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12 maio 2008

I wish that I was made of stone

Diz-me o meu calendário de cozinha que hoje é Pentecostes, data do calendário eclesiástico que por ter um nome tão improvável sempre ocupou um lugar especial no meu coração. E que me fez recordar uma canção do período místico do nosso bom Nick, na qual o regresso de JC serve de metáfora à ausência da amante/ amiga/ companheira/ palhaça (riscar o que não interessa), que segundo consta era por essa altura a nossa amiga Polly Jean. Tudo em família, portanto.
Boa semana para todos, inclusivamente para quem não tenha Liga dos Campeões no próximo ano.


Nick Cave and the Bad Seeds, Brompton Oratory (The boatman's call, 2007)

22 abril 2008

O' looka yonder!

the Beast is cometh, cometh down
oh, Tupelo bound


a Besta é o rock'n roll, Tupelo o local onde tudo nasceu.
esta noite quero ouvir isto da boca de um dos últimos profetas.

11 janeiro 2008

the runways of escape from our non-affair

(a propósito de covers da canção postada ontem)

there's no jet on my tarmac
no boat upon my atlantic


Mick Harvey - Non-affair


I search in vain for the exit
I search in vain for the way back

19 dezembro 2007

na vida como no desporto

Fora de jogo posicional: de acordo com a Lei XI do jogo da bola, está nesta situação o futebolista que, muito embora tenha entre si e a linha de golo apenas um defensor da equipa adversária, não pode participar na manobra atacante em virtude da sua deficiente colocação no terreno. O juíz de campo deverá ignorá-lo e deixar prosseguir a jogada.



Nick Cave & the Bad Seeds - Green Eyes

22 setembro 2007

From him to eternity

Parece incrível, mas o senhor Nicholas Edward Cave, sem dúvida o australiano que eu mais admiro, faz hoje 50 anos.
Seria uma boa ocasião para escrever um post comprido, em que tentasse explicar como alguns discos dele foram importantes para mim, apesar de só ter contactado a sério com a sua música a partir de 1990, quando comprei o The Good Son. Depois disso comprei todo o back catalogue e tudo o que ele foi publicando. Até tenho o The Boatman's call autografado, numa sessão na HMV de Oxford Street em que trocamos breves palavras. Foi assim:
Joe: God bless you, Nick.
Nick (após ligeira pausa para ver quem tinha feito uma saudação tão bacoca): OK.
Pronto... não foi exactamente um diálogo do tipo socrático, mas é melhor que nada. Ou têm melhor para a troca?

Anyway, não era aí que eu queria chegar. O que queria dizer é que este Homem com dois Agás Grandes é em absoluto um dos meus cantores/compositores preferidos. E que lhe desejo muitos mais anos de vida e de actividade. E que um dia destes volte a aparecer por cá, porque já lá vão uns anos desde a última vez que o vi. Foi por volta de Abril de 2001, no Coliseu de Lx, na digressão do No more shall we part.
Para comemorar a data deixo não um, não dois, mas três clips. O primeiro remonta aos primeiros tempos dos Bad Seeds, e é a cover de uma das minhas canções preferidas, outrora cantada pelo King. O segundo é possivelmente a sua melhor canção de sempre, uma reflexão desesperada sobre a culpa e o castigo (ele costuma dizer que é sobre a cadeira eléctrica). O terceiro é uma canção de amor simples e perfeita, de um dos melhores discos dos 90's.

God bless you, Nick.






03 setembro 2007

Murder takes the wheel of the Cadillac, and death climbs in the back

Os 10 anos da morte da ex-futura rainha (ou lá o que seria) de Inglaterra sugeriu-me um post, que deveria ter sido escrito há 2 ou 3 dias mas que por falta de oportunidade vai hoje.
Quando a senhora morreu, tinha acabado há poucos dias os exames do curso que fiz em Londres nesse ano. A coisa deu-se numa noite de sábado, em que havia uma festa na minha residência. Uma vez que era o feliz proprietário de uma mini-aparelhagem e que nutria algum gosto pela função, punha muitas vezes música nestas festas; normalmente repartia a missão com um grego, cujo nome reparo que se me varreu da memória. Adiante. Nessa noite, como de costume, levei a minha mini-hi-fi e estive para aí até às 4 a animar o povo e a mim próprio. Quando me fui deitar aquilo ainda estava para durar, de modo que deixei a aparelhagem por lá com outrem nos comandos, e combinei que na manhã seguinte a ia lá buscar.
Por volta das 11h. bateram-me à porta do quarto. Eram duas colegas acompanhadas por um polícia. E fiquei a saber que na noite anterior dois tipos se tinham introduzido na festa, tinham conseguido ficar por lá despercebidos até toda a gente se ir deitar e tinham gamado as duas aparelhagens de serviço. Iam pela rua fora quando acharam que um carro da polícia estava a desconfiar deles, e vai daí resolveram tentar a fuga. Um conseguiu, o outro foi apanhado - felizmente o que levava a minha Aiwa.
Reparem que tudo isto ia sendo contado a alguém que tinha dormido pouco e bebido bastante na noite anterior, pelo que se compreende a minha estupefacção quando a meio do relato, estava eu a assinar uns papéis quaisquer, alguém mencionou que a pobre Diana tinha quinado. Devo ter feito uma expressão tão perplexa que o polícia se sentiu no dever de me esclarecer, e disse mais ou menos isto: "Oh, but don't worry Sir; it had nothing to do with the stealing of your stereo".
Hoje esta aparelhagem ainda está no escritório, embora pouco usada. Se ela falasse, o mundo saberia finalmente a verdade sobre o que se passou no tal túnel em Paris; mas isso é um segredo meu, dela, do polícia e do ladrão.
Agora, o que tem piada (dentro do género...) é que na noite anterior tinha passado a canção cujo clip vai aqui em baixo. Foi o Kostas, outro grego, que viu o disco na minha mala e me pediu para a passar, apesar de completamente fora da onda britpop/revival que normalmente animava a "pista". Naturalmente passei-a (e dancei-a) com gosto.
Ainda assim, há coisas do caraças.

