Mostrar mensagens com a etiqueta MM. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta MM. Mostrar todas as mensagens

09 março 2009

O que é preciso é estilo

Na sexta feira, e após um jejum de alguns anos, os Mão Morta voltaram ao Porto. Adolfo Luxúria Canibal recordaria, mais para o fim, que foi aqui que os MM começaram a pisar os palcos. E este vosso amigo pode gabar-se de os ter visto, salvo erro nos idos de 1985, num concerto/concurso encabeçado pelos GNR em que 6 novas bandas se mostravam à cidade. Creio que os vencedores foram os Bramassaji, de que se calhar alguns ainda se lembram.
Desta vez o palco foi o do Sá da Bandeira, onde já os tinha visto aquando da digressão do Primavera de Destroços (cada vez mais, talvez o meu disco favorito da banda). O concerto integrou-se na digressão Ventos Animais, que comemora os 25 anos destes pândegos bracarenses, e de cuja abertura já vos tinha dado conta neste post.
Ao contrário do que acontecera aí, desta vez não houve cadeiras, o que só por si seria uma considerável mais valia. O à-vontade que nos dá a posição vertical terá contribuído para o grande ambiente que se viveu entre a banda e o público, culminado pelos dois encores com que os MM brindaram a audiência. Um primeiro com Anjos de Pureza, Charles Manson e Anarquista Duval, e após muita insistência o momento de verdadeira catarse, apoteose ou como caraças lhe quiserem chamar, com o mais-que-clássico Oub'lá.
O alinhamento principal abriu com a pérola que dá nome à tournée, e não diferiu muito do apresentado em Barcelos e que será apresentado ao longo da digressão. E se depois, Barcelona e Vamos fugir foram talvez os momentos mais empolgantes, mas o concerto foi uniformemente excelente, mostrando uma banda no domínio completo do som e da sala. Cinco músicos que fazem rock como não há igual no nosso país, e um frontman que apesar de não cantar muito, concentra em si todas as atenções com uma presença em palco fortíssima.
Aqui em baixo podem ver um slideshow com algumas das soberbas fotos do concerto tiradas pela Joana Saramago, a quem a gerência deste tasco agradece penhoradamente. Se quiserem ver mais, bem como outros álbuns igualmente bons, vão aqui que vale a pena.

24 novembro 2008

loucos ao poder

Em 1981 uma das mais importantes (seguramente a mais divertida) banda inglesa do espectro post-punk/ ska/ new-wave foi alvo de uma secessão. Os três vocalistas dos Specials abandonaram a banda e formaram os menos conseguidos Fun Boy Three, que ainda assim tiveram alguns singles inspirados e com algum sucesso. E, diga-se, gravaram algumas coisas com as Bananarama. Isso por si só já justificava o acto de formar uma banda e inclusivamente ter penteados como o que Terry Hall ostenta neste clip. É o primeiro single da banda, editado nos finais de 1981, e chama-se The Lunatics (have taken over the asylum).



Ocorreu-me esta música a propósito do concerto dos Mão Morta no auditório de um hospital psiquiátrico. Não lembra ao careca organizar uma coisa destas numa sala só com lugares sentados em cadeirinhas de veludo. Não dá, caraças, é contra-natura. Mas num palco encabeçado por uma faixa em que se lia "75 anos ao serviço da saúde mental" tudo pode acontecer.
Para que conste, o concerto foi mesmo muito bom. Como pontos altos, destacaria as versões avassaladoras do Penso que penso, Arrastando o seu cadáver e Lisboa, e a presença quase constante de 3 guitarras em palco. Que grande som! Só é pena não darem uma refrescadela ao reportório, com alguns clássicos que já há muito não se ouvem. Por onde andam Anjos marotos, Desmaia irmã desmaia, Facas em sangue ou Velocidade escaldante? E já agora, se a ideia é manter o dito reportório, que não se prive o povo de alguns dos mais clássicos entre todos os clássicos, como Anarquista Duval, Oub'lá, e Charles Manson. Algumas destas podiam ter ficado para o encore... mas para isso era preciso que tivesse havido encore.

