04 junho 2006

Balanço intercalar 2006

A brincar a brincar, 2006 já vai quase a meio. E o que tem saído, mais o que está para sair, faz antever que o ano vai ser assim-assim. Como diria o sábio Gabriel Alves "nem bom nem mau, muito antes pelo contrário". Vejamos algumas coisas que andam pelo ar e que têm tratado de gastar a bateria ao meu leitor MP3. Com a ressalva de que em alguns casos se trata de primeiras ou segundas impressões, sujeitas a alteração após audições mais atentas.
Amanhã, dia 5, é posto à venda Riot City Blues, o novo dos Primal Scream. E a C-70 está em condições de garantir que está GRANDE MALHA. Deixaram-se de merdas, voltaram a escrever com vogais e a fazer rock'n roll puro e duro, e o resultado é uma espécie de Give out but don't give up para melhor. Não vão com toda a certeza levar o prémio "originalidade" ou "novas tendências" de 2006, mas se houver outro disco tão divertido como este, ou que me faça dar tantos pinotes enquanto preparo o jantar, o ano já não será nada mau.
Primal Scream - Country Girl
Já o mesmo não posso dizer da estreia a solo de Thom Yorke, vocalista dos Radiohead. The eraser, com edição prevista para Julho, é uma seca. A banda já tinha feito este disco há uns anos e bem melhor do que tu, ó Thom. Para que te foste meter nisto? Para que precisamos nós de mais não sei quantos Idiotheques e de outros tantos Everything in its right place? Para nada, não é? Pois é, jovem. Tens que pagar as contas, não é? A gente até compreende, mas não esperes que compre. Saca e é um pau.
Também sem ser demasiado original - que é como quem diz, a fazer a mesma coisa desde há uns bons 10 anos -, Stuart A. Staples acaba de dar ao mundo o seu segundo álbum a solo em dois anos. Chama-se Leaving Songs, e pese embora a sensação "onde é que eu já ouvi isto?", o resultado é bem mais satistfatório do que o do rapaz de Oxford com olho de peixe. E bem mais satisfatório, aliás, que o seu disco do ano passado, que era apenas uma colecção de canções que foram sendo gravadas sem grande nexo. Pop vintage, em versão orquestral ou mais inimista, na tradição dos melhores Tindersticks, muito bem composta, muito bem arranjada e muito bem interpretada com aquela voz de quem está quase a tomar a caixa completa de valiums para acompanhar a 2ª garrafa de bourbon. Em resumo, um belo disco.
No capítulo bandas com nomes esquisitos (que normalmente me tiram a vontade de ouvir os discos), os novaiorquinos Asobi Seksu (expressão que segundo o site oficial é japonês para "playful sex"... the kinky little bastards!) estão bem colocados para ganharem o troféu do ano. O seu novo Citrus, talvez disponível em aromas lima e limão, só me desagrada nalguns momentos em que me soa muito ligeiramente aos felizmente defuntos Cranberries. No resto, há uns pozinhos de My Bloody Valentine, de Lush, de Blonde Redheahd (provavelmente por terem uma vocalista japonoca) e de outras coisas na órbita do shoegaze. Uma banda a ouvir e a seguir.
Asobi Seksu - Walk on the moon (do álbum anterior)
Outra nova banda (para mim, pelo menos) são os bizarros e barulhentos Think about life. Abusam um bocado da distorção e do órgão, mas têm piada. Clap your hands say yeah + They might be giants + Monkees + Beck. Ou basicamente tudo à mistura. Podem vir a ser mais interessantes se atinarem e deixarem de querer ser os engraçadinhos da turma. Mas merecem uma audição, quand même.
Think About Life - Paul Cries (live @ Montreal, May 2006)
E para, literalmente, acabar em beleza falta falar das Pipettes, ou não se definissem as moçoilas como the prettiest gils you've ever met. Vamos acreditar que é uma chalaça para rimar com We are the pipettes, que por sinal é o nome do álbum. Pop mais pop não há, e garanto-vos que este verão hão-de ouvir muito esta nova versão das Ronnettes, Supremes, Bananarama ou Spice Girls (de acordo com a vossa disposição e gosto por girls' groups). Quase tão certo como daqui a um ano ninguém se lembrar que esta banda alguma vez existiu.
The Pipettes - Your kisses are wasted on me

7 comentários:

eduardo disse...

Dos Primal Scream só ouvi o single e pelos vistos vão voltar a tentar imitar os Stones para mal dos meus pecados.

Thom Yorke e Stuart Staples não fazem o meu género.

Asobi Seksu é curtido e não podia estar mais de acordo com as comparações.

Think About Life - creio que ainda não ouvi mas posso estar enganado dada a quantidade de novas bandas que se descobre diariamente.

Pipettes: ao menos dá para rir?

Joe disse...

Edu, não é preciso mudar a face da música para fazer bons discos... Eu sei como te insurges contra as bandas que têm um som "colado" ao de outras, mas no caso dos PS nem me parece que seja assim tanto o caso. É claro que os stones são a influência mais notória, mas quando se fazem canções tão boas como o Rocks, o Jailbird ou este single, será qie isso importa assim tanto?
E as Pipettes são umas porreiras, sim. Ainda vais vender muitos disquinhos das meninas...

Pseudo disse...

Não resisti a ouvir e a ouvir as Pipettes que de facto me fizeram abanar as ancas e tal...são giras para o verão, sim senhor!

eduardo disse...

o que me custa nos Primal Scream é o facto de se acomodarem a tocar umas rockalhadas quando já fizeram discos mais experimentais com melhores resultados, do meu ponto de vista, é claro.

Joe disse...

Infelizmente não é todos os dias que sai um Screamadelica, caro caapitão... E sinceramente, já não tenho muita paciência para cenas tipo XTRMNTR (nunca ouvi o Evil heat todo, mas do que conheço dá-me a ideia de não ser tão agressivo). Este disco novo pode ser pouco arriscado e inovador, mas está com um gás do caraças e é muito divertido. No panorama actual, e considerando que ando a perder a pachorra para coisas demasiado radicais, já acho isso bem bom.

armando disse...

de facto lembro-me de ouvir muitas vezes o "give out but..." e realmente era uma malha. se este último (que ainda não ouvi) não enveredar por coisas mais experimentais como as que ouvi mais tarde, os nossos amigos primal scream merecerão, vom toda a certeza, os meus aplausos.
já ouvi o último dos asobi seksu e, a mim, que não sou um fã incondicional do shoegaze, pareceu-me um disco muito bem calculado.

Anónimo disse...

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