08 setembro 2007

Quote of the day - The Flaming Stars / Bring me the rest of Alfredo Garcia

Bring out the dead, bring a bottle today,
bring out all your rubbish and throw it away

Something's missing and it stinks around here,

I said, bring me the rest of Alfredo Garcia


Os Flaming Stars são uma banda formada em meados dos 90's por Max Decharné, um dissidente dos grandes Gallon Drunk. Foram uma das primeiras bandas a entrar de corpo e alma naquilo a que mais tarde se chamaria garage revival, combinando o rockabilly mais sujo com ambientes de cabaret e de film noir, que muitas vezes lembra (ainda que mais no espírito do que no som) Nick Cave ou os Tindersticks; tudo com uma atitude muito punk. Tive a sorte de os ver em Londres em 97, quando promoviam o seu primeiro álbum, Songs from the bar room floor. Foi um concerto do caraças, e 10 anos depois ainda estão aí para as curvas. É verdade que a inovação e o ecletismo não serão os seus pontos mais fortes; mas quem gostar do género e não ligar demasiado a isso não pode deixar de gostar destes moços.
E porquê falar hoje desta trupe? Porque acabei há bocado de ver o grande, portentoso e brutal road-kill-movie de Sam Peckinpah, Bring me the head of Alfredo Garcia, a que os Flaming Stars roubaram (substituindo head por rest) o nome de um dos seus primeiros singles. Infelizmente não há clip dessa música, mas se quiserem ouvir outra para ficarem com um cheirinho, fáxavôr clicar aqui.
E tenham um bom fim de semana.

04 setembro 2007

Quote of the day - Adam Green / Emily

I just don't care about the evening news,
I never listen to the crackhouse blues
They say the city is the place to be
I wanna dance with Emily




A C-70, entidade empregadora reconhecida ao seu pessoal, deseja as rápidas melhoras à D. Emília, dedicada mulher a dias que, como diria o Gabriel Alves, prefere a técnica da força à força da técnica. E na mesma penada (por volta da 4ª estrofe) damos as boas vindas à sua substituta Leonor, esperando do fundo do coração que parta menos coisas e que limpe a casa como deve ser.
Esta muito divertida canção do aspirante nº 1 a Jonathan Richman dos 00's é a melhor de um segundo álbum decepcionante, quando comparado com o extrordinário Friends of Mine, a sua estreia a solo depois daquele disparate pegado chamado Moldy Peaches. mas apesar de a coisa ainda ter piorado no álbum seguinte, continuo a acreditar neste petiz: só o céu é o limite para quem não tem medo de fazer figura de urso.

03 setembro 2007

Murder takes the wheel of the Cadillac, and death climbs in the back

Os 10 anos da morte da ex-futura rainha (ou lá o que seria) de Inglaterra sugeriu-me um post, que deveria ter sido escrito há 2 ou 3 dias mas que por falta de oportunidade vai hoje.
Quando a senhora morreu, tinha acabado há poucos dias os exames do curso que fiz em Londres nesse ano. A coisa deu-se numa noite de sábado, em que havia uma festa na minha residência. Uma vez que era o feliz proprietário de uma mini-aparelhagem e que nutria algum gosto pela função, punha muitas vezes música nestas festas; normalmente repartia a missão com um grego, cujo nome reparo que se me varreu da memória. Adiante. Nessa noite, como de costume, levei a minha mini-hi-fi e estive para aí até às 4 a animar o povo e a mim próprio. Quando me fui deitar aquilo ainda estava para durar, de modo que deixei a aparelhagem por lá com outrem nos comandos, e combinei que na manhã seguinte a ia lá buscar.
Por volta das 11h. bateram-me à porta do quarto. Eram duas colegas acompanhadas por um polícia. E fiquei a saber que na noite anterior dois tipos se tinham introduzido na festa, tinham conseguido ficar por lá despercebidos até toda a gente se ir deitar e tinham gamado as duas aparelhagens de serviço. Iam pela rua fora quando acharam que um carro da polícia estava a desconfiar deles, e vai daí resolveram tentar a fuga. Um conseguiu, o outro foi apanhado - felizmente o que levava a minha Aiwa.
Reparem que tudo isto ia sendo contado a alguém que tinha dormido pouco e bebido bastante na noite anterior, pelo que se compreende a minha estupefacção quando a meio do relato, estava eu a assinar uns papéis quaisquer, alguém mencionou que a pobre Diana tinha quinado. Devo ter feito uma expressão tão perplexa que o polícia se sentiu no dever de me esclarecer, e disse mais ou menos isto: "Oh, but don't worry Sir; it had nothing to do with the stealing of your stereo".
Hoje esta aparelhagem ainda está no escritório, embora pouco usada. Se ela falasse, o mundo saberia finalmente a verdade sobre o que se passou no tal túnel em Paris; mas isso é um segredo meu, dela, do polícia e do ladrão.
Agora, o que tem piada (dentro do género...) é que na noite anterior tinha passado a canção cujo clip vai aqui em baixo. Foi o Kostas, outro grego, que viu o disco na minha mala e me pediu para a passar, apesar de completamente fora da onda britpop/revival que normalmente animava a "pista". Naturalmente passei-a (e dancei-a) com gosto.
Ainda assim, há coisas do caraças.

28 agosto 2007

26 agosto 2007

08 agosto 2007

Quote of the day #2 - Jonathan Richman / Pablo Picasso

Well, some people try to pick up girls and get called an asshole,
this never happened to Pablo Picasso

He could walk down your street and girls could not resist to stare
,
so Pablo Picasso was never called an asshole.


Há que dizê-lo com frontalidade: a experiência de pintura de tectos foi um rotundo sucesso. Apesar de ter parte considerável do corpo salpicada de branco, apesar de ter parte do chão salpicado de branco, apesar de ter pó branco por toda a casa (em quantidades tais que cheguei a ter a esperança que a Kate Moss aparecesse para o chá), apesar de tudo os meus tectos estão um luxo asiático. Melhor ainda, um luxo González, com 100% do passe e tudo. Dignos de serem expostos numa bienal de pintura. Dignos de serem mencionados e comentados naqueles blogues mais vocacionados para as artes plásticas.
A ideia inicial era pintar tudo de branco. Mas já sabem como é, a pessoa começa-se a entusiasmar e às tantas é difícil travar a inspiração. Miquem o resultado final:


Se estiverem interessados nestes ou outros serviços, fáxavor contactar o artista por algum dos endereços ali à direita. Facilidades de pagamento até 18 meses sem juros e oferta de um kit porta-chaves/pente/corta-unhas com a Criação do Mundo às 10 primeiras encomendas*.

* limitado ao stock existente

Quote of the day - Felt / Primitive painters

I don't care about this life, they say there'll be another one
defeatist attitude I know will you be sorry when I've gone
Primitive painters are ships floating on an empty sea
gathering in galleries were stallions of imagery



A C70 aproveita o dia antes da partida para férias para se lançar numa inédita e intrépida aventura de bricolage caseira. Nada menos do que pintar o tecto de 3 divisões. Começo assim a perceber certas coisas que até agora não percebia. depois de uma hora a raspar e lixar um tecto, também eu já estava capaz de emborcar meia dúzia de minis, traçadas com Martini e tudo.
Sei que esta canção, um dos mais belos momentos da dream-pop dos 80's, é muito apreciada por certo casalinho que se encontra de férias na Vagueira, essa bela localidade. Do alto do escadote e de trincha em riste, daqui lhe mando as mais cordiais saudações.

07 agosto 2007

My heart is cold, my soul is free

Acabo de saber, via April Skies, da morte do grande Lee Hazlewood. O homem que compôs, gravou e/ou produziu pedaços do céu como Summer Wine, These boots are made for walkin', Sand ou Some velvet morning, o dono da mais colossal voz de barítono e do mais respeitável bigode da pop, aquele a quem os Tindersticks chamaram "a father to us all" na contracapa de um dos seus primeiros singles, o criador de uma ode triunfal chamada José, o único e verdadeiro cowboy in Sweden (ao que consta exilou-se para lá para que o filho não fosse alistado para a guerra do Vietname), não vai voltar a compor nem a cantar. Quem ama a música pop não pode deixar de se sentir mais pobre.

Obrigado por tudo, Lee. Lá onde quer que estejas, bebe o teu vinho nesta noite de Agosto.