21 novembro 2008

luxúria no sanatório

Depois de ano e meia de ausência enquanto banda de rock que toca canções de rock (apesar de entrementes terem feito este espectáculo), a melhor banda lusa de todos os tempos regressa hoje aos palcos, e regressa em grande estilo. É em Barcelos, no Auditório S. Bento Menni, que fica no terreno da célebre casa de Saúde de S. João de Deus, mais conhecida como 'Casa Amarela'. Sim, a tal que deu o nome ao primeiro filme da trilogia de João César Monteiro no papel (lá está...) de João de Deus. A coisa até faz lembrar o mítico concerto dos Cramps no Napa State Mental Hospital, e cenas como esta, mas não creio que vá ser tão radical.

Já estou com saudades de um concerto à séria dos Mão Morta, que já não vejo desde uma noite no Mercedes por alturas da digressão do 'Nus'. Em época de agonia financeira e de crise (mais uma) do capitalismo, tenho a certeza que não vão deixar de tocar esta grande malha róquenroleira.

03 abril 2008

à distância de uma auto-estrada


Depois dos Rakes, o bando das loiraças compridas e muito agradáveis à vista e ao ouvido tembém se junta à seita do Sr. Gillespie na primeira noite de Agosto, lá para o alto minho. Vai ser sempre a rockenrollar, como dizia o outro.

E por falar nesse (no "outro"), parece que no "quem quer ser milionário" de ontem perguntaram como se chama o vocalista da banda Mão Morta, sendo as hipóteses
a) adolfo luxuria canibal
b) alberto lamuria animal
c) antónio lémur castiçal
d) adérito murmúrio visceral
O concorrente não sabia, o que não é nada de mais. Há tempos assisti a um debate no Ateneu Comercial do Porto (sobre o futuro da indústria musical, a internet, os downloads ilegais e patati patata) em que o ilustre presidente da mesa se dirigiu ao Adolfo, sucessivamente e sem estar a brincar, como "Dr. Alfredo" e (muito melhor!!) "Dr. Luxúria". Era caso para lhe perguntar: oub'lá, qu'andas a fazer?


01 novembro 2007

24 setembro 2007

Quote of the day - Mão Morta / Velocidade escaldante

Os putos vêm só para dar um fix
Estendem-se pelo quarto a folhear comics
Esquecem gringas a marcar os livros
E morrem de volúpia num esgar feliz

Sempre a propósito a educação musical das crianças, ontem presenciei um belo momento.

O meu sobrinho João tem um enteado, o Tomás, que vai fazer agora 5 anos. Ontem jantámos em família, e a páginas tantas, enquanto o Lisandro ia marcando golosna capital do móvel, o moço utilizou, a propósito já nem sei de quê, a expressão "velocidade escaldante". Ora bem: isto só faz sentido para os iniciados na obra da melhor banda rock portuguesa de sempre, porque se trata do título de uma magnífica canção do álbum menos bom dos MM. É que apesar de ter ido ver o concerto dos Keaaaaabbllaaaaaaaarggggghhhne, o João ainda conserva alguns traços do bom gosto musical que o tio lhe incutiu, e vai passando ao Tomás os valores essenciais da nossa civilização.
E isso é bonito.

20 setembro 2007

Tugas that kick ass: Mão Morta / Budapeste

Finalmente este clip voltou a ser visível.
Fico à espera que os gajos se dignem lançar o tão requisitado DVD com os clips destes 20 e tal anos, para poder voltar a ver coisas como o Chabala, o Anjos Marotos ou o Em directo para a TV.
Se entretanto quiserem saber o que está disponível, a própria banda tem a fineza de fazer uma lista aqui. Já agora, para quem gostar e se der ao trabalho, grande parte da actuação deles deste ano em Coura está no YouTube.



Melhor banda rock portuguesa de sempre. Period.

12 maio 2007

"Estou sujo, roído dos piolhos...

...os porcos quando olham para mim vomitam!"


