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27 novembro 2008

a vizinha do lado

Os Mystery Jets são sérios candidatos ao caneco "single pop do ano", com esta ode à miúda que mora duas portas abaixo. Desde há uns dias que ouço isto repetidamente sem me cansar, é verdadeiramente viciante.
Se não fosse demasiado preguiçoso teria colocado só a canção, e não o péssimo clip que a acompanha, absurdamente mal feito em todos os aspectos possíveis e a remeter de forma cabotina para um imaginário "80's-kitsch" que não faz o mínimo sentido. Se puderem ouvir sem ver ficam a ganhar.

13 novembro 2008

high infadelity

No próximo sábado vamos ter animação na Imbicta. Ou mais concretamente no Plano B, onde actuam os Infadels, acabadinhos de lançar o 2º álbum. O primeiro disco desta rapaziada foi um dos melhores de 2006 para a conceituada lista de fim de ano da C70. E ainda que não haja neste disco uma canção tão boa como a sobre-excelente Girl that speaks no words, a verdade é que o dito disco não está mesmo nada mau.
E há mais: na primeira parte vão estar os lisboetas You should go ahead, que eu não conhecia mas que pela amostra do MySpace parecem bem catitas. E ainda podemos disfrutar do bom gosto musical deste cavalheiro, que depois dos concertos vai estar a dar música a quem o quiser ouvir.
Swell, innit?

Infadels : Free things for poor people

You should go ahead : like when I was seventeen

07 novembro 2008

down under

São quatro meninas e um caramelo (o da bateria) que parece saído de um clip antigo da Madonna e chamam-se TeenagersinTokyo. Ainda não editaram o 1º álbum, mas acho que nos próximos tempos vamos ouvir falar deles.
Depois dos Cut Copy, esta é a segunda banda australiana que me agrada bastante em 2008. O outro lado do mundo tem fabricado produtos com relativo sucesso na franja do pop/rock-musculado-a-armar-ao-indie, como os Datsuns, Vines, D4, Jet ou Wolfmother. Uns melhores outros piores, nada que tenha deixado grandes marcas. Espero que estes sejam bons sinais e que a coisa mude - os Taken by Cars, mui apreciados neste tasco (fachavôr conferir aqui), também vêm de perto. Não me cheira que a grande geração do início dos 80's (de onde saíram o mestre Nick Cave, os Go-betweens ou os Triffids, e de que os Apartments foram talvez os únicos dignos representantes nos últimos anos) tenha ainda sucessores à altura, mas há 10 anos também ninguém diria que o Canadá se iria tornar na nova Meca do indie.
Fiquem com este ultra-energético Very Vampyr como aperitivo para o fim de semana. E divirtam-se.


04 novembro 2008

Black Power

Um dos discos mais boa onda deste ano da graça de 2008 vem de Jacksonville, Florida. Chama-se Partie Traumatic, foi produzido pelo ex-Suede Bernard Butler e é obra dos Black Kids. Mais uma banda que começou com umas musiquinhas no MySpace e de um dia para o outro deu o salto da liga dos últimos para a Liga dos Campeões. É impossível a qualquer animal de sangue quente não bater o pé e/ou abanar a anca quando ouve coisas como este I'm not gonna teach your boyfriend how to dance with you ou o Look at me (when I rock wichoo) que podem ver mais aqui em baixo. É viciante.
Este já tem lugar cativo na lista de fim de ano.

