez). A segunda foi em 98 ou 99 no agora também moribundo Hard Club, na digressão de For all the beautiful people. De ambas as vezes não estariam mais do que umas 200 pessoas para ver uma das melhores coisas que o rock tinha para oferecer à data, o que não deixa de ser chocante (sobretudo em Londres, onde devem viver à volta de uns 10 milhões de almas). Não sendo em palco uma banda extraordinária, a impressão que mais me marcou foi a de uns tipos despretensiosos que não se importam de conversar um bocado com os fãs enquanto eles próprios carregam a carrinha para o espectáculo do dia seguinte, e em que um dos membros até deixou o e-mail para mais tarde lhe escrevermos a saber se nos conseguia arranjar umas cópias do 1º disco.
Em 97 estava certo que este álbum seria um grande sucesso comercial, porque tinha tudo para agradar quer aos órfãos do grunge (agora uns anos mais adultos e maduros) quer aos adolescentes à procura de algo de novo no mundo indie. Não foi, talvez por falta de marketing, talvez porque de facto não era disto que o povo estava à espera. Pior do que isso, dei-me conta há bocado, ouvindo-o enquanto arrumava a cozinha, que é hoje um disco infeliz e injustamente esquecido; ele que deveria estar nas prateleiras de toda a gente que em 97 tinha entre os 16 e os 30 anos. Se não o conhecem, descubram-no.

01 novembro 2006

Quote of the day - Mão Morta / 1º de Novembro

Um traço, um berço
Dois destinos que se cruzam na lonjura da distância
Erva fálica pelo caminho
Distúrbios, subúrbios

Automóveis ferrugentos desenhando o horizonte
Os paralelos asfixiam a alma
Solidão, saudade

Romagens, romaria aos queridos defuntos
Carcaças abandonadas ao passado
Lágrimas, fábricas

Tempo invernoso sublinhando a ausência
A música ouve-se triste
Solidão!
Saudade!
Romagens!
Romarias!
Solidão!
Saudade!
Queridos!
Defuntos!



Quantos mais 1os de Novembro passo, mais certeza tenho de que quero ser cremado. Mas calma, ó Grande Arquitecto... não tenho pressa.

31 outubro 2006

Quote of the day - David Bowie / Scary Monsters (and super creeps)

She had an horror of rooms she was tired you can't hide beat
When I looked in her eyes they were blue but nobody home
Well she could've been a killer if she didn't walk the way she do,
and she do
She opened strange doors that we'd never close again
She began to wail jealousies scream
Waiting at the lights know what I mean
Scary monsters, super creeps
Keep me running, running scared

Bom Halloween, para quem é de Halloween!


30 outubro 2006

A volta do malandro

Quem costuma passar por aqui sabe que a MPB não é propriamente a minha especialidade. Mas há honrosas excepções. O Chico Buarque, por muitas razões objectivas e subjecticvas, é o meu cantor-compositor preferido fora do universo anglo-saxónico - a par com o Jacques Brel e um degrau acima do Gainsbourg.
Hoje ele vai ao Coliseu, e eu também vou.

29 outubro 2006

Quote of the day - De la Soul / The magic number

Now you may try to subtract it
But it just wont go away
Three times one? What is it?
One, two, three!
And thats the magic number


Nesta mágica noite de Outubro, e a alguns minutos de entrarmos na hora de Inverno, quero dedicar o post da noite ao meu querido cunhado Miguel, a quem deixo três grandes abraços por em tempos me ter emprestado este belo disco. Três hurras, três vivas, três bem-hajas, três palmadinhas nas costas, três beijocas na testa!
A capa parece-me agora ligeitramente diferente, se calhar é uma edição especial.

26 outubro 2006

Hate you as I like 03


Como é possível que há coisa de 10 anos esta associação de lobotomizados fosse bem vista por gente com responsabilidades? Como é possível que 10 anos depois algumas revistas inglesas continuem a dizer que eles fizeram dois dos melhores álbuns da história, quando juntos não têm mais do que duas ou três canções razoáveis? Como é possível que os tenham chegado a comparar aos Stone Roses? Como é possível uma banda tão medíocre ser tão ultra-sobre-avaliada? Como é possível que um asno com dois álbuns editados dissesse seriamente que a sua banda (esta) era a 2ª melhor de todos os tempos, logo a seguir aos outros idiotas que um dia também hão-de ser chamados a esta rubrica?
Felizmente já não dão notícias há uns tempos, e assim os conserve o Altíssimo. Calados e quietos.