Ontem fui ver, ao esplendoroso Theatro Circo, a estreia de Maldoror pelos Mão Morta. E o que é Maldoror, pergunta o desatento leitor? Ora bem, também eu (que lá estive) gostaria de saber responder de forma cabal. Mas posso dizer, sem mentir, que é uma espécie de adaptação sem forma definida da obra (que eu nunca li) do Conde de Lautréamont, pseudónimo de Isidore Ducasse. Pelo que li e me apercebi, a abordagem dos MM centra-se na ideia nuclear do livro, não tentanto acompanhar qualquer tipo de narrativa. E qual é a ideia nuclear? O mal, a repulsa, a indignidade, a recusa de quaisquer resquícios de autoridade, valores, ordem ou moral. Perversões sexuais, pedofilia, piolhos, matadouros, excrementos, sangue. Tudo isto, e muito mais, vai sendo recitado pelo nosso caro Adolfo, enquanto os 5 restantes elementos da banda o vão acompanhando musicalmente num registo rock próximo do habitual, cada vez mais permeado pela electrónica (como é patente nos últimos dois álbuns da banda e nos projectos paralelos de ACL, em especial os Mécanosphere). O centro do palco é ocupado por uma estrutura sobre a qual está pousada a bateria, e cuja base é o suporte de projecções de vídeo, muitas vezes captadas em directo pelo próprio Adolfo ou pelo arco do contrabaixo de Joana Longobardi. Os figurinos tranformam os 6 músicos em seres de esgoto, com escamas, pelos e pinças.

Dirá o leitor atento: rock, encenação de textos literários, sangue, sexo, anarquia, sujidade... qual é a novidade? Já não fizeram uma coisa parecida com Müller no Hotel Hessicher Hof? Já não ouvimos tudo isso desde há vinte e tal anos, em canções como Véus caídos, Aum, Charles Manson, Anarquista Duval, Bófia, Chabala, Amesterdão, Cão da Morte, Anjos Marotos, etc. etc. etc? Claro que sim. O que só nos garante que com Maldoror os MM estão no seu ambiente natural. Mas isto é também, porventura, a maior reserva que o espectáculo pode merecer: não estarão a dar uma grande volta para continuar falar do mesmo, apenas com uma superior caução literária?


Naturalmente, nada como ir ver (o que cá no Porto, pelos vistos, so vai ser possível em 2008...) . Entretanto, podem espreitar aqui se quiserem ter um cheirinho do espectáculo. Ou ler aqui uma entrevista com o poeta/performer/músico/jurista a quem alguém uma vez, num debate e falando a sério, chamou Dr. Luxúria. Fica-lhe bem.

01 novembro 2006

Quote of the day - Mão Morta / 1º de Novembro

Um traço, um berço
Dois destinos que se cruzam na lonjura da distância
Erva fálica pelo caminho
Distúrbios, subúrbios

Automóveis ferrugentos desenhando o horizonte
Os paralelos asfixiam a alma
Solidão, saudade

Romagens, romaria aos queridos defuntos
Carcaças abandonadas ao passado
Lágrimas, fábricas

Tempo invernoso sublinhando a ausência
A música ouve-se triste
Solidão!
Saudade!
Romagens!
Romarias!
Solidão!
Saudade!
Queridos!
Defuntos!



Quantos mais 1os de Novembro passo, mais certeza tenho de que quero ser cremado. Mas calma, ó Grande Arquitecto... não tenho pressa.

11 junho 2006

Pela estrada fora, eu vou bem sozinha...

Ainda não fui ver o filme, mas por aquilo que tenho lido quer-me parecer que o realizador de Hard Candy, que estreou esta semana, andou a ver às escondidas telediscos da melhor banda portuguesa.

Para quem não conhece, avisa-se que o clip deste Cão da Morte não tem bolinha vermelha. Tem vários salpicos vermelhos.


07 abril 2006

Adolfo e os sacanços

Adolfo Luxúria Canibal, o tal que dispensa apresentações, resolveu intervir numa discussão que nos ultimos dias tem animado a mailing-list dos Mão Morta: saber até que ponto os downloads a partir da net são uma usurpação ilegítima de direitos de autor, e portanto em que medida devem ou não ser civil e/ou criminalmente punidos.
Parece-me interessante dar a devida publicidade a este texto (ou melhor, à parte desse texto que se relaciona com este tema) até porque, como se sabe, ALC é simultaneamente músico e jurista, podendo dar-nos uma visão de alguém que está por dentro da indústria e que será capaz de a entender em diferentes perspectivas. Sublinha-se porém, a pedido do próprio, que se trata de "uma opinião ao correr da pena, para uma mailing-list de não juristas, sem preocupações de rigor técnico..."
A C-70 abre então um debate sobre os sacanços, o P2P e as formas alternativas de remuneração dos artistas como compensação pela perda de receitas de venda.