18 abril 2008

manila rocks

Não se fala muito das Filipinas, e quando se fala não costuma ser por grandes razões. Habitualmente tem a ver com (i) catástrofes natutrais, (ii) ditadores casados com proprietárias de milhares de pares de sapatos ou (iii) profissionais liberais (ou não) de um certo e determinado sector.
Até há pouco tempo a única associação das Filipinas ao rock era o guitarrista de uma das melhores bandas de todos os tempos, homónimo deste vosso amigo, a quem Black Francis gritava "rock me, Joe!" a meio do clássico Monkey gone to Heaven. Ora bem, há tempos, e graças ao astronauta, travei conhecimento com uma banda chamada Taken by cars que, pondo as coisas de uma foma simples e concisa, É DO CARAÇAS. Ou gastando mais palavras, é do melhor que tenho ouvido ultimamente. Fazem lembrar uns Franz Ferdinand mais musculados ou uns stellastarr* mais dançáveis, com umas guitarras à Pixies, uma batida à New Order dos primeiros tempos, e uma vocalista que volta e meia (ok, é estranho...) me faz lembrar a Edie Brickel (lembram-se?).
Oiçam o single Uh Oh, e digam lá se não é bestial. E o melhor é que o álbum mantém a qualidade e o groove praticamente do princípio ao fim. Parece-me que vai ser um dos discos a rodar mais lá por casa em 2008.
Um bom fim de semana, e votos de muitos milhões de kompensans no domingo à noite por todo o Portugal continental, ilhas e territótrios ultramarinos.

31 março 2008

bandeiras ao vento

Em dia propício ao hasteamento de bandeiras, e antecipando o grande surto de bandeiras ao vento que é esperado no próximo sábado a partir das 20.45h no mais belo estádio do mundo, a C-70 deixa aqui uma amostra daquele que é, para já, o seu disco preferido da colheita de 2008. Mais ou menos como se os Arcade Fire soassem um bocadinho a Sound ou a Psychedelic Furs.



Boa semana, gente boa.

13 fevereiro 2008

o bolo em cima da cereja

Já se sabia que a menina que aqui em baixo canta (pronto, QUASE que canta) uma das melhores canções dos 80's com uma das melhores bandas dos 80's tinha resolvido gravar um disco. Ficamos agora a saber que não é nada pêca a escolher as companhias. Ora vejam lá.
Assim também eu faço discos, ora porra. E mais, sou gajo e sou feio.

Não é fixe a maneira como ela diz "háááánnyyy"? Lá está, ele há gente a quem tudo se permite e fica bem.

01 fevereiro 2008

we are young, we are free... or sort of

Os Supergrass mereciam ser mais conceituados e reconhecidos fora de Inglaterra. Não farão exactamente parte do meu top-10 pessoal, mas são uma boa banda de rock que se tem mantido desde há mais de 10 anos a um muito bom nível. Talvez nenhum dos 5 álbuns que editaram seja uma obra-prima, mas são todos, no mínimo, muitíssimo aceitáveis. E têm singles como o Alright, o Sun hits the sky ou a extraordinária Mary, que a maior parte das bandas desta fornada da britpop mataria para ter gravado.
Em Março sai um novo álbum, que pelos vistos se vai chamar Diamond Hoo Ha. Já há single novo, que podem ver aqui. Está do caraças.
Hoje estes moços estão-me a fazer muito boa companhia, enquanto martelo no teclado e tento aprender a trabalhar melhor com o #$%&%$ do EndNote. Bem-hajam por isso. Keep on pumpin' on my stereo.

Bom fim de semana, people.

15 outubro 2007

It's indie rock'n roll to me

Apesar de haver quem os ache um bocado mariquinhas, os Nada Surf são uma das minhas bandas preferidas destes últimos 10 anos. Estranhamente ou talvez não, por cá só tiveram uma música de relativo sucesso, o na altura omnipresente Popular, saído do seu álbum mais fraco.
Os 3º e 4º álbuns desta rapaziada são um verdadeiro compêndio de indie/college rock. Têm canções quase perfeitas do princípio ao fim, sem pontos baixos, com letras excelentes e uma economia de meios notável. Algumas entram melhor no ouvido à primeira audição, outras demoram mais um bocadinho, mas são verdadeiramente vintage pop-rock.
Daí que a minha expectativa para o 5º álbum seja enorme. E daí este post: é que o site da banda informa que ele está para chegar, tal como na canção do Roberto Carlos. Chama-se Lucky, parece que tem 11 faixas e sai em Fevereiro (claro que com sorte e alguma perseverança, se calhar até chega antes.) Se quiserem ouvir a faixa de apresentação, está disponível no MySpace da banda.
Enquanto não chega, vão matando saudades de como se escreve grandes canções: Inside of love (do magnífico Let Go) e Always love (do esplêndido The weight is a gift). E não precisam de agradecer.