06 agosto 2007

O navio

Sempre a propósito de barcos, navios, mares e afins, lembrei-me desta canção um bocadinho xaroposa demais e que nem tem assim tanto a ver com o assunto, mas que sabe sempre bem ouvir. Lembro-me de há muitos anos ouvir isto às escuras, com os headphones. Ficava sempre arrepiado.
Digam o que disserem deste disco, há coisas que são indiscutíveis: tem um som e uma produção quase perfeitos, e o tipo nesta altura estava a cantar como o caraças. E já agora, tem meia dúzia de canções impecábeis.



Sempre que vejo este clip pergunto-me: como é que eles conseguiram manter cara séria durante tantos segundos? Ver o Blixa e o Kid Congo de meninos de coro é hilariante.

04 agosto 2007

Des marins qui chantent les rêves qui les hantent

Este ano a minha literatura de férias vai ser temática. Vou ler ou reler livros de viagens marítimas, histórias de aventuras e de piratas. De momento estou a atacar a Revolta na Bounty, que é muito diferente do que imaginava, mas absolutamente absorvente. O próximo será provavelmente o Moby Dick, que já ando para ler há alguns anos. Depois, dependendo do tempo e do estado de espírito, relerei as Aventuras de Arthur Gordon Pym, um livro do Edgar A. Poe que li quando tinha uns 11 ou 12 anos, ou o 1º volume da colecção do Sandokan, que devo ter lido com 7 ou 8.
A canção com que tencionava ilustrar este post era o Navigator, dos Pogues, mas o YouTube não colabora. Deixo uma outra, porventura não tão apropriada mas incomparavelmente melhor. Um dos (o?) cantores/compositores não anglo-saxónicos de quem eu mais gosto, uma performance inebriante e uma canção soberba que fala de marinheiros, de portos e da cidade do pecado.



Se quiserem ouvir uma fantástica versão desta canção em inglês, por alguém acima de qualquer suspeita, podem ouvir aqui. Bizarramente, as imagens que verão são o clip de uma outra canção do Mestre, com esta canção sobreposta.

01 agosto 2007

Baby baby, please let me hold you

Ainda a propósito do Ogre verde que visitei esta tarde, ali pertinho do estádio mai'lindo do mundo, o genérico final trouxe-me à memória (quem viu perceberá porquê, quem não viu que vá ver) um clip já velhinho dos Talking Heads. A canção chama-se Stay up late, e ainda que não seja muito mais do que um complemento indirecto na obra desta banda superlativa absoluta analítica, o teledisco é, para não variar, extremamente inovador para os padrões de há 22 anos (até dói dizer isto a quem comprou o álbum quando ele saiu, e hoje até o tem exposto na parede da sala...), apesar da extrema simplicidade de processos. E sobretudo é muito divertido.


E tudo em mim é um fogo posto

Hoje estamos de férias. Ou melhor 2/3 desta casa está de férias. E esses 2/3 vão comemorar o início de Agosto com um almoço num sítio simpático à beira-rio ou à beira-mar (já se verá), seguido de uma ida aos movies. Parece que o outro 1/3 tem uns exames para corrigir... azar!

A propósito do filme que estes 2/3 tencionam ir ver hoje, tomem lá uma cançãozita bem disposta, que era o tema do Shrek original, aqui cantada pelo seu legítimo autor. O mesmo que escreveu coisas como o Red Red Wine e o Girl, you'll be a woman soon (já sem falar desta preciosidade, evidentemente), o one and only Rei do Azeite, o Príncipe dos casinos, o Imperador do cetim branco e da lantejoula, um Senhor com "S" grande e provavelmente o meu maior guilty pleasure musical. Neil, para os amigos.

30 julho 2007

Mancha pop

Há uns tempos, o colega m.a. deu conta, neste belo post, de uma votação destinada a eleger o melhor single dessa grande banda que foram os Blur. Recordo-me como se fosse hoje, apesar de ter sido no Inverno de 91, de ver na MTV o clip do There's no other way e de pensar "que canção do caraças!!!" A seguir fui comprar o Leisure na FNAC da Avenue des Ternes. Estava em Paris a fazer os meus meses de Erasmus. E hoje confirmo que não me enganei, eram mesmo uma banda do caraças que fizeram várias canções do caraças.
E como há bocado estive a ouvir cenas deles enquanto o jantar se fazia, entretive-me a fazero meu top-10. Here it is, com links para todas:

10 - Beetlebum
9 - Parklife
8 - She's so high
7 - Song 2
6 - To the end
5 - There's no other way
4 - End of a century
3 - Tender
2 - Girls & boys

and the winner is, really really really....

Uma boa monday

...em especial para todos os blues.

29 julho 2007

Um bom sunday

em especial para todas as girls.

27 julho 2007

Quote of the day - The Boo Radleys / Wake up Boo

Wake up it's a beautiful morning,
Feel the sun shining for your eyes
Wake up it's so beautiful
For what could be the very last time




Está uma manhã bela e amarela, sim senhor. Mas eu estou com um sono que não me aguento.
Aaaaaaaaahhhhhhh, os saudosos tempos do britpop! Esta canção nem é propriamente nada de extraordinário, e esta banda nunca foi da Primeira Liga. Mas de repente bateu-me uma ligeira nostalgia dos idos de 95/96, quando os Supergrass eram young and free, os Blur seguiam as hordas down to Greece, os Suede eram gente selvagem e bonita e os Pulp eram simplesmente os Pulp. Those were the days...
Estás a ficar velho, meu caro. Pior ainda, um sentimentalão.

26 julho 2007

Quote of the day - Sonic Youth / Sugar Kane

And I know
Theres something down there, sugar soul
Back to the cross a twisted lane
There something down there sugar kane


Sugar Kane é um dos principais produtos de exportação de vários países das Caraíbas.

Sugar Kane era a tocadora de ukulele interpretada por Marilyn no sobre-excelente Some like it hot.
Sugar Kane é um grande single da Seita Sónica, que me apeteceu subitamente ouvir antes de ir dormir.

23 julho 2007

Sha la la la la la la la

Sou um homem com poucas certezas na vida. Houve tempos em que tinha três * :
- Jorge Nuno Pinto da Costa nunca subornou um árbitro;
- os três pastorinhos fizeram alguma coisa muito feia para arranjarem uma desculpa tão rota num certo 13 de Maio;
- é impossível cantar uma canção do Tom Waits melhor do que o próprio Tom Waits.

Hoje só tenho duas. Check out why.



* se fizerem uma piada à conta desta expressão evitem a vulgaridade, s.f.f.

C70 Feelgood Mix of the Summer

Após um fim de semana entre o Minho e a Galiza, eis que a C70 regressa com um docinho para os seus mais que queridos e estimados leitores e leitoras: um belo mix para o Verão que, se o Altíssimo o permitir, ainda há-de chegar. Lá para Novembro, talvez, mas há-de chegar.
Confesso que não sei muito bem como funcionam estes sites de partilha, portanto não faço ideia até quando podem sacar o C70 Feelgood Mix of the Summer. Se carregarem aqui, hão de ir lá ter. Depois é só seguir as instruções, com paciência. E dançar e cantar e acompanhar todos os shalalalas. São
23 selecções para deixar toda a gente a sorrir e a abanar a anca.
Mas o que está lá, perguntais vós, gente com uma largura de banda modesta que não está para perder tempo a sacar aquilo que já ouve na rádio? Descansai; o que aqui está, sendo 115% pop, não está corroído por nauseabundas repetições radiofónicas. algumas já estiveram, mas já não estão. Ora vede:


01 Specials - Enjoy yourself
02 J. Geils Band - Centerfold
03 Divine Comedy - Songs of Love
04 Lemonheads - Into Your Arms
05 Jonathan Richman - I was dancing in a lesbian bar
06 Bow Wow Wow - I want candy
07 Adam Green - Kokomo
08 Manic Street Preachers - Can't get my eyes off you
09 Ash - Shining Light
10 Nada Surf - Blankest year
11 Australian Blonde - Chup Chup
12 Echo and the Bunnymen - Crystal days
13 Belle and Sebastian - Another sunny day
14 Talking Heads - People like us
15 Breeders - Drivin' On 9
16 I'm from Barcelona - Don't give up on your dreams
17 Nosotrash - Gloria
18 Nosotrash - Corazón Colilla
19 Velvet Underground - Temptation Inside Your Heart
20 Primal Scream - Movin' on Up
21 George Michael - Freedom
22 Iggy Pop - Success
23 Rubettes - Sugar baby love

Espero que vos faça muito bom proveito. E fiquem com uma amostra: um clássico que toda a gente conhece, mas que nunca deixa de nos por a bater o pé.
Enjoy!




