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06 agosto 2007

O navio

Sempre a propósito de barcos, navios, mares e afins, lembrei-me desta canção um bocadinho xaroposa demais e que nem tem assim tanto a ver com o assunto, mas que sabe sempre bem ouvir. Lembro-me de há muitos anos ouvir isto às escuras, com os headphones. Ficava sempre arrepiado.
Digam o que disserem deste disco, há coisas que são indiscutíveis: tem um som e uma produção quase perfeitos, e o tipo nesta altura estava a cantar como o caraças. E já agora, tem meia dúzia de canções impecábeis.



Sempre que vejo este clip pergunto-me: como é que eles conseguiram manter cara séria durante tantos segundos? Ver o Blixa e o Kid Congo de meninos de coro é hilariante.

04 agosto 2007

Des marins qui chantent les rêves qui les hantent

Este ano a minha literatura de férias vai ser temática. Vou ler ou reler livros de viagens marítimas, histórias de aventuras e de piratas. De momento estou a atacar a Revolta na Bounty, que é muito diferente do que imaginava, mas absolutamente absorvente. O próximo será provavelmente o Moby Dick, que já ando para ler há alguns anos. Depois, dependendo do tempo e do estado de espírito, relerei as Aventuras de Arthur Gordon Pym, um livro do Edgar A. Poe que li quando tinha uns 11 ou 12 anos, ou o 1º volume da colecção do Sandokan, que devo ter lido com 7 ou 8.
A canção com que tencionava ilustrar este post era o Navigator, dos Pogues, mas o YouTube não colabora. Deixo uma outra, porventura não tão apropriada mas incomparavelmente melhor. Um dos (o?) cantores/compositores não anglo-saxónicos de quem eu mais gosto, uma performance inebriante e uma canção soberba que fala de marinheiros, de portos e da cidade do pecado.



Se quiserem ouvir uma fantástica versão desta canção em inglês, por alguém acima de qualquer suspeita, podem ouvir aqui. Bizarramente, as imagens que verão são o clip de uma outra canção do Mestre, com esta canção sobreposta.

03 janeiro 2007

Put your raygun to my head

Um moço a quem, assim como assim e apesar de tudo, acho que posso chamar meu amigo, deu-me neste Natal uma prenda verdadeiramente fora de série.
Red Rocket 7 é um comic que conta a história de um grupo de clones de um extraterrestre fugido do planeta Celeston, que vêm parar à Terra fugindo dos malvados e imortais Enfenites. Um desses clones, o n.º 7, descobre por cá uma grande sensibilidade acústica e musical, e acompanha toda a história do rock. Começa por apanhar uma boleia do Little Richard, torna-se músico de sessão do Elvis, fica amigo dos Beatles ainda nos tempos de Hamburgo, é a verdadeira causa da morte do Brian Jones na piscina, e no ponto em que estou (a meio do 4º fascículo, sendo sete no total) acaba de se tornar grande amigo do Mick Ronson, guitarrista dos Spiders from Mars.
Ziggy Stardust meets Flash Gordon meets The great Rock'n roll Encyclopedia meets Onde está o Wally. Do Elvis aos Pixies, do Iggy aos Minor Threat, dos Led Zeppelin à Courtney Love, estão lá todos. Check it out, aqui em baixo. O nosso herói é o que toca guitarra, mas ao contrário do outro (o quarto à sua esquerda), he plays it right hand.
É FA-BU-LO-SO!


Obrigado, pequenino. Sete estrelas!

07 setembro 2006

Power plays de umas férias

Regressada de férias e de volta à labuta, a C-70 resolve partilhar com o seu vasto auditório algumas coisas que leu e ouviu lá para os lados de Vila do Bispo nestes 15 dias (uma vez que o que viu se resumiu à missa de segunda feira à noite na 2).
Como parece que o Blogger está armado em parvo (acaba de me actualizar o post que escrevi há mais de 15 dias), hoje fico pelas leituras. Uma das maiores inanidades que li nos últimos anos. Consegui aguentar até ao fim das 158 intermináveis páginas pela curiosidade de ver onde chegava a patetice, e já me esqueci. Miserável.

E se em plena 2ª GM os EUA tivessem escolhido para presidente Lindbergh, o aviador herói pró-nazi condecorado por Hitler himself, em vez de darem um terceiro mandato a Roosevelt? Brilhante. (a título de curiosidade, refira-se que comprei o livro em inglês porque custava menos de metade do que custava a edição portuguesa) .

E evidentemente, os números de Agosto da Mojo e da Uncut. Comprados à pressa na manhã da partida num estaminé ali para os lados de Cedofeita, que até parece que também vende discos. Sem direito a foto porque nos sites respectivos já brilha o número de setembro.
E sejam muito bem vindos!