30 setembro 2007

Quentes e boas: M.I.A / Kala

Não tinha ficado muito entusiasmado com Bird Flu, o single de apresentação do novo disco de Maya Arulpragasam, a cingalesa filha de um Tigre Tamil, refugiada em Londres e que assina os discos como M.I.A. Mas para além de ter reavaliado o dito cujo, que se revelou uma canção bem mais contagiante do que parecia à primeira vista, a audição de Kala, o novo disco da menina, deixou-me abananado. E ela avisa na faixa de abertura: "M.I.A. is coming back with power-power!"
Não sou, declaradamente, um grande apreciador das produções mais dançáveis, nem de exageros de fusões etno-pop. Mas esta mistura de ritmos afro-hindi-brasileiros com umas pitadas de rock e de rap é irresistível em qualquer pista de dança (sendo que a cozinha entra no meu conceito, bastante amplo, de pista de dança). Com uma paleta de sons bem mais diversificada do que o excepcional Arular (um dos meus discos preferidos de 2005), este disco não vai com certeza desiludir quem já tinha gostado dessa estreia brilhante, e ainda é bem capaz de arrebanhar mais ovelhas para a causa. De resto, as apreciações à actuação em Coura foram mais do que positivas.
Uma última nota, nada secundária, tem a ver com as inesperadas e surpreendentes referências/colagens a gente tão ilustre como Jonathan Richman, os Pixies, os New Order e os Clash, traduzidas nas citações de Roadrunner e Where is my mind e na samplagem de Blue Monday e Straight to hell. E esta, hein?
8,5/10

23 maio 2007

What goes on

Do caraças!, é o que se pode dizer dos singles novos dos Interpol (The Heinrich Manouver) e dos Editors (The smokers outside the hospital door) - este último em destaque aqui em baixo para deleite de V. Exas. Épicos e grandiosos. Estarão com certeza na lista C-70 das melhores canções do ano.
Ainda quanto a novidades, Icky Thump, o avanço para o novo dos White Stripes é uma grande desilusão. Parece escrito de improviso e gravado ao primeiro take, entre umas cervejas e dois discos dos AC/DC. Até pode ser que me habitue, mas para já parece-me banal e desinspirado. Outra desilusão é Bird Flu, o novo da nossa querida M.I.A. Muito longe dos gloriosos Galang ou Sunshowers.
Ainda não decidi se gosto ou não do single novo dos Chemical Brothers. Do it again soa demasiado a uma cópia de Sexyback (o do Justin), mas menos divertida. De qualquer forma, a versão radio edit é melhor do que a que têm aí linkada, que por demasiado longa perde o assunto a meio.
Recomenda-se vivamente a todos a audição, compra, gravação ou sacanço de Version, novo álbum de Mark Ronson. Como o nome indica, é um disco composto sobretudo por versões de canções que já conhecemos, aqui em versões lounge/big beat/ swing muito bem esgalhadas. Vai desde o antigo (Jam) ao recente (Kasabian, Zutons, Kaiser Chiefs, Maximo Park), passando pelos Radiohead e até pela Britney. Um dos pontos altos (a par das interpretações de Lily Allen e Amy Winehouse) é este Stop me, original dos Smiths aqui misturado com o clássico You keep me hanging on (já cantado por toda a gente das Supremes a Kim Wilde e passando por Lou Reed)
Só para terminar, referência a duas belas covers que andam por aí: os Killers (banda de que eu continuo a gostar muito, por muito que lhes chamem azeiteiros) gravaram Shadowplay, dos eternos Joy Division, para a BSO do biopic de Ian Curtis, recentemente apresentado em Cannes; e os Franz Ferdinand fizeram o mesmo a All my friends, novo single dos LCD soundsystem, mas aqui para sair como lado-B. Desta última não há cópia disponível, mas vai o original que é para ninguém se queixar.

