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05 março 2009

Doom Vigilantes

Hoje estreia um dos filmes que mais tenho aguardado nos últimos tempos, que adapta ao cinema uma das mais célebres e conceituadas novelas gráficas (é como as pessoas finas hoje em dia chamam aos comics) de sempre: Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons. Entre vários enredos principais e secundários, fala-nos de um grupo de vigilantes reformados (ou quase), sob uma ameaça misteriosa num 1985 alternativo em que a 3ª guerra mundial está iminente. A accção principal desenrola-se a partir do assassínio de um deles, e é permanentemente pontuada por flashbacks e por mudanças no narrador. Além disto, é ocasionalmente salpicada por um "comic dentro do comic", um livro de piratas que um rapaz lê continuamente, sentado no chão e encostado a uma banca de revistas, e que ajuda em muito ao negríssimo tom da história principal (no melhor estilo poético-apocalíptico da pena de Alan Moore, de quem até agora apenas tinha lido o extraordinário V for Vendetta). Tudo contribui para que seja dos livros mais viciantes e absorventes que me chega ás mãos nos últimos tempos.

Por coincidência, ou talvez não (a reedição do livro está com certeza ligada com o lançamento do filme), um amigo generoso, de gosto requintado e grande sabedor destas coisas, ofereceu-me há pouco esta preciosidade. E como ainda não acabei de o ler, não quero estragar o gozo que me está a dar vendo uma versão necessariamente mais curta e condensada, e sabendo antes do tempo segredos que é suposto só conhecer daqui a umas 200 páginas (é verdade, são cerca de 350 páginas de comics mais umas 60 de texto). Por isso, e só por isso, não vou já esta tarde ver "Os Guardiães". Mas a manter-se este ritmo, cheira-me que a meio da semana que vem já estarei pronto.

E por falar em vigilantes, fiquem lá com esta. Bom fim de semana para todos, e não se esqueçam que logo à noite a Mão volta a atacar na Imbicta.

New Order - Love Vigilantes (Live in Japan, 1985)

20 dezembro 2008

Olhá lista!! - 1ª parte: filmes do ano

E pronto. A C70 começa aqui a cumprir aquela que é a obrigação de qualquer blogue que se preze: fazer o balanço do ano que está a acabar, dizer do que gostou mais, do que gostou menos e do que não gostou mesmo nada. E considerando que aqui se fala quase exclusivamente de música, nada como começar por falar de cinema.
Uma nota apenas: a lista tem em conta os filmes que foram vistos em salas de cinema em 2008, incluindo naturalmente alguns produzidos em 2007 e mesmo um de 2006.
Ora aí estão os 15 filmes mais apreciados chez Joe nestes últimos 11 meses e 2/3.

15 - Bolt (Byron Howard, Chris Williams)
14 - No vale de Elah (Paul Haggis)
13 - O orfanato (Juan Antonio Bayona)
12 - Este país não é para velhos (Joel Coen)
11 - Juno (Jason Reitman)
10 - Wall-E (Andrew Stanton)
9 - O comboio das 3.10 para Yuma (James Mangold)
8 - Haverá sangue (Paul Thomas Anderson)
7 - Gomorra (Matteo Garrone)
6 - 12:08 a este de Bucareste (Corneliu Porumboiu)
5 - Aquele querido mês de Agosto (Miguel Gomes)
4 - Em Brugges (Martin McDonagh)
3 - Mist - nevoeiro misterioso (Frank Darabont)
2 - Antes que o diabo saiba que morreste (Sidney Lumet)

and the C70 oscar goes to...


Do outro lado (Fatih Akin)

O filme de que mais gostei este ano fala dos encontros e desencontros da vida. Desencontros entre pais e filhos, entre culturas e linguagens, entre a pureza dos ideais e a dura realidade, entre o ímpeto e a serenidade, entre o empenho que colocamos na concretização dos nossos planos e o acaso que os impede. Um filme belíssimo, daqueles que não se esquecem e que ganham mais qualquer coisa de cada vez que nos lembramos dele.

Prémio especial "banhada do ano": Uma segunda juventude (Francis Ford Coppola); ainda hoje me pergunto como é que aquilo foi possível?