22 outubro 2006

I'm a driver, I'm a winner... Pt. 2

Na sequência do filme e do post de ontem, esta manhã estava na fila para pagar as compras no Pingo Doce e comecei a lembrar-me de alguns dos meus filmes preferidos sobre losers. Aqui vai uma lista de dez, descomprometida, sem qualquer ordem (apesar da escolha do cartaz) e sem repetir realizadores (sob pena de a lista ser monopolizada por 3 ou 4 especialistas). Digam de vossa justiça.
Mean Streets, Martin Scorsese;
Down by law, Jim Jarmusch;
Trust, Hal Hartley;
The life aquatic with Steve Zissou, Wes Anderson;
Trainspotting, Danny Boyle;
The Big Lebowski, Joel Coen;
Magnolia, Paul Thomas Anderson;
How to survive a broken heart, Paul Ruven;
Happiness, Todd Solondz;
Buffalo '66, Vincent Gallo.

21 outubro 2006

I'm a driver, I'm a winner, things are gonna change, I can feel it

Fui hoje ver o Little Miss Sunshine. O título português é tão absurdo que nem o vou reproduzir (quase ao nível da inesquecível tradução do Purple Rain para "Prince, o rocker"). Mas não vim para aqui falar de traduções. Vim só dizer que é absolutamente imperdível, a mostrar que o grande Wes Anderson (Rushmore, The Royal Tennenbaums, The life aquatic with Steve Zissou) está a fazer escola e a inspirar talentos. Até á data, a dupla Jonathan Dayton e Valerie Faris só tinham realizado uma mão cheia de clips de algumas bandas comercialmente importantes (Smashing Pumpkins, RHCP, Offspring, Weezer, REM, etc.), sendo esta a sua primeira verdadeira aventura na longa metragem.
Em boa hora o fizeram. Little Miss Sunshine é uma comédia sobre a mais acabada de todas as famílias de losers, que resolve empreender uma viagem numa carrinha VW, em condições no mínimo sofríveis, para que a anafada petiza possa participar num concurso de misses infantil. Tudo o que se segue anda sempre na ténue fronteira entre o cómico e o patético, sendo por vezes enternecedor sem nunca descambar para a lamechice do "somos uma família e isso dá-nos força para superar todos os obstáculos". Não vou contar detalhes do filme, mas creio que posso adiantar que no final estão todos em pior situação do que estavam no início, mas mais felizes porque aprenderam a estar-se nas tintas para o fato de serem uns tristes. Aprendem a fazer aquilo que é a ambição de toda a gente: fazer as figuras de urso que lhes apetece sem quererem saber do que pensa o resto do povo.
Poderiam fazer coro com o Sr. Hansen, aqui em baixo, rindo enquanto cantam "Soy un perdedor, I'm a loser baby, so why don't you kill me?"


Especial Clara

A C-70 celebra neste momento o seu centésimo post.
E de que melhor forma poderia fazê-lo do que saudando a chegada da minha terceira sobrinha-neta? Está previsto que o acontecimento tenha lugar dentro de umas poucas horas. Assim será. A ciência seguirá o seu rumo imperturbável.
Benvinda, Clara! Que sejas uma punk rocker, como a Sheena. Que andes mais rápido que a luz, como profetizam os B-52's.
O mundo é teu!


12 outubro 2006

11 outubro 2006

Quote of the day - Primal Scream / Movin' on up

Im getting outta darkness
My light shines on
Desde há 2 ou 3 dias que o Live in Japan dos Primal Scream anda em roda livre no carro. Qualquer dia sou multado por excesso de ruído. Ou entao bato. Noutro carro ou em alguém. Com o meu carro ou com as minhas nuas mãos.
Uma vez (isto foi em 97) estava em Londres a tentar arranjar um bilhete para um concerto super-esgotado dos Echo & the Bunnymen, numa sala pequena mesmo no centro que já não me lembro como se chamava. A espera (infrutífera, como às vezes acontecia) ficou animada quando apareceu o cavalheiro Bobby Gillespie completamente drunfado (passe o pleonasmo) a tentar entrar sem bilhete. E o fixe é que não o deixaram entrar sem mais. Ainda ficou um bom quarto de hora no meio do comum dos mortais antes de o segurança conferir se aquele destroço fazia mesmo parte da beautiful people.

He was on the top, then. E ainda está, digo eu.


06 outubro 2006

Quote of the day - Olivia Newton-John / Physical

I'm sure you'll understand my point of view, We know each other mentally
You gotta know that you're bringin' out the animal in me
Oh, let's get physical, physical, I wanna get physical, let's get into physical





O vosso bom Joe resolveu inscrever-se num health-club. O nível de Castrol superior ao recomendável, a falta de fôlego a jogar à bola e a progressão aritmética da protuberância abdominal forçaram-me a esta decisão. Nadar meia hora por dia dá saúde e alegria.