E fiquem todos muito bem.

16 abril 2007

Play-doh rock'n roll

Adivinha: qual é a coisa, qual é ela, que é melhor do que uma banda de garage-rock
Resposta: uma banda de garage-rock só com gajas,
giras,
francesas,
com tipo 20 anos.

E depois dizem que Deus não existe.


Les Plasticines - Loser (clip)

06 janeiro 2007

Pela amostra...

...parece que 2007 vai ser um ano como deve ser.

Já anda por aí há algum tempo o futuro Bloc Party, chamado A weekend in the city. Ainda não o ouvi com a atenção que merece o sucessor desse colosso chamado Silent Alarm, mas tenho gostado bastante do que tenho ouvido - ao contrário da maioria das críticas, quase unânimes no bota-abaixo. Parece-me que vai ganhando com cada nova audição e à medida que vamos conhecendo as canções, tal como acontecia com o seu antecessor, longe de ser um disco imediato (embora hoje me pergunte como é que não me entrou logo). Se é um sucessor digno ou não, logo se verá.

Mais recentemente, apareceu no ar o futuro LCD Soundsystem, que pelos vistos se chamará Sound of Silver. E bem se podia chamar Sound of Platinium, porque está potentíssimo. Não quero ser precipitado, mas parece-me melhor do que o anterior, e desde já um forte candidato ao caneco de 2007. Não por acaso, uma influente figura do rock tuga dizia no Fórum Sons que este era o melhor disco de... 2006. Entre piadas a quem pensa que eles são ingleses e declarações de amor a NY, o rapaz James lá vai arrancando umas pestanas, e a gente vai batendo o pé.

Neste preciso momento estou a ouvir o disco de estreia dos Grinderman, de que já tinha falado há uns meses. Estas coisas precisam sempre de algum tempo para amadurecer, mas há uns anos que a primeira audição de um disco deste homem não me soava tão bem. E isso é muito reconfortante. Não há propriamente uma mudança de estilo em relação ao que fazia com os Bad Seeds, nem um regresso radical à atitude blues hardcore do início de carreira, mas parece ter bem mais "guts" do que as últimas coisas feitas pelo cavalheiro Nicholas Edward Cave. And that's the way we like him.

Mas há mais. Está para breve o álbum dos The good, the bad and the queen (pergunto-me quem será quem), o novo devaneio de Damon Albarn, agora com o baixista mais cool da história do rock (sim, o que aparece a partir o instrumento - salvo seja - na capa do London Calling) e Tony Allen, o baterista de Fela Kuti que se diz ter sido o inventor do afrobeat. É um dos discos mais antecipados dos últimos anos, o que normalmente não joga muito a favor da recepção que acaba por ter (aposto que vai ter 5 estrelas na Uncut, vai ser apregoada como o disco salvador do Sec. XXI, e depois ninguém se vai lembrar dele nas listas de fim de ano). Por mim, espero que seja melhor do que prometem os dois singles de estreia, que ainda não me convenceram. Cheira-me a muito hype e pouca uva. Também estão para chegar (literalmente a chegar, if you know what I mean) os novos dos Air e da simpática Carla Bruni. Em teoria, pelo menos, parecem ser boas notícias. Let's wait and see.

Bom dia de Reis para todos.

12 dezembro 2006

O vento é ruim e os casamentos foleiros, mas a música é do caraças

Não desfazendo da boa produção nacional, a C-70 alerta o seu auditório para um facto: dois dos melhores discos de 2006, cantados em inglês e tudo, vêm da terra dos caramelos e do torrão. Para quem não está cansado de post-punk, recomendamos...








Cat People - Reel #1












Femme Fatale - Femme Fatale

07 novembro 2006

Grinderquê????

E esta, hein?...

Ó faxavor de conferir aqui o que o nosso querido Nick the Stripper tem andado a fazer. Pela amostra dá a ideia que regressamos a terrenos próximos do First born is dead, o que está longe de ser uma má notícia. Esperemos para ver.