02 junho 2008

find me in the the matinée

Aqui há tempos foi constituída uma associação entre os cineclubes de algumas faculdades do Porto, da qual três membros eram os mentores do Bunker, esse saudoso blogue amigo da C70 desde a 1ª hora. Um dos principais objectivos dessa associação (a ‘Circuito’) é fazer com que a Cinemateca deixe de ser só de Lisboa e passe a ser de todo o país, dignando-se partilhar o seu acervo com a província. Acho que ninguém com um mínimo de bom seno pode deixar de achar isto uma pretensão absolutamente justa. Eu também quero ver cinema clássico no escuro da matinée.
Para isso, a Circuito está a fazer circular um abaixo-assinado. E publicou uma petição aberta à assinatura de todos, no sítio do costume. O link vai aqui em baixo.
Fáxavôr assinar e divulgar.

ABAIXO-ASSINADO A FAVOR DA ABERTURA DE PÓLO DA CINEMATECA NA CIDADE DO PORTO
"A cidade do Porto sofre de vários e complexos problemas na área da cultura, como é do conhecimento geral. No entanto, esta situação não é generalizável a todo o país. Efectivamente, Lisboa continua a usufruir de forma centralizada dos serviços de certas instituições culturais que deveriam fazer jus ao seu âmbito nacional, como, por exemplo, a Cinemateca Portuguesa, um organismo público suportado pelos contribuintes a nível nacional. No Porto, é de grande interesse público a criação de uma extensão da Cinemateca, o que permitiria acabar com a carência de exibição cinematográfica sentida na cidade, ao nível da produção anterior à década de 90...." Assinem em:



Franz Ferdinand, Dark of the matinée (Live @ T in the park, 2004)

14 dezembro 2007

ora diga lá cinco filmezinhos se faz favor. muito obrigado.

Respondendo ao desafio que o Olavo me lançou, aqui vão 5-películas-5 em que a excelência da música é indissociável da excelência do resto. Os que aqui estão foram os primeiros de que me lembrei, e portanto é claro que há 1001 filmes que podiam estar em lugar destres 5... so what?
E como pelos vistos tenho que passar o desafio a 5 pessoas, elas são, pelas mais variadas razões ou por razões absolutamente nenhumas, o Sr.Esteves, a verde (a tal que como toda a gente sabe, tem ar de quem gosta de musicais), a rtp, o reinaldo correia e a xana. Digam lá de vossa justiça.
Bom fim de semana.





16 novembro 2007

Fui

e é do caraças. Mesmo.

12 novembro 2007

01 novembro 2007

Quote of the day - Tom Waits / Downtown train

You wave your hand and they scatter like crows
they have nothing that will ever capture your heart
they're just thorns without the rose
be careful of them in the dark
oh, if I was the one
you chose to be your only one,
oh baby, can't you hear me now



Hoje revi o filme em que este homem faz de Benny, o dono do café dos bilhares.

Em que há peixes vermelhos e azuis.


Em que a Diane Lane parece que vai explodir de tão bonita e sensual e fantástica e sei lá bem o que mais.


Um filme que me deixou abananado quando tinha os meus 16 ou 17 anos. Acho que o vi no Stop.
Cortesia do Cineclube lá da casa. Os agradecimentos à direcção :)

13 setembro 2007

Know wha' I mean, know wha' I mean, say no MORE!!

O Sr. Ministro das Finanças é um querido. Tão querido que hoje depositou (admito que tenha mandado alguém depositar) na minha conta o reembolso do IRS. E eu, gastador consumista esbanjador incorrigível, fui a correr à cadeia de lojas amarelo-mostarda. E em que esportulei eu as minhas poupanças? Entre outras coisinhas, nesta caixa por que salivava há anos:


Não o best of, não o compacto, não os melhores momentos "not including the parrot sketch". Desta vez perdi a cabeça e comprei o full monty, the whole shebang, a opera omnia, as 4 séries em 45 episódios.
Quer dizer, perdi a cabeça é capaz de ser uma força de expressão. Não custou assim tanto.

Há uns tempos debatia-se em alegre tertúlia, talvez em frente a uns finos e uma francesinha após mais uma vitória no Dragão, qual o melhor sketch de sempre. E se bem me recordo, este foi votado como vencedor provisório. Quem discordar que se pronuncie, ou se cale para sempre.

01 agosto 2007

Baby baby, please let me hold you

Ainda a propósito do Ogre verde que visitei esta tarde, ali pertinho do estádio mai'lindo do mundo, o genérico final trouxe-me à memória (quem viu perceberá porquê, quem não viu que vá ver) um clip já velhinho dos Talking Heads. A canção chama-se Stay up late, e ainda que não seja muito mais do que um complemento indirecto na obra desta banda superlativa absoluta analítica, o teledisco é, para não variar, extremamente inovador para os padrões de há 22 anos (até dói dizer isto a quem comprou o álbum quando ele saiu, e hoje até o tem exposto na parede da sala...), apesar da extrema simplicidade de processos. E sobretudo é muito divertido.