19 julho 2007

Quote of the day - Nosoträsh / Gloria

Bailar por este pasillo que está tan frío,
mezclar chocolate y leche para un batido,
pegar saltos en la cama, mejor si es acompañada,
acostarme los domingos ya muy de madrugada.



Já sabem que tenho um fraquinho por bandas de gajas, de preferência daquelas com 100% de gajas, e ainda mais de preferência com um som a puxar ao retro. Ora isto é muitíssimo aborrecido, porque há cada vez menos bandas destas.
Daí que seja, de há muito tempo, um grande apreciador desta trupe de nuestras hermanas asturianas. Não são uma banda que vá mudar, e provavelmente nem sequer ficar para, a história da pop, mas são extremamente simpáticas e fazem-me muito boa companhia. Ainda por cima têm um nome bestial. Gostava de lhes oferecer um caramelo, daqueles bons. E um gomo daquelas tangerinas cobertas de açucar. Elas merecem, são umas queridas. Digam lá que não depois de ouvirem uma coisa tão uplifting...

17 julho 2007

Quote of the day - Tindersticks / Jism

And the pain runs into the blue,
If there's ever anyone else, I'll understand and kill them
And I'll overflow your every inlet,
You will not cough and spit, you awoke from the end
And I tell you with my tongue between your toes
If there's ever anyone else don't let them do this
And I'll laugh and revel as you scratch and crawl,
If there's ever anyone else just show them the ugly mess
You hide these things so well,
There's no finding, no finding




Já há muito que não me dava para estes gajos.
De vez em quando é preciso repetir em voz alta, para nunca nos esquecermos: que banda fenomenal foram os Tindersticks !!

15 julho 2007

Nossa Senhora dos tops

Este fim de semana ocorreram-me algumas listas musicais. Nada de novo para quem sofre do chamado "síndome Alta-Fidelidade" (quem viu o filme de Stephen Frears percebe a piada; quem não viu não merece o ar que respira). Uma delas veio-me à cabeça ontem à tarde, quando perante tão solarengo dia resolvi botar a tocar a Immaculate Collection da Sra. Dona Louise Veronica Ciccone, que começa exactamente com o Holiday.
E pus-me a pensar nas 5 melhores canções com que nos presenteou nestes mais de 20 anos de carreira. O top provisório a que cheguei (e que ainda deixa de fora 2 ou 3 pérolas) foi este:

5 - Open your heart
4 - Like a Virgin
3 - Into the groove
2 - Like a prayer

O nº 1, como de costume, tem honras de clip. Como qualquer escolha, é altamente subjectiva. E deve ter muito a ver com o facto de ter sido a 1ª música que ouvi à moçoila, andava eu para aí no 9º ano. Aaaaah, a frescura da 1ª vez...


13 julho 2007

Quote of the day - Pixies / Monkey gone to Heaven

There was a guy, an underwater guy who controlled the sea
Got killed by ten million pounds of sludge,
from New York and New Jersey
This monkey gone to Heaven



"Estudou até ao 12.ºano, frequentou a escola da Ribeira e depois o Liceu Cal Brandão, "onde estudavam os miúdos da Rua Escura, da Sé, das Fontainhas, éramos só índios. Quando cheguei ao nono ano os meus pais transferiram-me para o Liceu Carolina Michaëlis para eu ficar no meio termo. Acho que isso é o que hoje faz a minha diferença em relação aos outros, tenho a minha parte de índio e a minha parte de intelectual".
A citação transcrita nada teria de especial, não viesse de quem vem. A intelligenzia portuense congratula-se por receber no seu seio um novo elemento, de seu nome Fernando Madureira - a.k.a. Macaco. Adivinha-se que grandes coisas sairão um dia dessa cabeça, para além de cera dos ouvidos e dos seus homónimos do nariz. Podem conferir aqui, na edição de hoje do DN.

12 julho 2007

Pipo e as Pipettes

Hoje a Inês foi jantar fora; parece que era um jantar de gajas (aliás, de Sras. Gajas). Fiquei em casa com o Filipe; um jantar de gajos. Para animar o serão, chamei três inglesas de quem ele é amigo há muito tempo, e que animaram os nossos fettuccine com amêijoas.

Cena cachucha: a meio de uma canção pergunta-me o jovem, do alto dos seus 5 anos: "As miudas estão a falar inglês?"

11 julho 2007

If nightingales could sing like you....

Num intervalo da tarefa mais chata do mundo, só me apetece disparatar. E ninguém melhor para disparatar que os Marx Bros.
A situação não podia ser mais simples: os quatro manos são clandestinos num navio que chega ao destino, e precisam de um passaporte para desembarcar. Zeppo, o mano direitinho (por isso mesmo só fez 4 filmes) consegue roubar o passaporte de Maurice Chevalier, que também ia no barco. E cada um dos irmãos tenta, à vez, fazer-se passar pelo rouxinol francês.
Da primeira vez que vi esta cena (já lá vão umas décadas) quase tive uma apoplexia de riso. Hoje tenho que me conter para não fazer aos exames que tenho à minha frente o mesmo que Harpo faz à papelada da imigração na parte final da cena.


06 julho 2007

Get'em to the registry on time

A família C70 não pára de crescer. E desta vez não é nenhuma criança que vem aí: desta vez é o Chico. O Chico vai-se casar amanhã. E a Cristina. A Cristina também se vai casar amanhã. Curiosamente, casam no mesmo dia. Ou se calhar não tão curiosamente, dado que casam um com o outro. Ou melhor, com a outra. Mais uma maravilha do 7/7/7.
E perguntam, o que é que isto tem a ver com a C70? Tem tudo. O Chico é meu sobrinho, a Cristina vai passar a ser, oficialmente, por obra e graça do art. 1576º do Código Civil. Mais: o Chico é meu afilhado de baptismo (é verdade: em tempos a igreja chegou a reconhecer-me competência para o cargo... LOL!!!); amanhã vai ser também de casamento. Amanhã, às 11.15 da manhã (não ha bela sem senão), na C.R.C. desta terra de horizonte e mar. Eles que vieram de outra terra com mais horizonte e muito, MUITO mais mar. A bem dizer, aquilo é só mar. Mar e inhames.
E chega. Só mais quatro palavrinhas, antes de passar a palavra e a garrafa ao Sr. Doolittle:
VIVAM OS NOIVOS, CARAGO!

05 julho 2007

As rosinhas saltitonas

Aquela colectividade tão apreciada aqui por estes lados não pára de surpreender, e se contuniam assim vão ter que editar um "best of" dos hinos para a nova temporada. Então não é que uma canção que tanto me fez abanar o capacete, vai para vinte e tal anos, vai passar a ser tocada quando Simonetta & Cª derem entrada no relvado do galinheiro?


Mas numa coisa temos que dar o braço a torcer: que o modelito lhes assenta bem, ai lá isso assenta. Se escolhessem tão bons treinadores como modistas, 60% do nosso país andava mais alegre.

04 julho 2007

Quote of the day - Galaxie 500 / Fourth of July

And if it don't improve, then I have to move
I never thought that I would end up here
Maybe I should just change my style
But I feel alright when you smile






Sempre a par com o calendário Gregoriano, a C70 recorda o momento mais-que-perfeito em que a pop vintage e o shoegaze deram as mãos, pediram uma margarita e viram o sol pôr-se por trás dos arranha-céus de Boston.
Estava um dia frio, mas o sol brilhava mais do que o habitual.

03 julho 2007

Five years

Your face, your race, the way that you talk,
I kiss you, you're beautiful, I want you to walk!
O dia mais importante da minha vida foi há cinco anos.

01 julho 2007

Hoje é dia de festa,

...e cantam as nossas almas, porque faz anos a menina Inês. Ou atendendo à sua já provecta idade, faz anos a Senhora Dona Inês.
PARABÉNS SENHORA DONA INÊS
E esta senhora gosta bem destes dias, com jantares fora e idas à discoteca e prendas e bolos e gente a ligar-lhe. Lá no fundo esta Inês é uma gaiteira. Ume sempre em festa. Podemos dizer sem mentir que


25 junho 2007

Quote of the day - This Mortal Coil / Kangaroo

I first saw you, you had on blue jeans
Your eyes couldn't hide anything
I saw you breathing, oh,
and I saw you staring out in space


Esta canção demasiado perfeita é um original de Alex Chilton e foi originalmente editada no fantástico Third / Sister lovers, dos Big Star - uma das pérolas mais preciosas da pop dos anos 70. A versão que temos aqui, como já repararam, é a dos This Mortal Coil, a banda (?) de covers que o patrão Ivo Watts-Russell decidia reunir, volta e meia, entre os artistas da 4AD. Quem canta neste caso é Gordon Sharp, vocalista dos defuntos e esquecidos Cindytalk.
Se por acaso algum frequentador deste tasco nunca se tiver cruzado com a maravilha que é It'll end in tears, o primeiro album desta pandilha, a pergunta é curta e grossa: estás à espera de quê??