06 agosto 2007

O navio

Sempre a propósito de barcos, navios, mares e afins, lembrei-me desta canção um bocadinho xaroposa demais e que nem tem assim tanto a ver com o assunto, mas que sabe sempre bem ouvir. Lembro-me de há muitos anos ouvir isto às escuras, com os headphones. Ficava sempre arrepiado.
Digam o que disserem deste disco, há coisas que são indiscutíveis: tem um som e uma produção quase perfeitos, e o tipo nesta altura estava a cantar como o caraças. E já agora, tem meia dúzia de canções impecábeis.



Sempre que vejo este clip pergunto-me: como é que eles conseguiram manter cara séria durante tantos segundos? Ver o Blixa e o Kid Congo de meninos de coro é hilariante.

06 abril 2007

Quote of the day - Nick Cave and the bad seeds / Foi na cruz

Foi na cruz, foi na cruz que um dia
meus pecados castigados em Jesus,
foi na cruz que um dia, foi na cruz




Este é provavelmente um dos álbuns mais mal-amados do cavalheiro Nicholas Edward Cave. A passagem da violência gore do antigo testamento (referência recorrente em todos os álbuns desde a formação dos Bad Seeds, ou não fossem os blues a sua influência primordial) para a mensagem comparativamente insossa do novo não era exactamente o que as hordas de góticos, punks e afins estavam à espera. Para mais, com este álbum NC conseguiu fazer o crossover para outros públicos, e atingir números de vendas interessantes - afinal saíram daqui The weeping song e The ship song, provavelmente duas das suas canções mais conhecidas (e que francamente já não há pachorra para ouvir em concerto de cada vez que ele cá vem, como acontece com a grandiosa The mercy seat; o que é demais é moléstia, diz sabiamente o povo). E sair do nicho estritamente alternativo tem os seus custos em termos de credibilidade crítica.
Esta canção com o refrão cantado em português (na altura o rapaz morava em S. Paulo, e era casado com uma brazuca) contribuiu, com toda a certeza, para o crescimento do enorme culto que NC passou a ter em Portugal mais ou menos a partir desta altura, com Coliseus esgotadíssimos de cada vez que se digna visitar-nos. Não conheço bem a história, mas o refrão é roubado a uma melodia religiosa tradicional brasileira. Quem a conhecer e vir o filme Pixote não pode deixar de reparar numa cena em que a canção é cantada numa espécie de vigília. E que Cave conhecia bem o filme, disso não há dúvidas: o seu álbum anterior, o sobre-excelente Tender Prey, é dedicado ao actor principal (que entretanto já tinha sido morto pela polícia).
Seja como fôr, é uma bela canção para a sexta-feira de Páscoa. E a C-70, por ateia que se orgulhe de ser, gosta de trazer a canção certa para o dia certo.
(... e a brincar a brincar, qualquer dia é Pentecostes!)

08 janeiro 2007

The Kings were born

8 de Janeiro de 1935: nasce em Tupelo, Mississippi, Elvis Aron Presley. Se não tivesse morrido em 1977, completaria hoje 72 anos. É o Rei.
8 de Janeiro de 1947: nasce em Brixton, sul de Londres, David Robert Jones, que a partir de 1966 passaria a ser conhecido como David Bowie. Faz hoje 60 anos. Também é o Rei.
A C-70 inicia a sua singela homenagem aos Reis recordando duas grandes canções de duas das suas bandas preferidas que homenageiam os locais que os viram nascer.

Nick Cave, "Tupelo" (Live 1994)

The Clash, "Guns of Brixton" (live)

26 novembro 2006

Not the end?

Não sei se é o fim de tudo ou não. Acredito que tudo o que deixamos é a obra que fizemos em vida e a memória que fica a quem sobrevive. As únicas certezas que tenho de cada vez que me confronto com a morte é de que a nossa passagem por cá é demasiado rápida e misteriosa para ser desperdiçada com merdas, e de que é um imperativo moral vivê-la como melhor nos apetecer; e a de que temos que aproveitar enquanto os outros cá estão, porque depois é demasiado tarde para lhes contar as novidades, dar um abraço ou dizer adeus.
Pena que normalmente nos lembremos disso tarde demais.


07 novembro 2006

Grinderquê????

E esta, hein?...

Ó faxavor de conferir aqui o que o nosso querido Nick the Stripper tem andado a fazer. Pela amostra dá a ideia que regressamos a terrenos próximos do First born is dead, o que está longe de ser uma má notícia. Esperemos para ver.

28 fevereiro 2006

Quote of the day - Nick Cave / The Carnival is over

Like a drum my heart was beating, and your kiss was sweet as wine
But the joys of love are fleeting for Pierrot and Columbine
Now the cloak of night is falling, this will be our last goodbye
Though the carnival is over I will love you till I die

Apesar de ser um original dos Seekers, a versão definitiva desta canção extraordinária está algures por aqui,

no álbum em que este anjo caído no inferno descobriu a sua vocação de crooner.