11 julho 2007

If nightingales could sing like you....

Num intervalo da tarefa mais chata do mundo, só me apetece disparatar. E ninguém melhor para disparatar que os Marx Bros.
A situação não podia ser mais simples: os quatro manos são clandestinos num navio que chega ao destino, e precisam de um passaporte para desembarcar. Zeppo, o mano direitinho (por isso mesmo só fez 4 filmes) consegue roubar o passaporte de Maurice Chevalier, que também ia no barco. E cada um dos irmãos tenta, à vez, fazer-se passar pelo rouxinol francês.
Da primeira vez que vi esta cena (já lá vão umas décadas) quase tive uma apoplexia de riso. Hoje tenho que me conter para não fazer aos exames que tenho à minha frente o mesmo que Harpo faz à papelada da imigração na parte final da cena.


06 julho 2007

Get'em to the registry on time

A família C70 não pára de crescer. E desta vez não é nenhuma criança que vem aí: desta vez é o Chico. O Chico vai-se casar amanhã. E a Cristina. A Cristina também se vai casar amanhã. Curiosamente, casam no mesmo dia. Ou se calhar não tão curiosamente, dado que casam um com o outro. Ou melhor, com a outra. Mais uma maravilha do 7/7/7.
E perguntam, o que é que isto tem a ver com a C70? Tem tudo. O Chico é meu sobrinho, a Cristina vai passar a ser, oficialmente, por obra e graça do art. 1576º do Código Civil. Mais: o Chico é meu afilhado de baptismo (é verdade: em tempos a igreja chegou a reconhecer-me competência para o cargo... LOL!!!); amanhã vai ser também de casamento. Amanhã, às 11.15 da manhã (não ha bela sem senão), na C.R.C. desta terra de horizonte e mar. Eles que vieram de outra terra com mais horizonte e muito, MUITO mais mar. A bem dizer, aquilo é só mar. Mar e inhames.
E chega. Só mais quatro palavrinhas, antes de passar a palavra e a garrafa ao Sr. Doolittle:
VIVAM OS NOIVOS, CARAGO!

22 junho 2007

Summer's here, and the time is right for...

Já com um dia de atraso, a C70 deseja a todos um Verão em grande.

06 maio 2007

Mothers of the world, unite!

A Classe de 70 não deixa passar em claro o primeiro domingo de Maio, agradece às mães de todo o mundo e exorta-as a continuarem a ser quem são!

Que sejam como a mãe da Stacy,


não como a do Kyle.

23 março 2007

Quem assobia não bate na tia (provérbio transmontano)

Desde há uns dias que ando a tentar lembrar-me de canções que tenham belos momentos assobiados. E ao contrário do que possa parecer, não são assim tantas como isso. A C-70 vai empenhar-se em trazer para a ribalta esta importante, muito embora descurada, faceta da pop. E nada melhor do que começar com um clássico, daqueles mesmo clássicos.
Tudo a assobiar com a Eliza.

04 dezembro 2006

Just like in the movies

Quem disse que os actores não sabem cantar?

17 novembro 2006

Quote of the day - Pavement / Give it a day

So the word spread
Just like small pox in the Sudan
The gentry cried: "Give it a day!"



Parece que o Filipe está com varicela.
O que significa, entre muitas outras coisas, que o pai do Filipe se arrisca a ficar com varicela.

(esta imagem, de resto bem foleira, é a única que arranjei em toda a net da capa de um CD que por acaso até tenho ali na estante, e vem da fonoteca da CM de Lisboa. curioso...)

05 novembro 2006

10-canções-10 com nomes de actores

A propósito do belo sunday morning record que nos acompanhou esta manhã ao pequeno almoço, começámos cá por casa a tentar lembrar-nos de canções com nomes de actores e actrizes no título, mesmo abreviados ou codificados (só não valia cantores-actores). Depois de muito puxar pela cabeça chegou-se a uma lista de 10:

10. Postal Service, Clark Gable
09. Cinerama, Lollobrigida
08. Bananarama, Robert de Niro's waiting
07. Kim Carnes, Bette Davis' Eyes
06. Gorillaz, Clint Eastwood
05. Suzanne Vega, Marlene on the wall
04. Sonic Youth, Madonna, Sean and me (aka The cruxifiction of Sean Penn, aka Expressway to Yr skull) *
03. John Cale, The soul of Carmen Miranda
02. Roxy Music, 2HB
01. Bauhaus, Bela Lugosi's dead
Menções honrosas (outras belas canções em que se referem actores):
05: Clash, The right profile ("Everybody says he sure look funny, that's Montgomery Clift, honey!")
04: dEUS, Opening Night ("I feel like Geena might, upon her opening night")
03: Whipping Boy, Personality ("I want to marry a personality, someone who looks just like Koo Stark")
02. Lou Reed, Halloween Parade ("There's a Crawford, Davis and a tacky Cary Grant")
01. Iggy Pop / David Bowie, China girl ("I feel in tragic like I'm Marlon Brando, when I look at my China girl")

Quem se lembra de mais algumas?