24 junho 2007

Finalmente!!

Aqui está ele!



Cortesia do grande Bolachas Grátis. Isto sim, é serviço público.

22 junho 2007

Summer's here, and the time is right for...

Já com um dia de atraso, a C70 deseja a todos um Verão em grande.

20 junho 2007

Jump, they say


Depois das bombásticas declarações do Boer papudo tudo passou a fazer sentido, e percebemos finalmente as razões pelas quais 2/3 da nossa população não pode imitar David lee Roth, ou seja, porque é que
QUEM NÃO SALTA É LAMPIÃO, OLÉ.

São elas:
1) o reumático;
2) as artroses;
3) a osteoporose;
4) os joanetes;
5) já não se lembram como se faz.

19 junho 2007

El Matador

A C-70, sempre bem colocada junto das mais secretas fontes, descobriu o que os jornais desportivos ainda não sabem: o ponta de lança que o S.L. Passarinhos desencantou para acabar de vez com a concorrência.
Vejam com os vossos próprios olhos as habilidades do novo Matador, e tremam!

Quote of the day - Pulp / Help the lamps

Finalmente compreendem-se as verdadeiras, e de resto extremamente nobres, intenções do grande mecenas sul-africano. Ei-las expostas numa melodia de sempre, que bem pode substituir aquela palhaçada das papoilas saltitantes como hino da nova delegação do Lar do Comércio para a 2ª circular.
Não deixem de reparar no cameo do Rui Costa à passagem dos 2.40'. O rapaz tem jeito.

18 junho 2007

Hate you as I like 04

Um palhaço que depois de se cansar de desfraldar bandeiras brancas em palco reúne com Bush e Barroso, e passa por salvador do mundo; outro que tem a real lata de se auto-intitular "The Edge" (falava eu das peneiras dos Stone Roses!!!); e duas não-entidades que ninguém reconheceria na fila do supermercado.
Eis uma das bandas que mais me tira do sério. A sério, eu nem tenho maus fígados, mas estes gajos... blaaaaaa#$&&%&%#$$#%$#&%aaaaaaargh!!!!!
Pronto. Espero que isto não seja causa de divórcio.

PS - O regresso desta rubrica tem a ver com este fantástico artigo, referido por este caríssimo escriba num post aparentemente inspirado por um comentário meu num outro post dele. Uma espécie de bilhar as três trivelas.
PS2 - Apesar de todo este fel, faz agora 14 anos que eu fui de propósito a Paris para ver um número de circo, perdão um concerto destes palhaços. Por mero acaso, a banda que fazia a 1ª parte chamava-se Velvet Underground.

17 junho 2007

Back to basics

Depois de um fim de semana em que o prato forte foi o excelente Sound of Silver dos LCD Soundsystem, dou por mim no domingo à noite a trautear canções dos quatro homens-máquina de Dusseldorf. E a pensar em como foram de facto fundamentais para que se fizesse tanta da música de que eu gosto, desde 1977 até 2007.

PS: reparem no tributo aos dois semi-deuses do rock, entre os 3.19' e os 3.26'. É bonito e fica bem saudar quem merece ser saudado.

14 junho 2007

Quote of the day - Spiritualized / Come together

Little Johnny's sad and fucked,
First he jumped and then he looked
The tracks of time, these tracks of mine
Little Johnny's occupied
Come on, come together



Um post num blogue amigo trouxe-me à memória esta canção de um dos melhores discos de 1997 (de resto, um ano fracote). O tal disco com uma edição especial em que vinha embalado numa caixa de medicamento.
Claro que as temáticas não têm nada a ver uma com a outra, para além da piada fácil. Mas o que hei-de eu fazer, se sou boçal por natureza?

13 junho 2007

Blown to hell, crash!

Faz hoje cinco anos. Era dia de Sto. António, e por isso as ruas de Lx estavam felizmente desertas. A Inês ficou, porque o Filipe estava quase quase quase quase para aparecer ao mundo. O meu Jazz estava na rodagem. Abalámos daqui já tarde, porque seu Jorge tinha uma reunião. O Dr. Salazar levou a OST do 24-hour party people para animar a viagem. Comemos as belas sandes de leitão no parque de estacionamento ao lado do Paradise Garage. E depois ouviu-se...


Belo concerto, olé se foi, apesar de as manas catatuas para variar se terem desentendido em palco. Vai-se a ver ainda foi por isso que ficámos sem Gigantic.
O bilhete ainda está ali na parede a olhar para mim. E já agora, ainda marchava uma sandes de leitão e uma super bock.

12 junho 2007

O diabo no corpo

I don't have to sell my soul,
He's already in me!



Quanto mais vezes ouço este disco, mais me convenço que lá pelos idos de 88-89 o Chifrudo andou por Manchester. E fez um trato com 4 rapazes.
Que banda, que canção, que álbum!... Quem lhes pode levar a mal as peneiras?
(Se tiverem dúvidas, quanto ao talento e quanto às peneiras, fáxavor conferir primeiro aqui e depois aqui.)

06 junho 2007

A girl called Ronnie

So won't you say you love me,
I'll make you so proud of me,
we'll make 'em turn their heads every place we go!




Era uma vez uma rapariga chamada Veronica Bennett, que dançava e cantava com a irmã Estelle e a prima Nedra em bares e salas de NY. Veronica encurta o nome para Ronnie. A sua voz colossal e a sua beleza exótica fazem-na a líder natural do trio, que passa a chamar-se Ronettes.
Em 1963 o caminho das Ronettes cruza-se com o de Phil Spector. A voz majestosa encontra o Wagner louco e megalómano da pop, e desta explosão nasce aquele que é bem capaz de ser o maior single pop jamais produzido. Ninguém fica indiferente, todos se voltam para os ver passar.
Mais de 20 anos depois, esta canção estaria presente no primeiro momento perfeito de uma das bandas mais importantes dos anos 80, que começa com o mesmo boooom, boom-boom, bang. Uma obra prima gera outra. Além disso abre um dos meus filmes favoritos, o Mean Streets de Scorsese. É tão perfeita que não conheço quem se tenha atrevido a gravar uma cover.
Infelizmente para os Spectors, o resto da história não é exactamente um conto de fadas. Casaram, ele enlouqueceu e enclausurou-se/a em casa, divorciaram-se, e neste momento Phil Spector enfrenta a perspectiva de prisão perpétua pelo homicídio de uma actriz. Já a nossa Ronnie lançou no ano passado um disco que faz lembrar os seus gloriosos anos 60, e que passou injustamente despercebido. Chama-se The last of the rock stars e até tem uma nova versão de Ode to LA, a canção em que colaborou com os Raveonettes (que assumem sem disfarces a herança do casal Spector, desde o nome à saturação sonora). Ouçam-no e não se arrependem. Eu ando a ouvi-lo em regime non-stop.
Woah, oh, oh, oh, oh....

05 junho 2007

Quote of the day - Mazzy Star / Fade into you

I want to hold the hand inside you,
I want to take a breath thats true
I look to you and I see nothing,
I look to you to see the truth
Fade into you,
Strange you never knew



Sucumbindo à recordação despertada por um dos melhores blogues da praça, deu-me vontade de ouvir (e ver) esta pérola da safra de 93 antes de recolher ao leito.
Salvé, Raínha Esperança!

03 junho 2007

Quote of the day - The Auteurs / Show girl

I took a showgirl for my bride,
thought my life would be righteous
Took her bowling, got her high,
got myself a showgirl bride



Os Auteurs foram uma das melhores bandas da primeira vaga britpop. Infeliz e injustamente nunca subiram à primeira divisão, e ficaram sempre na sombra dos Suede. É verdade que Luke Haines não tinha a voz nem o carisma de Brett Anderson, mas não lhe ficava a dever em termos de composição.
Muitos anos depois, este Show girl, primeira música do primeiro álbum, parece ter servido de lema de vida ao presidente do meu clube. Será mera coincidência o facto de o disco ser editado pela Caroline Records - como se pode conferir no clip - ou estaremos de facto perante uma cabala de proporçoes mais gigantescas do que alguma vez supusemos?
Só o Altíssimo, Charles Manson ou Paulo Paraty poderão responder.