A ocasião é de ouro para recordar esta australiana nascida em Cambridge, que invadiu os meus sonhos quando tinha 11 ou 12 anos. Tinha na parede um poster dela que saiu no Música & Som, a foto da capa do álbum que reproduzo para vosso deleite. Em verdade, em verdade vos digo que apesar dos 33 anos, a senhora me deixava sobremaneira perturbado. E com vontade de fazer ginástica.

Um esclarecimento apenas: ao contrário do que pode sugerir o twist final deste jocoso clip, não há poucas vergonhas nos balneários. Há, sim, algo que me deixou maravilhado: uma máquina de engraxar sapatos.

E amanhã vou vindimar para o Douro. Hasta la vista, babies.

30 setembro 2006

Vai um joguinho?

Lembram-se do grande "nanopops"? E daquele poster com 50 bandas, feito pela Virgin? A M&M's não quis ficar atrás e vai daí fez mais um joguinho, agora com 50 filmes. Dark movies, dizem eles, como o seu dark chocolate. Todos metidos num quadro da escola flamenga pré-freudiana (Brueghel ou Bosch? Confesso que não ou grande conhecedor). A ideia é descobri-los colocando o título em inglês. Atenção: os desenhos/pistas têm normalmente mais a ver com o título do filme do que com o conteúdo.
Eu vou em 28. Depois podemos trocar cromos. Mas não vale ir à net procurar soluções.
Divirtam-se tenham um belo fim de semana.


http://us.mms.com/us/dark/

26 setembro 2006

Come on Lily

Cada vez curto mais esta cachopa


e já agora, as músicas dela também.

Aqui na C-70 convivemos bem com o sucesso comercial de quem merece. E ela merece.

20 setembro 2006

Hate you as I like 02

Não posso com estes gajos.


Acho-os azeiteiros. E chatos. E o Eddie Vedder irita-me. E são os culpados de aberrações como os Nickelback, os Creed ou os Live. Camandro, como é que é possível que os comparem aos Nirvana?

14 setembro 2006

Caixa de Clips 009 - Classix Nouveaux / Is it a dream

Os Classix Nouveaux, uma das bandas mais populares em Portugal nos idos de 81-82, cairam hoje no esquecimento. Até este senhor, pessoa culta e de gosto refinado, confessou há tempos a sua ignorância sobre estes caramelos quando ouviu, no sítio do costume, o seminal Never Again - provavelmente a melhor música da banda, mas de que desgraçadamente não se arranja o clip (promete-se uma beijoca a quem conseguir).
Os CN formaram-se a partir dos restos mortais dos X-Ray Spex, quando os respectivos guitarrista e baterista resolveram despedir a carismática Poly Styrene e procurar um substituto à altura. Não se pode dizer que tenham falhado: Sal Solo é das figuras mais memoráveis deste período.
Apesar de associados ao movimento new-romantic, os CN pouco têm a ver com bandas como os Duran Duran, Human League ou Japan. Quer o som quer a estética parecem hoje mais próximos de uma espécie de dance-gothic, ou coisa que o valha. Um cruzamento entre Bauhaus, Alphaville, Siouxie e Cabaret Voltaire. Vejam lá o clip deste Guilty, o primeiro single a raiar (muito ao de longe) o sucesso, e digam lá que o Sal Solo não é um sósia do Nosferatu, com capa e tudo? Neste primeiro álbum (Night people) há 3 ou 4 grandes canções: Inside outside, No sympathy no violins, Or a movie ou Every home should have one ainda hoje me fazem abanar o capacete com violência. Como curiosidade, fica também o divertidíssimo clip de Because you're young (tirado já de Lá verité, o 2º álbum) que de tão improvavelmente azeiteiro nos leva a perguntar se a banda não estaria a gozar com o pagode. Apreciem bem as caras de cú que faz o teclista e o revirar de olhos de Sal Solo à passagem dos 2.55'', e perguntem-se se é possível fazer figuras destas seriamente.
Os CN apenas foram uma banda de culto na periferia da Europa, nomeadamente em Portugal, Polónia e Finlândia - mas aqui explica-se pelo facto de terem tido um guitarrista finlandês, um tal Jimi Sumen. E conta-se que esse inteligente foi à terra renovar o passaporte e ficou retido porque entretanto tinha sido chamado para a tropa. Não fosse ter sido dado como mentalmente inapto, e lá tinham os CN ficado sem guitarrista pela 3ª vez.
Is it a dream foi, ao que sei, o único single a entrar no top 20 britânico. Após um terceiro álbum que não deixou rastro, separaram-se. Sal Solo ainda teve tempo para gravar o muito embaraçoso San Damiano depois de uma viagem mística a Itália, podendo gabar-se de ter sido um precusor da linha posteriormente seguida por gente (eu sei, estou a ser condescendente) como os Enigma. Depois disso viu a luz, viu Jesus, e enveredou pela música cristã, como explica no seu site. Como dizia o outro, se se metesse na droga ainda era de homem, mas isto?... Se Deus existe mesmo, há-de pagá-las caras.
Mas isso agora pouco importa, porque Is it a dream é uma malha do caraças. Enjoy!

