18 setembro 2007

Nights in white satin and dawns in hot sausage


ACTO I

(Espaço: à porta do Batô;
Tempo: uma sexta feira de verão, por volta das 03.00, circa 1999)

Quatro jovens bem parecidos e na flor da idade preparam-se para tentar entrar numa discoteca cheia sem companhia feminina; um deles convenceu os outros três de que utilizaria perante o porteiro um argumento decisivo e infalível.
Tocam. O porteiro espreita, vê que são quatro gajos e faz que não com a cabeça. O jovem argumentativo não se fica. Bate à porta e pede para falar. O porteiro anui, com cara de quem não vai fazer fretes. O argumentativo dipara:
- É que eu sou amigo do Zéquinha...
O porteiro para e medita: "mas quem c****** é o Zéquinha???", pensa. Lembra-se depois que é o DJ; "claro, este cromo não ia dizer que era amigo do barman." Ri-se e volta a dizer que não. O argumentativo insiste:
- Não sei se percebeu, eu sou amigo do Zéquinha, ele está hoje a pôr música e disse-me para aparecer, que não ia haver problema... Se quiser pode ir chamá-lo.
"Só me faltava esta agora, este deve querer que a música pare para o gajo lhe vir aqui dar um abraço".
- Não amigo, lamento mas hoje não pode ser, sabem muito bem como a casa funciona.
Os outros amigos tinham-se chegado para longe da vista do porteiro, com medo de não voltarem a entrar ali nem com a Kournikova pela mão. O argumentativo permanece inconformado junto à porta, e repete baixinho
- Mas eu sou amigo do Zéquinha...
Desistem e bazam.

ACTO II
(Tempo: meia hora mais tarde;
Espaço: junto às roulottes de cachorros do castelo do queijo)

O argumentativo pede um cachorro completo à menina, cujos cabelos amarelos-escuros exibem umas raízes tão pretas como os poucos dentes que ainda lhe restam. A conversa com o porteiro deixou-o faminto. Ela ri-se toda, pisca-lhe o olho e prepara a encomenda. Vai-se rebolando, insinuante e marota, entre salsichas, cebola e tudo o mais a que o nosso herói tem direito. E então a magia acontece: irrompe no éter uma melodia que por esses dias invadia Portugal. A salsicheira dengosa abana-se, sorri atrevida para o moço sensual e canta-lhe:
-"Estou fazendo amor com outra pessoa, mas meu coração vai ser 'prá sempre seu..."
Acabámos os cachorros e fomos à nossa vida. Há suspeitas mais ou menos fundadas de que após ter sido deixado à porta de casa o argumentativo apanhou um Taxi e voltou às roulottes. Chegou, assobiou, piscou o olho à salsicheira e partiram para uma noite louca de paixão. O resto é uma lenda urbana.

8 comentários:

xana disse...

fantástico :)

Ricardo Nascimento disse...

Ainda hoje o argumentativo julga que "aquecimento global" tem a ver com aquela salsicheira...

Mas das noites míticas, aguardo que um dia sejam escritas as grandiosas e inauditas aventuras e desventuras da noite em que nasceu o "menino". Decerto será uma espécie de biblía da perdição.

Anónimo disse...

Exijo já um acto III escrito por Ricardo Salazar

Ricardo Salazar disse...

Nos termos do direito de resposta, cumpre informar que:

1. a salsicheira era merche silva, actual romero.

2. José encontrava-se embriagado e tinha estado aos beijos a ricardo ( o do nascimento do menino ) enquanto orlando filmava o que hoje pode ser visto no YouTube em "rapazes com cueca tigresse em leça";

3. Comi um hamburguer. Não como cachorros em roulottes, nem caniches dentro de armários.

ACTO III

No fim da noite, o argumentativo armado com uma caçadeira de canos serrados voltou ao citado local de diversão nocturna, fazendo uma matança que ficou lendária, tornando a noite do porteiro negra.

Apenas zéquinha escapou porque quem tem amigos e não escreve posts malvados safa-se sempre...

Quem escreve posts é melhor não aparecer na universidade, nem mexer uma "palha"...

verde disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
verde disse...

"Estou fazendo amor com outra pessoa, mas meu coração vai ser 'prá sempre seu..." Uma música claramente marcante para toda a nossa geração. :) É linda a melodia e particularmente rico o conteúdo. Gosto, pronto. Acho que é de homem estar a encornar a namorada e, no mesmo momento, a dizer que a ama. Mostra uma certa pureza de alma. Lindo! :)))))))))))))))))

Ricardo Nascimento disse...

Ok, se querem a verdade e só a verdade, so help me god, o argumentativo não comeu a salchicheira, antes foi comido pelo "moreno" dos hamburgers. Lembro-me como se fosse hoje, que o "gay dworf pagodeiro" amigo de zéquinhas, cantarolou: "Você é um negão de tirar o chapéu/ não posso dar mole senão você créu"...

Anónimo disse...

Caro Ricardo Salazar,

Muito maargarida rebelo pinto este III acto. Esperava algo bem mais porno-dada-surrealista. Mas ainda assim disfrutei.

Obrigado