31 maio 2007

Quote of the day - Kinks / Wonder boy

Wonder boy, and the world is joy, every single day,
Its the real McCoy, wonder boy.




Boa sorte, wonder boy, foi pena não teres tido tempo para mostrar mais habilidades por cá.
Qualquer dia há-de vir outro.

29 maio 2007

Eternal life

Foi-se há 10 anos, nas águas de um afluente do Mississipi. Merda.

27 maio 2007

O' happy days (3)

78 min. Ribeiro Cristóvão e Miguel Prates, que comentavam o jogo na RTP1, diziam que a água mole em pedra dura, tanto bate e às vezes não fura. Eu próprio começava a deixar de acreditar. E então houve magia, e vimos um golo tão fantástico que só podia ser um sonho:


80 min. Eu ainda gritava o golo anterior. Depois das comemorações, Madjer tem que ser assistido fora do campo. Quando se prepara para reentrar, Ribeiro Cristóvão diz que se calhar estará incapacitado para os minutos que faltam. Mal entra, o argelino faz só isto ao lateral direito do Bayern:



Passei a noite na rua e ao raiar do dia fui às Antas receber a equipa. Não é por acaso que o dia 27 de Maio de 1987 está desde o início presente no banner da C-70. Provavelmente nunca o futebol me dará outra alegria como esta. Obrigado, FCP.

O' happy days (2)

Passaram ontem 3 anos sobre a segunda maior alegria da minha vida de adepto da bola e do melhor clube do mundo. A coisa deu-se na Alemanha, mais exactamente num sítio chamado Gelsenkirchen. Desta vez não estava lá. Estava em casa de um amigo, acompanhado de amigos. Antes de fazer dois anos, o meu filho já era bicampeão nacional e tinha ganho duas taças europeias. Tunga!


26 maio 2007

Lila Downs@Guimarães

Como toda a gente sabe, a C-70 é sobretudo um espaço de pop-rock. Mas onde o multiculturalismo e a biodiversidade são acolhidos de braços abertos, e em que volta e meia se arranja espaço para a world-music. É claro a folk e todos os seus derivados não deixam de ser world-music, mas isso é uma conversa que nos dava para o dia todo e ainda quero ir ao ginásio antes do almoço. Adiante, portanto.
Serve tudo isto para exortar o nosso vasto auditório a comparecer em massa no Centro Cultural de Vila Flor, em Guimarães. É que hpje é noite de Lila Downs, e um concerto dela não se pode perder. Se for tão bom como o do ano passado na Casa da Música, acreditem que vale mesmo a pena a viagem e o bilhete. Para quem não conhece (e não me ocorrendo melhor termo de comparação), mete a Lhasa de Sela a um canto. Eeeeeeeeeeeeasilly....
Hasta lueguito.

23 maio 2007

Quote of the day - Cure / A forest

Suddenly I stop, but I know it's too late
I'm lost in a forest all alone
The girl was never there, it's always the same
I'm running towards nothing,
Again and again and again...
....

... and again, and again.




Não sei porquê, deu-me para isto, deve ser de ouvir muito o disco dos Legends. Muitos anos depois continua a ser uma canção e pêras.
Vejam a carinha do Beto Silva antes de deixar crescer a trunfa, e digam lá se o moço não tinha ar de electricista, ou servente de trolha, ou coisa que o valha.
E se quiserem ainda melhor, vejam aqui o clip de outra canção quase tão boa.

What goes on

Do caraças!, é o que se pode dizer dos singles novos dos Interpol (The Heinrich Manouver) e dos Editors (The smokers outside the hospital door) - este último em destaque aqui em baixo para deleite de V. Exas. Épicos e grandiosos. Estarão com certeza na lista C-70 das melhores canções do ano.
Ainda quanto a novidades, Icky Thump, o avanço para o novo dos White Stripes é uma grande desilusão. Parece escrito de improviso e gravado ao primeiro take, entre umas cervejas e dois discos dos AC/DC. Até pode ser que me habitue, mas para já parece-me banal e desinspirado. Outra desilusão é Bird Flu, o novo da nossa querida M.I.A. Muito longe dos gloriosos Galang ou Sunshowers.
Ainda não decidi se gosto ou não do single novo dos Chemical Brothers. Do it again soa demasiado a uma cópia de Sexyback (o do Justin), mas menos divertida. De qualquer forma, a versão radio edit é melhor do que a que têm aí linkada, que por demasiado longa perde o assunto a meio.
Recomenda-se vivamente a todos a audição, compra, gravação ou sacanço de Version, novo álbum de Mark Ronson. Como o nome indica, é um disco composto sobretudo por versões de canções que já conhecemos, aqui em versões lounge/big beat/ swing muito bem esgalhadas. Vai desde o antigo (Jam) ao recente (Kasabian, Zutons, Kaiser Chiefs, Maximo Park), passando pelos Radiohead e até pela Britney. Um dos pontos altos (a par das interpretações de Lily Allen e Amy Winehouse) é este Stop me, original dos Smiths aqui misturado com o clássico You keep me hanging on (já cantado por toda a gente das Supremes a Kim Wilde e passando por Lou Reed)
Só para terminar, referência a duas belas covers que andam por aí: os Killers (banda de que eu continuo a gostar muito, por muito que lhes chamem azeiteiros) gravaram Shadowplay, dos eternos Joy Division, para a BSO do biopic de Ian Curtis, recentemente apresentado em Cannes; e os Franz Ferdinand fizeram o mesmo a All my friends, novo single dos LCD soundsystem, mas aqui para sair como lado-B. Desta última não há cópia disponível, mas vai o original que é para ninguém se queixar.

E fiquem todos muito bem.

22 maio 2007

O' happy days (1)

Como estamos em semana de festa cigana, a C70 vai aproveitar para recordar alguns momentos de festa em finais de Maio de anos anteriores. E já foram alguns.
O que se recorda hoje deveria ter sido postado ontem, não me tivesse dado o sono. No dia 21 de Maio de 2003 estava um calor infernal em Sevilha. Todos se lembram de como foi: decidido a poucos minutos do fim do prolongamento por aquele a quem chamávamos o Ninja, por estes dias assobiado para os lados do galinheiro. Foi com toda a certeza o jogo mais sofrido a que assisti ao vivo. E bem sofri também para lá estar, um dia inteiro na fila, sem chapéu nem protector, e um escaldão que me deixou marcados na cara os óculos de sol, para gáudio de alguns.
Deixo aqui o momento picaresco da noite, a abrir a 2ª parte. E vejam como até aqui se mostrou a classe à parte do futebolista com mais troféus de todos os tempos.

21 maio 2007

Quote of the day - Grandaddy / Now it's on

Bust the lock off the front door
Once you're outside you won't want to hide anymore
Like the light on the front porch
Once it's on you're never wanna turn it off anymore
And now it's on,
NOW IT'S ON!



Este ano custou, mas finalmente está arrumado. O Filipe já é tetracampeão.

Alguns adeptos (não todos, naturalmente) de certo e determinado clube de bairro têm aqui uma pequena dedicatória, cortesia da C-70.
E não precisam de agradecer.

20 maio 2007

Vou ali ser campeão e já volto.

Fiquem bem.

14 maio 2007

This is the way, step inside


Qual é o mínimo denominador comum entre Velvet Underground, Bowie, Iggy Pop, A Certain Ratio, Sex Pistols, Cure, Buzzcocks, Teardrop Explodes, Echo & the Bunnymen, New Order, Swans, Interpol, Girls Against Boys, Editors, Legends, Jose Gonzales, Nouvelle Vague, Moby, Nine Inch Nails, Colder, Killers, X-Wife e
uma galinha?
No próximo dia 18 passam 27 anos sobre a morte de Ian Curtis. A C70 vai recordar um dos maiores poetas do rock, um dos maiores vultos da cena pós-punk e um dos maiores ícones pop. O vocalista de uma das bandas inglesas mais influentes de sempre, o co-autor de um dos maiores discos jamais feitos.
Na sexta-feira os Joy Division vão dominar o Radio Bar. Eles e todos aqueles que os influenciaram ou por eles se deixaram influenciar, que se apropriaram das suas canções ou que partilharam os mesmos palcos.
Só a galinha é que não vai estar lá. Ou vai?

12 maio 2007

"Estou sujo, roído dos piolhos...

...os porcos quando olham para mim vomitam!"