18 abril 2006

Got me a book, I want you to know


O Senhor Carteiro, que é um querido, deixou-me ontem este livrinho. Trata-se, como a capa talvez já vos tenha deixado antever, da história dos Pixies. Mas esta história é contada de uma forma diferente, porque o texto são praticamente apenas citações e excertos de entrevistas com os membros da banda e com gente que esteve ao lado deles enquanto a coisa durou e deu os resultados que todos sabemos. Falam uma série de músicos (Tanya Donnelly, Kristin Hersh, Beck, Billy Corgan, PJ Harvey, David Thomas, Liz Phair, J Mascis, Perry Farrell...), de produtores e donos de editoras (Norton, Albini, Ivo Watts-Russell) e muita mais rapaziada que eu não sei de onde vem, e muito menos para onde vai. Está dividido em 3 grandes capítulos, correspondentes aos inícios (antes de gravarem o Come on Pilgrim), à "golden age" (até ao Bossanova) e à queda (Trompe le Monde e fim), aos quais se acrescenta um encore relativo à reunião desde 2004.
Tenho que confessar que sou um "Johnny come lately" em relação aos Pixies. Só lhes prestei a devida atenção depois de eles terem acabado, muito por causa do "Here comes your man", que foi das primeiras músicas que ouvi e que achava (e acho) completamente banal. Irritava-me que os gajos dessa canção fossem comparados aos Sonic Youth, e criei uma resistência a ouvi-los. Só depois vi o que tinha perdido.
Vi-os finalmente há 2 anos em Lx, e estou a ponderar se vou ou não ao Pavilhão Atlântico no dia 20 de Julho. Gostava de ouvir outra vez aquele monte de banha careca a berrar "TAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAME!!" como nunca ninguém alguma vez berrou na história do rock não-metaleiro, de ver a Kim vestida de dona de casa a sorrir para o público ou de ouvir aquele "Rock me, Joe" a meio do Monkey gone to Heaven. Mas vê-los uma segunda vez em registo requentado também me chateia. Logo se verá.
Dos 4 extraordinários álbuns e um mini-álbum que os Pixies nos deixaram (sim, o Trompe le Monde também é um disco do caraças!), das 65 faixas que lá estão (sim, vou deixar de fora os B-sides), atrevi-me a fazer o meu top pessoal, que obviamente está sujeito a ser alterado todos os dias. Deixem o vosso.
11-20 (in no particular order) - Broken face; Vamos; Levitate me; Wave of mutilation; Monkey gone to Heaven; Is she weird; Stormy weather; Alec Eiffel; U-Mass; Letter to Memphis
10 - Planet of sound
9 - Hey
8 - River Euphrates
7 - Isla de encanta
6 - Gouge away
5 - Tame
4 - Velouria
3 - I've been tired
2 - Debaser
1 - Gigantic

11 março 2006

Le noir, c'est chic!

Deparei ontem, mais ou menos por acaso, com um volume da colecção de cinema da Taschen dedicado ao film noir - ou mais exactamemte à sua época áurea, entre princípios dos anos 40 e finais dos 50. Não resisti a comprá-lo, no que fiz fiz muitíssimo bem. Além de traçar de forma completa e rigorosa a história do género (ainda por cima bem traduzido do original), o livro tem a qualidade de impressão, de fotografia, de design e layout a que a Taschen jamais foge. Na capa e contracapa vêem-se as duas mãos tatuadas de Robert Mitchum (a que Nick Cave presta homenagem em The mercy seat) no assombroso Night of the hunter (embora não especialmente representativo do género, e curiosamente a única realização de Charles Laughton). Por dentro, as páginas são negras e profusamente ilustradas (como é óbvio, quase integralmente a preto e branco). E foi barato, e tudo.
O noir é com grande probabilidade o meu estilo preferido dentro da história do cinema. Gosto de personagens determinadas a ter o que querem a qualquer preço. Gosto de ver mulheres pérfidas e homens manipulados. Gosto de intrigas rebuscadas e reviravoltas inesperadas. Gosto de ver polícias bons e polícias maus. Gosto de sentir o arrependimento amargurado daqueles a quem o crime não compensa. Gosto de ver homens destroçados a vingarem-se das malfeitorias sofridas com as forças que lhes restam. Gosto de filmes a preto e branco. Gosto de actores duros como James Cagney, Edward G. Robinson, Richard Widmark, Glenn Ford, Robert Mitchum ou Humphrey Bogart (pode lá comparar-se Casablanca a À beira do abismo?). Gosto de mulheres sonsas como Barbra Stanwyck, Veronica Lake ou Gene Tierney.
Tem havido boas releituras do género, normalmente por cineastas jovens e em início de carreira. Tarantino e Lynch roubaram imensos elementos do noir na construção dos seus próprios géneros pessoais e intransmissíveis (Pulp fiction e Blue velvet serão os exemplos mais claros). John Dahl (com a preciosíssima colaboração da sua musa Linda Fiorentino, a bitch mais bitch que Hollywood produziu em décadas; e nem sequer bonita, apesar do nome...) tem feito toda uma carreira à conta do noir, sendo A última sedução especialmente notável. Outros bons exemplos são Noites escaldantes (Lawrence Kasdan), The hot spot (Dennis Hopper) ou o colossal Os suspeitos do costume (Bryan Singer). Bons e maus, sem nunca ser claro quem são uns e outros, dilemas morais lancinantes, personagens sempre no limite, gente que respeita valores (pouco interessando se recomendáveis ou não), crime e castigo. E, regra geral, uma mulher fatal (pois claro) como ignição para a desgraça. O que pode o cinema dar-nos de melhor?