* já agora, pergunta-se aos mais dedicados estudiosos da Seita Sónica (que eu sei que há alguns entre os amigos da C-70): como caraças se chama afinal esta música, que na capa do disco tem um nome, no livro outro e aparece sempre referida nas discografias e álbuns ao vivo com outro?

22 outubro 2006

I'm a driver, I'm a winner... Pt. 2

Na sequência do filme e do post de ontem, esta manhã estava na fila para pagar as compras no Pingo Doce e comecei a lembrar-me de alguns dos meus filmes preferidos sobre losers. Aqui vai uma lista de dez, descomprometida, sem qualquer ordem (apesar da escolha do cartaz) e sem repetir realizadores (sob pena de a lista ser monopolizada por 3 ou 4 especialistas). Digam de vossa justiça.
Mean Streets, Martin Scorsese;
Down by law, Jim Jarmusch;
Trust, Hal Hartley;
The life aquatic with Steve Zissou, Wes Anderson;
Trainspotting, Danny Boyle;
The Big Lebowski, Joel Coen;
Magnolia, Paul Thomas Anderson;
How to survive a broken heart, Paul Ruven;
Happiness, Todd Solondz;
Buffalo '66, Vincent Gallo.

21 outubro 2006

I'm a driver, I'm a winner, things are gonna change, I can feel it

Fui hoje ver o Little Miss Sunshine. O título português é tão absurdo que nem o vou reproduzir (quase ao nível da inesquecível tradução do Purple Rain para "Prince, o rocker"). Mas não vim para aqui falar de traduções. Vim só dizer que é absolutamente imperdível, a mostrar que o grande Wes Anderson (Rushmore, The Royal Tennenbaums, The life aquatic with Steve Zissou) está a fazer escola e a inspirar talentos. Até á data, a dupla Jonathan Dayton e Valerie Faris só tinham realizado uma mão cheia de clips de algumas bandas comercialmente importantes (Smashing Pumpkins, RHCP, Offspring, Weezer, REM, etc.), sendo esta a sua primeira verdadeira aventura na longa metragem.
Em boa hora o fizeram. Little Miss Sunshine é uma comédia sobre a mais acabada de todas as famílias de losers, que resolve empreender uma viagem numa carrinha VW, em condições no mínimo sofríveis, para que a anafada petiza possa participar num concurso de misses infantil. Tudo o que se segue anda sempre na ténue fronteira entre o cómico e o patético, sendo por vezes enternecedor sem nunca descambar para a lamechice do "somos uma família e isso dá-nos força para superar todos os obstáculos". Não vou contar detalhes do filme, mas creio que posso adiantar que no final estão todos em pior situação do que estavam no início, mas mais felizes porque aprenderam a estar-se nas tintas para o fato de serem uns tristes. Aprendem a fazer aquilo que é a ambição de toda a gente: fazer as figuras de urso que lhes apetece sem quererem saber do que pensa o resto do povo.
Poderiam fazer coro com o Sr. Hansen, aqui em baixo, rindo enquanto cantam "Soy un perdedor, I'm a loser baby, so why don't you kill me?"


30 setembro 2006

Vai um joguinho?

Lembram-se do grande "nanopops"? E daquele poster com 50 bandas, feito pela Virgin? A M&M's não quis ficar atrás e vai daí fez mais um joguinho, agora com 50 filmes. Dark movies, dizem eles, como o seu dark chocolate. Todos metidos num quadro da escola flamenga pré-freudiana (Brueghel ou Bosch? Confesso que não ou grande conhecedor). A ideia é descobri-los colocando o título em inglês. Atenção: os desenhos/pistas têm normalmente mais a ver com o título do filme do que com o conteúdo.
Eu vou em 28. Depois podemos trocar cromos. Mas não vale ir à net procurar soluções.
Divirtam-se tenham um belo fim de semana.


http://us.mms.com/us/dark/