Ontem fui ver, ao esplendoroso Theatro Circo, a estreia de Maldoror pelos Mão Morta. E o que é Maldoror, pergunta o desatento leitor? Ora bem, também eu (que lá estive) gostaria de saber responder de forma cabal. Mas posso dizer, sem mentir, que é uma espécie de adaptação sem forma definida da obra (que eu nunca li) do Conde de Lautréamont, pseudónimo de Isidore Ducasse. Pelo que li e me apercebi, a abordagem dos MM centra-se na ideia nuclear do livro, não tentanto acompanhar qualquer tipo de narrativa. E qual é a ideia nuclear? O mal, a repulsa, a indignidade, a recusa de quaisquer resquícios de autoridade, valores, ordem ou moral. Perversões sexuais, pedofilia, piolhos, matadouros, excrementos, sangue. Tudo isto, e muito mais, vai sendo recitado pelo nosso caro Adolfo, enquanto os 5 restantes elementos da banda o vão acompanhando musicalmente num registo rock próximo do habitual, cada vez mais permeado pela electrónica (como é patente nos últimos dois álbuns da banda e nos projectos paralelos de ACL, em especial os Mécanosphere). O centro do palco é ocupado por uma estrutura sobre a qual está pousada a bateria, e cuja base é o suporte de projecções de vídeo, muitas vezes captadas em directo pelo próprio Adolfo ou pelo arco do contrabaixo de Joana Longobardi. Os figurinos tranformam os 6 músicos em seres de esgoto, com escamas, pelos e pinças.

Dirá o leitor atento: rock, encenação de textos literários, sangue, sexo, anarquia, sujidade... qual é a novidade? Já não fizeram uma coisa parecida com Müller no Hotel Hessicher Hof? Já não ouvimos tudo isso desde há vinte e tal anos, em canções como Véus caídos, Aum, Charles Manson, Anarquista Duval, Bófia, Chabala, Amesterdão, Cão da Morte, Anjos Marotos, etc. etc. etc? Claro que sim. O que só nos garante que com Maldoror os MM estão no seu ambiente natural. Mas isto é também, porventura, a maior reserva que o espectáculo pode merecer: não estarão a dar uma grande volta para continuar falar do mesmo, apenas com uma superior caução literária?


Naturalmente, nada como ir ver (o que cá no Porto, pelos vistos, so vai ser possível em 2008...) . Entretanto, podem espreitar aqui se quiserem ter um cheirinho do espectáculo. Ou ler aqui uma entrevista com o poeta/performer/músico/jurista a quem alguém uma vez, num debate e falando a sério, chamou Dr. Luxúria. Fica-lhe bem.

10 maio 2007

Especial Guilherme

A Grande Família C70 não pára, e hoje nasce a C07. Dentro de algumas horas, se tudo correr bem, vai nascer o Guilherme. O Guilherme é filho do João e da Isabel. O João é meu sobrinho. O Guilherme será o meu quarto sobrinho-neto.
Como diz a Polly Jean, c'mon, Billy. Salta cá para fora porque há muito para fazer nesta vida. Bem vindo!!


06 maio 2007

Mothers of the world, unite!

A Classe de 70 não deixa passar em claro o primeiro domingo de Maio, agradece às mães de todo o mundo e exorta-as a continuarem a ser quem são!

Que sejam como a mãe da Stacy,


não como a do Kyle.

05 maio 2007

Put your Wray Gunn to my head






+







=


Ray = Raio.
Gun = Arma.
Raygun = arma de raios; artefacto utilizado amiúde por alienígenas em filmes e séries de ficção científica posteriormente considerados/as "de culto".
Wray = Segundo nome do guitarrista Link Wray, percursor de múltiplas formas de utilização da guitarra eléctrica no rock (distorção, fuzz) a partir de meados dos anos 50. Morreu em finais de 2005.
Gunn = Segundo nome do personagem principal da série Peter Gunn, cujo tema-título (escrito por Henri Mancini) todos nós conhecemos e trauteamos de quando em vez, e que tem sido alvo de N versões. Talvez a mais conhecida seja a dos Art of Noise, com a colaboração do veterano Duane Eddy (e que além de tudo tem um belo clip). Também era um jogo para o ZX Spectrum, mas nunca cheguei a perceber como se jogava.
Wraygunn = Segunda melhor banda portuguesa da actualidade, que mistura surf-rock, soul, R'n'B, gospel e o que mais se lembrar num caldeirão irresistível. São liderados pelo grande Paulo Furtado, a.k.a. Legendary Tiger Man, a.k.a. "o chefe".
Tocam esta noite no Plano B, à Rua Cândido dos Reis, na Invicta, e trazem na mala o seu novo álbum, Shangri-la.
Programa imperdível, para depois do FCP-Nacional no Dragão e da francesinha no Degrau.

03 maio 2007

Quote of the day - Whipping Boy / When we were young

When we were young we had no fear
of love nor sex nor warnings
Everyone was hanging out, everyone was sorted
When we were young nobody knew
Who you were or what you'd do
Nobody had a past that catches up on you
Amanhã tenho um jantar de curso, o primeiro a que vou. Este ano faz quinze anos - QUINZE ANOS, CARAÇAS!!!!! - que acabei o curso e me vim embora de Coimbra. Nunca mais vi grande parte dos meus colegas de curso. Como estarão depois de 15 anos? Barrigudos e carecas, ou elegantes e charmosos aqui como moi?
Como diz o povo, os anos passam e a caravana ladra. Comemoremos a velhice com este grande single de um dos melhores discos da grande colheita de 1995.

30 abril 2007

Pai babado é....

... aquele que vai no carro e ouve o filho de (quase) 5 anos a trautear casualmente, lá detrás na sua cadeirinha,
HI, HO... LET'S GO!!!

29 abril 2007

A riot of my own... 30 years now


Em Abril de 1977 deu-se o grande salto em frente no punk britânico – que é como quem diz, europeu. É verdade que Never mind the bollocks, here’s the Sex Pistols, editado alguns meses depois, seria o manifesto final e definitivo da classe de 77, contribuindo para a causa com Anarchy in the UK, o hino desta geração (que por acaso até já tinha saído em single em finais de 76). Mas isso não altera o facto de os Clash terem sido a melhor e mais inovadora banda punk inglesa. Se não lhe quiserem chamar facto, chamem-lhe "opinião subjectiva fortemente fundamentada”. Pouco interessa.
The Clash, o álbum, foi gravado numa pressinha, ao longo de 3 ou 4 fins de semana. Como acontece com quase todos os discos que atingem um estatuto mítico, circulam inúmeras histórias sobre a sua gravação, como a que diz que quando a banda apareceu no estúdio com as roupas meticulosamente rasgadas e pintadas (sim, eles eram cool e ligavam muito às aparências) foram tomados por trolhas e enviados para uma sala que estava em obras. Ou a que conta que ao ver a Fender de Joe Strummer colada em várias partes com fita adesiva, um executivo se apressou a mandar vir uma guitarra novinha em folha, que o mesmo Strummer destruiu de imediato.
Mick Jones terá dito, a propósito das gravações, qualquer coisa como "I was so into speed I don't even recall making that album". Verdade ou exagero, o facto é que o sentido de urgência deste disco, de se ter algo a dizer muito alto e muito depressa, só podiam encontrar um paralelo razoável numa banda nova-iorquina, também com um conceito particular do cool, que também dizia rapidamente (por vezes demasiado rapidamente) o que tinha a dizer: os Ramones, claro. Mas ao contrário destes (e do punk nova-iorquino em geral, uma onda mais trendy e intelectualóide que se movia por galerias de arte e privava com poetas beat), os Clash (e o punk britânico em geral, vindo da rua, das filas do dole, dos bairros sociais e do fim dos restos de um império que percebia que tinha deixado de o ser) incluíram desde o início temas políticos (entendendo-se aqui expressão no sentido mais amplo) na sua agenda. O confronto (“clash”, em inglês) com a autoridade é o fio condutor destas canções, seja ela a polícia, os políticos incapazes de motivar as novas gerações, o papão americano ou os executivos das editoras. O importante era erguer o dedo médio a quem se atravessasse no caminho da revolução. Não é fácil fazer uma apreciação individual às 14 ou 15 canções deste disco. Por um lado, a sua qualidade não é um modelo de consistência, havendo alguns temas a roçar o banal no meio de verdadeiros e genuínos clássicos como (para citar temas não citados a outro propósito) White Riot, Janie Jones (de que os Babyshambles fizeram uma bela versão), Carreer opportunities ou What´s my name. Por outro lado, a edição americana retirou 4 temas da edição inglesa (mantendo, com uma admirável fleuma, a incendiária I’m so bored with the USA) e acrescentou 5 faixas entretanto editadas em EP's. Curiosamente, não estava prevista uma edição do disco nos USA, prevendo-se que a importação de cópias seria suficiente para satisfazer as encomendas; só quando as importações atingiram os 100.000 exemplares é que os executivos da CBS mudaram de ideias. É esta, aliás, a edição que eu tenho, e que normalmente se encontra por cá. E embora seja uma adulteração da edição original (sendo que, de qualquer forma, o punk sempre viveu mais de singles do que de álbuns) a qualidade das canções está longe de ficar a perder. Basta dizer que dessas cinco “novas” canções, três são a fantástica versão para I fought the law, outrora celebrizada pelo malogrado Bobby Fuller (canção que assentava que nem uma luva à imagem de cowboys justiceiros que os Clash queriam assumir, quais Jesse James em cruzada contra o imperialismo capitalista), a brutal Complete Control (manifesto contra as pretensões ditatoriais da editora, que supostamente concedia à banda total liberdade artística, mas que depois decidia quais os temas a editar, a incluir e a excluir) e (White man in) Hammersmith Palais, um dos temas mais carismáticos do reggae branco de que os Clash foram precursores. Aliás, já na versão inglesa do disco vinha incluída uma versão magnífica de Police and thieves, de Junior Murvin. Não nos esqueçamos que Londres – e em particular a zona de Notting Hill e Portobello, onde os membros da banda residiam – tem uma numerosa população caribenha, razão pela qual o punk e a new wave ingleses (contrariamente ao norte-americano) sempre andaram de mãos dadas com o reggae e o ska. Que o digam os Specials, os Madness, Joe Jackson, Elvis Costello, os Pretenders, os Bad Manners, os Police & etc, etc, etc....
E já chega de treta. Querem saber mais sobre este disco, ouçam-no. É fácil, é barato e dá um gozo do caraças. Ou então dêem uma espreitadela nos clips das canções que estão linkadas. É que já não se faz disto como antigamente.