26 setembro 2006

Come on Lily

Cada vez curto mais esta cachopa


e já agora, as músicas dela também.

Aqui na C-70 convivemos bem com o sucesso comercial de quem merece. E ela merece.

04 junho 2006

Balanço intercalar 2006

A brincar a brincar, 2006 já vai quase a meio. E o que tem saído, mais o que está para sair, faz antever que o ano vai ser assim-assim. Como diria o sábio Gabriel Alves "nem bom nem mau, muito antes pelo contrário". Vejamos algumas coisas que andam pelo ar e que têm tratado de gastar a bateria ao meu leitor MP3. Com a ressalva de que em alguns casos se trata de primeiras ou segundas impressões, sujeitas a alteração após audições mais atentas.
Amanhã, dia 5, é posto à venda Riot City Blues, o novo dos Primal Scream. E a C-70 está em condições de garantir que está GRANDE MALHA. Deixaram-se de merdas, voltaram a escrever com vogais e a fazer rock'n roll puro e duro, e o resultado é uma espécie de Give out but don't give up para melhor. Não vão com toda a certeza levar o prémio "originalidade" ou "novas tendências" de 2006, mas se houver outro disco tão divertido como este, ou que me faça dar tantos pinotes enquanto preparo o jantar, o ano já não será nada mau.
Primal Scream - Country Girl
Já o mesmo não posso dizer da estreia a solo de Thom Yorke, vocalista dos Radiohead. The eraser, com edição prevista para Julho, é uma seca. A banda já tinha feito este disco há uns anos e bem melhor do que tu, ó Thom. Para que te foste meter nisto? Para que precisamos nós de mais não sei quantos Idiotheques e de outros tantos Everything in its right place? Para nada, não é? Pois é, jovem. Tens que pagar as contas, não é? A gente até compreende, mas não esperes que compre. Saca e é um pau.
Também sem ser demasiado original - que é como quem diz, a fazer a mesma coisa desde há uns bons 10 anos -, Stuart A. Staples acaba de dar ao mundo o seu segundo álbum a solo em dois anos. Chama-se Leaving Songs, e pese embora a sensação "onde é que eu já ouvi isto?", o resultado é bem mais satistfatório do que o do rapaz de Oxford com olho de peixe. E bem mais satisfatório, aliás, que o seu disco do ano passado, que era apenas uma colecção de canções que foram sendo gravadas sem grande nexo. Pop vintage, em versão orquestral ou mais inimista, na tradição dos melhores Tindersticks, muito bem composta, muito bem arranjada e muito bem interpretada com aquela voz de quem está quase a tomar a caixa completa de valiums para acompanhar a 2ª garrafa de bourbon. Em resumo, um belo disco.
No capítulo bandas com nomes esquisitos (que normalmente me tiram a vontade de ouvir os discos), os novaiorquinos Asobi Seksu (expressão que segundo o site oficial é japonês para "playful sex"... the kinky little bastards!) estão bem colocados para ganharem o troféu do ano. O seu novo Citrus, talvez disponível em aromas lima e limão, só me desagrada nalguns momentos em que me soa muito ligeiramente aos felizmente defuntos Cranberries. No resto, há uns pozinhos de My Bloody Valentine, de Lush, de Blonde Redheahd (provavelmente por terem uma vocalista japonoca) e de outras coisas na órbita do shoegaze. Uma banda a ouvir e a seguir.
Asobi Seksu - Walk on the moon (do álbum anterior)
Outra nova banda (para mim, pelo menos) são os bizarros e barulhentos Think about life. Abusam um bocado da distorção e do órgão, mas têm piada. Clap your hands say yeah + They might be giants + Monkees + Beck. Ou basicamente tudo à mistura. Podem vir a ser mais interessantes se atinarem e deixarem de querer ser os engraçadinhos da turma. Mas merecem uma audição, quand même.
Think About Life - Paul Cries (live @ Montreal, May 2006)
E para, literalmente, acabar em beleza falta falar das Pipettes, ou não se definissem as moçoilas como the prettiest gils you've ever met. Vamos acreditar que é uma chalaça para rimar com We are the pipettes, que por sinal é o nome do álbum. Pop mais pop não há, e garanto-vos que este verão hão-de ouvir muito esta nova versão das Ronnettes, Supremes, Bananarama ou Spice Girls (de acordo com a vossa disposição e gosto por girls' groups). Quase tão certo como daqui a um ano ninguém se lembrar que esta banda alguma vez existiu.
The Pipettes - Your kisses are wasted on me