Hate you as I like 01

Abre-se uma nova rubrica da C70, dedicada a todos aqueles que eu verdadeiramente desprezo. Vai aparecer com um mínimo de comentários, para evitar ferir susceptibilidades.

Eis os primeiros nomeados, que aliás me inspiraram a iniciar esta página de fel ao aparecerem na minha rádio privada sem ninguém os convidar, aqui representados pelo insuportável guitarrista/vocalista.
Beat it, pussy!

12 setembro 2006

Power plays de umas férias (parte 2)

Ora então, o que se ouviu lá por Vila do Bispo? Muita coisa, entre o carro, o tijolo do Sr. Pascal, o leitor de MP3, as compilações retro aqui do vosso amigo e as selecções etno-lounge do Doutor Carlinhos, o verdadeiro artista. Mas graças ao altíssimo este ano deixou em casa os seus violoncelos. Vejamos então:
É difícil avaliar objectivamente um disco de que já ninguém estava à espera, um objecto feito numa twilight zone entre a vida e a morte, entre a morte da paixão de uma vida e a etapa final da paixão para a morte. American V - A hundred highways é um disco invulgarmente comovente, e na minha opinião ao nível dos vols. I e III da série. E para já mais não digo.

Haverá algo melhor para ouvir ao pé da piscina do que este mimo, mais a mais em versão aumentada e com a minha canção favorita da banda? He´s searching, she´s showing, see him held in a deep deep spell, he knows she´s glowing, I can find within my mind a way to go, I can look deep into your life and shout "hold me, hold me, hold me, hold me, hold me"...

Este merece uma menção porque me valeu um comentário curioso da parte da Mrs. C: "gabo-te a pachorra, sentado para aí a curtir umas guitarradas com este sol e a piscininha lá fora!".

Nas palavras do Doutor Carlinhos, um momento perfeito. Fusili frios com frutos tropicais, minis à fartazana, 40º à sombra, céu azul e gente bonita. Melhor do que isto só o Porto a ganhar a Champions. All for freedom and for pleasure, nothing ever lasts forever, everybody wants to rule the world!


Photobucket - Video and Image Hosting

Hélas, foi este o n.º 1 indiscutível das férias, o power-play absoluto, o mais pedido e o mais tocado. Agora o Wickie! Agora a Abelha Maia! Agora a Heidi! Agora o Rui! Leva para o carro! Leva para casa! Põe outra vez! Quem é que manda, afinal?

09 setembro 2006

Quote of the day - Radiohead / Bullet proof... I wish I was

Limb by limb and tooth by tooth
tearing up inside of me
Every day every hour
I wish that I was
Bullet proof

Quem não gostaria de ser à prova de bala?

07 setembro 2006

Power plays de umas férias

Regressada de férias e de volta à labuta, a C-70 resolve partilhar com o seu vasto auditório algumas coisas que leu e ouviu lá para os lados de Vila do Bispo nestes 15 dias (uma vez que o que viu se resumiu à missa de segunda feira à noite na 2).
Como parece que o Blogger está armado em parvo (acaba de me actualizar o post que escrevi há mais de 15 dias), hoje fico pelas leituras. Uma das maiores inanidades que li nos últimos anos. Consegui aguentar até ao fim das 158 intermináveis páginas pela curiosidade de ver onde chegava a patetice, e já me esqueci. Miserável.

E se em plena 2ª GM os EUA tivessem escolhido para presidente Lindbergh, o aviador herói pró-nazi condecorado por Hitler himself, em vez de darem um terceiro mandato a Roosevelt? Brilhante. (a título de curiosidade, refira-se que comprei o livro em inglês porque custava menos de metade do que custava a edição portuguesa) .

E evidentemente, os números de Agosto da Mojo e da Uncut. Comprados à pressa na manhã da partida num estaminé ali para os lados de Cedofeita, que até parece que também vende discos. Sem direito a foto porque nos sites respectivos já brilha o número de setembro.
E sejam muito bem vindos!