"(...) Isto levanta outra questão, que é a de saber se os bens imateriais ou intelectuais ou de cultura ou como lhes queiram chamar devem ser objecto de comércio ou devem ser partilhados gratuitamente por toda a humanidade. Eu pessoalmente acho que devem ser partilhados, ao mesmo nível que os bens materiais: as casas, os automóveis, os terrenos, etc. Mas enquanto uns
ganharem dinheiro a construir ou a vender casas, os outros têm o mesmo direito de ganhar dinheiro a compor e a vender canções!
Isto leva-nos ao Sr. Armstrong. A entrevista a que aqui se fez referência é pura demagogia. Ele é representante de uma indústria e defende pura e simplesmente os interesses dessa indústria. Não defende os autores, os músicos ou a música portuguesa, nem directa nem indirectamente, contrariamente ao que pretende fazer crer. E o interesse dessa indústria é vender muitos discos novos no mais curto espaço de tempo e com o máximo de lucro. Para isso apoia-se em música descartável, criando apetites imediatos sucessivos.
A internet, ao permitir que o apetite criado seja satisfeito gratuitamente, e também sucessivamente, ao ritmo dos apetites, e sendo a música assim consumida maioritariamente descartável, isto é, não susceptível de paixão duradoura, isso salda-se para a indústria num enorme vazio de vendas - exactamente na área que tradicionalmente lhe dá mais lucro. Efectivamente, se a música não fosse descartável, a internet funcionaria antes como um poderosíssimo meio de divulgação - e as pessoas que fizessem download iriam a seguir comprar o disco, quando tivessem dinheiro ou oportunidade, porque queriam ter aquele disco. Assim não, ouvem, saciam-se, desinteressam-se e passam para o apetite seguinte criado pela indústria...
Quanto ao chicote do Sr. Armstrong, quero ver que tipo de actuação legal a indústria vai empreender - não estou a ver como, com a actual legislação portuguesa, podem incriminar particulares pelo P2P...Não é ilegal partilhar música; e seria absurdamente imoral se se punisse uma partilha de música que, por hipótese limite, nem sequer estivesse à venda no mercado discográfico. Qual o objectivo da punição? Que interesse colectivo defendia, se nenhum interesse, nem mesmo particular, tinha sido ameaçado ou violado?
Por exemplo, nas últimas semanas interessou-me estudar o underground nova-iorquino da década de 70: onde mais poderia ter encontrado música de Gang War, Dead Boys, Neon Boys, Dictators, Wayne County, Heartbreakers, Johnny Thunders, etc, senão na net? Mas mesmo que houvesse discos nas lojas (que não há), teria que comprar tudo para ter a panorâmica que me interessava? Mesmo havendo coisas que não me interessava ter, mas que só o saberia depois de as ouvir? Se esta minha busca na internet fosse interdita e punível, o que acontecia? Eu não ia, como respeitador que sou... O que ganhava a indústria? Nada! O que ganhava o país? Nada! O que ganhava eu? Nada! E isto mesmo tratando-se de discos que, por suposição, existissem nas lojas - afigurando-se o desejo de uma panorâmica do underground nova-iorquino como um empreendimento financeiramente megalómano, eu desistia imediatamente dele. Ganhava-se alguma coisa? Nada!
Enfim, podia continuar, nomeadamente sobre os direitos de autor a pagar pelos servidores de acesso à internet, mas já devem estar fartos de me ler... Acho que já dá para terem uma ideia da minha posição, susceptível de ser contrariada por melhor opinião.
Um abraço,
Adolfo LC"

Quote of the day - Mão Morta / Maria, Oh Maria

Maria, no regresso a casa vi dois elfos a lutar,
Oh Maria, e dois outros a sangrar.
As trevas estão por aí, escondidas

À espera que eu apague a luz
Para se lançarem sobre mim.

A Classe de 70 celebra a sua banda portuguesa preferida,




e a chegada na volta do correio da edição em DVD do Muller no Hotel Hessischer Hof, com rapidez e a um preço popular!