28 março 2006

Qual é a coisa, qual é ela..

que é cinzenta, grande e pesada,

maior do que um rinoceronte mas mais pequena que o estádio do Dragão,
que é nome de editora espanhola,
que já foi álbum dos White Stripes e filme do Gus van Sant,
e tem fama de se parecer demasiado com os Interpol?

A C-70 ouviu o novo álbum dos Elefant (The Black magic show), e as primeiras impressões são francamente agradáveis. Como somos amigos do nosso amigo, deixamos um rebuçadinho aos frequentadores da casa: nada menos do que o vídeo de Lolita, o primeiro single. Juntando à capa do álbum este título sugestivo, a letra da canção ("when you wear those pretty dresses I forget the girl in you", "She is such a wicked child, painted lips, dirty knees") e o facto de o vídeo ter umas mamocas ao léu (ooops...), concluímos que os rapazes se estão a arriscar. E que a Classe de 70 quer aumentar as audiências.

08 março 2006

Pumpin' on your stereo

A C-70 está por casa com gripe. E aproveita para fazer algum tuning no blogue (para o que contou com a preciosa colaboração desta senhora). Inaugura-se assim uma nova rubrica, cujo título homenageia (de forma singela mas sentida) uma das melhores bandas subvalorizadas do britpop.
Os mais atentos repararam que por baixo da foto do senhor pregado ao carocha (um dia destes trataremos dele) tendes agora um leitor, em que poderéis escutar os brindes que o vosso amigo vos vai deixando. Para começar, e porque festa é festa, fica uma amostra do desesperadamente ansiado (e tão novo que ainda não saiu) segundo disco dos YYYs, que se chamará Show your bones. Esta chama-se Dudley (dizem...) e é uma das minhas preferidas.
Enjoy!

23 fevereiro 2006

Glasgow-2 Seattle-1

Por enquanto o ano musical não tem sido muito entusiasmante. Depois da desilusão Strokes e enquanto se aguarda ansiosamente os novos Yeah Yeah Yeahs e Grandaddy (no caso dos segundos será o último), só dois discos me causaram alguma impressão.
O primeiro está à vossa esquerda. Uma colecção de duetos entre Isobel Campbell, a angélica ex-B&S, e Mark Lanegan, o ex-Screaming Tree que detém o título de pesos pesados na categoria "cantor-rock-contemporâneo-com-a-carreira-mais-irrepreensível-dos-últimos-anos". A menina da voz pastoral e o cavalheiro-pregador da voz de bagaço. Na tradição das grandes referências do género (Gainsbourg/Birkin, Lee Hazlewood/Nancy Sinatra), Ballad of the broken seas é um belo e bonito disco que sabe bem ouvir em qualquer altura do dia ou da noite, na praia e no campo, faça chuva ou faça sol. .
O segundo pertence à banda homónima do Gremlin que se apresenta à vossa direita. O disco chama-se Mr. Beast e parece-me (depois de 2 ou 3 audições) do melhor que os Mogwai têm feito. Mais fácil de digerir do que algumas avarias anteriores dessa rapaziada extravagante, nem por isso é menos poderoso do que coisas como Rock action ou Come on die young.
Tudo isto me faz pensar nas palavras iluminadas que uma vez ouvi ao Padre Basaúla, um franciscano que há mais de trinta anos evangelizava salmões numa aldeia do sopé do monte Fujiyama. Dizia ele, com a autoridade dos simples e dos omniscientes: rock is rock if you give it a shot, rock is rock if you like it or not.