19 abril 2007

All I know is that... there were rumours

Circula por aí um boato que eu quero acreditar que é mesmo verdade: parece que os Human League, provavelmente a banda de que eu gosto ininterruptamente há mais tempo, vêm ao Porto em Junho. Mas como não há bela sem senão, também consta que trazem na bagagem os lamentáveis Level 42.

Vamos aguardar. Entretanto fiquem com um cheirinho do que poderão ver e ouvir, e abram o vosso coração a estes senhores.

18 abril 2007

16 abril 2007

Play-doh rock'n roll

Adivinha: qual é a coisa, qual é ela, que é melhor do que uma banda de garage-rock
Resposta: uma banda de garage-rock só com gajas,
giras,
francesas,
com tipo 20 anos.

E depois dizem que Deus não existe.


Les Plasticines - Loser (clip)

12 abril 2007

Quote of the day - Los Planetas / Pesadilla en el parque de atracciones

Quiero que sepas que me he acostumbrado
a tus putas escenas de "ahora me largo"
Largate ya de verdad que seria una suerte
si no vuelvo a verte en los proximos años
Y quiero que sepas que espero que acabes colgando de un pino
cuando veas lo imbecil que has sido
cuando veas que lo has hecho fatal
Y que quiero que sepas que ha sido un infierno estando contigo
Que el infierno no es tanto castigo
Te pareces bastante a Satan




Nesta noita primaveril apetece recordar a melhor banda da Catalunha, e provavelmente de Espanha. E uma das suas melhores canções, que até podia ser dedicada a algumas pessoas que eu cá sei. Mas não é. Aqui na C70 não temos maus fígados.
Hoje esta canção faz-me pensar em melões. Seis milhões de melões no parque de atracções.

06 abril 2007

Quote of the day - Nick Cave and the bad seeds / Foi na cruz

Foi na cruz, foi na cruz que um dia
meus pecados castigados em Jesus,
foi na cruz que um dia, foi na cruz




Este é provavelmente um dos álbuns mais mal-amados do cavalheiro Nicholas Edward Cave. A passagem da violência gore do antigo testamento (referência recorrente em todos os álbuns desde a formação dos Bad Seeds, ou não fossem os blues a sua influência primordial) para a mensagem comparativamente insossa do novo não era exactamente o que as hordas de góticos, punks e afins estavam à espera. Para mais, com este álbum NC conseguiu fazer o crossover para outros públicos, e atingir números de vendas interessantes - afinal saíram daqui The weeping song e The ship song, provavelmente duas das suas canções mais conhecidas (e que francamente já não há pachorra para ouvir em concerto de cada vez que ele cá vem, como acontece com a grandiosa The mercy seat; o que é demais é moléstia, diz sabiamente o povo). E sair do nicho estritamente alternativo tem os seus custos em termos de credibilidade crítica.
Esta canção com o refrão cantado em português (na altura o rapaz morava em S. Paulo, e era casado com uma brazuca) contribuiu, com toda a certeza, para o crescimento do enorme culto que NC passou a ter em Portugal mais ou menos a partir desta altura, com Coliseus esgotadíssimos de cada vez que se digna visitar-nos. Não conheço bem a história, mas o refrão é roubado a uma melodia religiosa tradicional brasileira. Quem a conhecer e vir o filme Pixote não pode deixar de reparar numa cena em que a canção é cantada numa espécie de vigília. E que Cave conhecia bem o filme, disso não há dúvidas: o seu álbum anterior, o sobre-excelente Tender Prey, é dedicado ao actor principal (que entretanto já tinha sido morto pela polícia).
Seja como fôr, é uma bela canção para a sexta-feira de Páscoa. E a C-70, por ateia que se orgulhe de ser, gosta de trazer a canção certa para o dia certo.
(... e a brincar a brincar, qualquer dia é Pentecostes!)

30 março 2007

Peel slowly and see... 40 years now!

2007 é um ano de efemérides. Já vos falei dos 60 anos do grande Camaleão, mas há mais gente e, sobretudo, muitos discos que fazem aniversários redondos neste ano da graça de NSJC.
Algures em Março de 1967 (a maior parte das fontes fala do dia 12, algumas do dia 15) foi editado nos EUA um disco que 40 anos depois seria considerado por muita e muito boa gente como o melhor, mais importante e mais influente disco da história do Rock. O disco com uma das capas mais carismáticas jamais editadas, ainda que já sem a banana rosa por baixo do autocolante (parece que a edição de vinil japonesa ainda continua a ser assim; alguém vai ao Japão?). O tal disco do qual se diria (a frase é atribuída a Brian Eno) que "poucos foram os que o compraram, mas todos formaram uma banda". Lamento contrariar o autor, mas conheço pelo menos uma excepção. E até já comprei uns 4 ou 5 exemplares.
Abre com uma caixa de música e uma melodia simples como as de qualquer caixa de música. Uma nota de John Cale abre as portas à voz sussurrada de Lou Reed, que nos fala, como ele explica num disco ao vivo, de uma daquelas manhãs depois de uma noite em que tudo correu mal. Mas não faz mal, porque há sempre alguém que nos vai chamar.
Segue-se um número de perfeito e (aparentemente) convencional good old-fashioned rock'n roll. Piano, guitarra e bateria. Lou Reed conta-nos, com basta e incontestada experiência de causa, como é que se compra droga na baixa de NY. É preciso esperar pelo homem, que vem sempre atrasado. Mas faz-nos sentir muito bem, pelo menos até ao dia seguinte.
Entra Nico, o ícone, e fala-nos de si. Diz para termos cuidado, porque toda a gente sabe o que ele faz para agradar. Vindo de quem assim canta, nem por um segundo duvidamos. You're written in her book, indeed.
E se alguém tinha pedido um violino estridente, uma batida hipnótica e um poema sobre S/M, aqui vêm eles. A partir do livro de Sacher-Masoch, Reed fala-nos de submissão, botas de couro, cintos, chicotes, abandono. Taste the whip, in love not given lightly, taste the whip now bleed for me. Não é exactamente um modelo de subtileza.
Voltamos ao rock e às drogas, agora de forma menos ligeira. Alguém tenta fugir da morte e não vai conseguir. A Teenage Mary que vendeu a alma, a Margarita Pasion que estava a ressacar, a Seasick Sarah e o seu nariz dourado, o Beardless Harry que achava que não lhe aconteceria a ele. Todos fugiram, fugiram, fugiram, em vão.
Mais uma incursão na mundanidade, a lembrar que esta era a banda de Andy Warhol e da Factory, a banda de gente que fazia parte da beautiful people do underground novaiorquino. E que se ri de quem não é cool como eles. De quem não usa cabedais e óculos de sol blasé. De quem se preocupa com a roupa que vai vestir na próxima festa, mais do que com se divertir na festa, engatar uma miúda, ou um miúdo, ou uma miúda e um miúdo, arranjar drogas. De quem vai chorar para trás da porta. De qualquer anti-Cinderella.
O lado B abre com a canção mais forte do disco, e uma das mais marcantes (provavelmente A mais marcante) da carreira da banda. Que fala de drogas (surprise!), de todas as drogas, apesar de o título ser bastante preciso. Das drogas que nos fazem querer ter nascido há mil anos e sermos marinheiros, antes o escorbuto do que o cavalo, que nos faz sentir os filhos de Deus mas vai ser a nossa morte. When the heroin is in my blood, and that blood is in my head, then thank God that I'm as good as dead, then thank your God that I'm not aware, and thank God that I just don't care, and I guess I just don't know. Mai' nada.
Segue-se, estranhamente, canção mais light do disco. Pelo menos musicalmente, esta história da rapariga que está de joelhos e não chora nem pede licença, é a única peça verdadeiramente descontraída do alinhamento. Quem é ela? Uma prostituta ou uma mulher em quem o marido bate? Seja quem for, sabemos que vai voar como um passarinho, e isso já é qualquer coisa.
Da heroína ao amor é um pequeno salto. Afinal, é tudo uma questão de dependências. E sermos o espelho de alguém, reflectirmos o que ele/ela é, sermos o vento, a chuva e o por-do-sol, a luz da entrada que lhe mostra que chegou a casa, é uma dependência. Não como outra qualquer, mas uma dependência.
O disco termina com as duas faixas mais marcadamente experimentais, que prenunciam o caos que chegaria no ano seguinte com White light/White heat. Na primeira, o anjo da morte convida-nos a escolher entre tudo o que não vale a pena, para nos fazer ver que nada vale a pena e que a melhor escolha é partir. Choose to go. Na segunda, dedicada ao seu professor preferido (o poeta Delmore Schwartz), Reed faz uma (então) rara incursão na poesia mais social ou política (forma em que atingiria a quase perfeição mais de 20 anos depois, no colossal New York). O curto texto fala, muito vagamente, do desencanto com uma América conservadora e obcecada com o sucesso. Mas em que, de repente, nos podem levar o nosso belo carro azul e as paredes verdes, you'd better say so long, hey hey, bye bye bye... Uma América (já) sem as referências humanistas dos pais, aqui transformados em filhos pela soberba de quem descobriu que dinheiro e arsenal são poder.

Apesar da indicação da capa, é hoje mais do que sabido que Andy Warhol pouco ou nada teve a ver com a produção do disco. O trabalho foi fundamentalmente da própria banda, não sendo muito certo o verdadeiro papel que coube a Tom Wilson, creditado apenas com a produção de Sunday Morning. E muito do fascínio e do poder de atracção que este disco exerce sobre quem se cruzar com ele vem exactamente da sub-produção, que nos deixa perceber a qualidade das canções e a forma apaixonada de quem as toca e canta - ainda que nem sempre de forma tecnicamente irrepreensível. Por isso é que convenceu gerações a fio, em 40 anos, que também podem escrever, tocar e cantar canções de rock.
O maior disco de todos os tempos? É possível, ou mesmo provável. Sem este, o disco da minha vida não seria o mesmo, nem por sombras. Mas desse hei-de falar em Junho, quando fizer 35 anos.
Dois docinhos para terminar. Espero que gostem.




28 março 2007

Assobiar às suecas faz comichão nas cuecas (provérbio lapão)

Encerra-se aqui esta pequena homenagem da C70 às músicas com assobio. Muitas ficaram de fora: lembrou a sempre atenta Verde o inesquecível tema do Verão Azul, e o inefável Q o Big Sur dos Thrills. Poder-se-ia acrescentar à lista, para fugir a cenas mais azeiteiras, o Sissyneck do Sr. Hansen, o Lovely Head dos Goldfrapp, o incomparável Otis na doca da baía ou as Confessions dos Violent Femmes. E o tema do The good, the bad and the ugly, claro.
Para terminar em beleza, uma das graaaaaaaaaaandes canções de 2007. E quem não assobia é lampião, olé.


23 março 2007

O assobio e o apito já vêm do antigo Egipto (provérbio sumério)

Quem assobia não bate na tia (provérbio transmontano)

Desde há uns dias que ando a tentar lembrar-me de canções que tenham belos momentos assobiados. E ao contrário do que possa parecer, não são assim tantas como isso. A C-70 vai empenhar-se em trazer para a ribalta esta importante, muito embora descurada, faceta da pop. E nada melhor do que começar com um clássico, daqueles mesmo clássicos.
Tudo a assobiar com a Eliza.

20 março 2007

Quote of the day - Dinosaur Jr. / Feel the pain

I feel the pain of everyone
and then I feel nothing


Estou com uma &%#$ duma dor de dentes que nem vejo. Sem exagero, dói mais que os golos do Tello e o do Petit juntos.

16 março 2007

dois - anos - dois

Chiça... Esta chafarica já abriu há dois anos!

14 março 2007

A hora do slow

No fim de semana, e a propósito de uma escolha musical feita pela função shuffle do leitor MP3, eu e a menina Inês tivemos uma breve troca de impressões sobre os melhores slows dos anos 80. Ora isto levanta uma interessante questão, daquelas a que os juristas gostam de chamar prejudiciais: o que deve ser considerado slow para este efeito? É que não é tão fácil como parece… Detenhamo-nos por breves momentos e tentemos precisar o conceito.
Um slow, antes de tudo o mais, tem de ser uma canção de amor lamechas. Não basta ter um tempo lento, propiciando o arrastamento de pés; a temática deve também ser propícia ao arrastamento de mãos e ao esfreganço geral. Não passa pela cabeça de ninguém chamar slow a coisas como o Fade to grey ou o Tokyo song.
Depois, um slow tem que ser uma coisa simples, que entre bem no ouvido e que tenha uma mensagem clara, tipo “me tarzan, you jane”. Slows com muita poesia distraem do essencial; e com uma música complicada perturbam o piloto automático. Um slow tem que ser 100% pop, sem grandes pretensões artísticas. Sejamos claros: é um tipo de canção com uma função específica, e essa função não é fazer-nos pensar no sentido da vida.
Mais do que isso: tem que ser, no mínimo, ligeiramente azeiteiro. Coisas como o I know it's over, o Killing Moon ou o Are you ready to be heartbroken não servem, são demasiado boas. Mas há, evidentemente, casos de fronteira – por exemplo, o Souvenir deve ou não ser admitido a concurso? Inclino-me para o não, embora com dúvidas.
Finalmente, só é um slow a sério uma canção que toda a gente conheça. Nada de faixas escondidas ou de lados-B desconhecidos. Tem que ser como a pasta medicinal Couto e andar na boca de toda a gente. Tem que ser um single, e de sucesso. Daqueles que agora pode passar nos programas da noite da RFM ou no Rádio Clube Português.

Posto isto, aqui vai o top-10 que de momento me ocorre. E desde já aviso que vai ter muitas falhas, porque não estive a pensar nisto muito tempo.
E não se esqueçam: eu avisei que são cenas muito azeiteiras.

10 – Spandau Ballet / True
09 – Imagination / Body talk
08 – Berlin / Take my breath away
07 – Madonna /Crazy for you
06 – Bryan Ferry / Slave to love
05 – Cars / Drive
04 – Duran Duran / Save a prayer
03 – George Michael / Careless whispers
02 – Prince / Purple rain

E em número 1…


Um regalo para os ouvidos. E porque não dizê-lo, em algumas passagens também para a vista.

PS - E o prémio para o pior slow? A concorrência seria brutal, mas deixo cinco candidatos, todos eles infames ocupantes durante semanas a fio do nº 1 do Top Disco:

Jim Diamond / I should have known better
Century / Lover why
Scorpions / Still lovin’ you
Foreigner / I want to know what love is
Chris de Burgh / The lady in red

08 março 2007

Sim, Sr. Ministro

Gilberto Gil e Os Mutantes, com a Rita Lee lá pelo meio. Há 40 anos.
Com aquela pêra até parece um guarda-redes que deu um frango jeitoso num jogo da Liga dos Campeões desta semana. E feriu Zé, feriu Zé.

06 março 2007

Quote of the day - Nico / Chelsea girls

Here's Room 115, filled with S & M queens
Magic marker row, you wonder just high they go.
Here they come now
See them run now
Here they come now
Chelsea Girls

'Bora papá-las!